Cerca de 250 pessoas participaram da manifestação promovida por estudantes da instituição | Foto Cláudio Costa/OCP News
Cerca de 250 pessoas participaram da manifestação promovida por estudantes da instituição | Foto Cláudio Costa/OCP News

Cerca de 250 pessoas participaram da manifestação dos estudantes dos dois câmpus de Jaraguá do Sul do Instituto Federal de Santa Catarina (IFSC), na tarde desta quarta-feira (15), no Centro da cidade. Os estudantes protestavam contra o corte de 30% no orçamento das universidades e institutos federais, anunciado pelo governo federal.

A estudante da oitava fase do curso técnico de química do IFSC, Milena Leithold, explica que a paralisação partiu da classe estudantil por ser a categoria diretamente afetada pelos cortes.

Segundo Milena, o corte vai atingir os benefícios da assistência estudantil concedidos a alunos de alta vulnerabilidade social, além de prejudicar a continuidade dos projetos de pesquisa, que seria uma das principais produções da instituição e pelos quais é reconhecida. O receio dos estudantes é que o corte leve à estagnação da produção de pesquisa.

A coordenadora pedagógica do IFSC Kely Zimmermann, informa que para o campus do Centro de Jaraguá do Sul (já que a cidade também tem um campus no bairro Rau), o impacto do corte será de R$ 900 mil a menos no orçamento da instituição, que é de aproximadamente R$ 2,5 milhões para todo o ano.

Para tentar reverter a situação, os estudantes organizaram a manifestação, integrando o movimento nacional de paralisação, que aconteceu nesta quarta-feira em cidades, como Joinville e Florianópolis.

A intenção dos alunos do IFSC de Jaraguá do Sul é também de chamar a comunidade da região para conhecer a instituição e ver onde os recursos públicos estão sendo aplicados.

“Dinheiro público que também é nosso, porque a gente também paga imposto, mas que não está sendo usado com pesquisa que é o que vai desenvolver o país. Que vai levar a nossa sociedade para a frente”, declara a estudante.

Formação técnica prejudicada

O corte anunciado pelo governo federal poderá prejudicar a formação dos alunos já que os cursos da instituição tem o perfil técnico. Essa é a preocupação do coordenador do curso de química do IFSC de Jaraguá do Sul, Claudio Mendes Cascaes.

“Curso técnico precisa da parte prática, não se forma técnico teórico, os alunos estão sendo formados para irem ao mercado de trabalho e precisam ter a parte pratica que o mercado de trabalho pede”, diz o coordenador.

Corte deve afetar as atividades práticas, como nos laboratórios | Foto Arquivo OCP News

Sem a verba para manter os laboratórios, não há como fazer as aulas práticas, ele salienta. Somente no primeiro semestre, de fevereiro a março, foram realizadas 87 aulas práticas apenas no laboratório de química, quase uma aula por dia informa Cascaes.

A preocupação com a qualidade da formação dos alunos também é compartilhada pelo vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc) para o Vale do Itapocu, Célio Bayer.

Segundo Bayer, se os cortes no orçamento do IFSC afetarem as aulas práticas em laboratório, as indústrias também vão acabar perdendo. "Pode realmente prejudicar na formação e qualificação técnica dos alunos".

Porém, ele ressalta que é essencial reunir todos os profissionais da área da educação e compartilhar ideias para diminuir os custos sem afetar os alunos, pois ele garante que a falta de recursos no Brasil acaba obrigando diversos setores a otimizar, buscando eficiência na gestão.

 

Impacto do corte será superior ao anunciado

Nos IFSC de Jaraguá do Sul, a diretoria também está fazendo a gestão dos recursos para garantir a assistência estudantil aos alunos neste ano. “Vamos cortar outros recursos, vamos enxugar para não cortar isso”, diz a coordenadora pedagógica Kely.

Dessa forma, o impacto dos cortes no orçamento da instituição acabará sendo maior ao anunciado, chegando a 38%.

IFSC trabalha para manter assistência estudantil a alunos | Foto: Arquivo/OCP News

“O corte é de 30% do custeio. A assistência estudantil entra no custeio, só que a gente separa essa assistência e corta em outras coisas. Se a gente tirar o valor da assistência estudantil, que é de 8%, na realidade o corte chega a 38% no custeio efetivo”, explica o coordenador do curso de química Cláudio.

 

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