Porto de São Francisco do Sul é o maior de SC e o sétimo do Brasil. Foto: Divulgação/Governo de Santa Catarina
Porto de São Francisco do Sul é o maior de SC e o sétimo do Brasil. Foto: Divulgação/Governo de Santa Catarina

A SCPar, que administra o Porto de São Francisco do Sul, informou por meio de nota emitida no começo da noite desta sexta-feira (22), que a atual diretoria do porto pediu exoneração de suas funções.

Na nota encaminhada consta: "Deixam o quadro da subsidiária o diretor-presidente Diego Machado Enke, o diretor administrativo e financeiro Adilson Schlickmann Sperfeld e o diretor de Operações e Logística Sergio Poliano Villarreal.

Interinamente, dois diretores da SCPar acumularão suas funções na holding com o trabalho na diretoria do porto. Joel Alves diretor administrativo e financeiro da SCPar, e Fabiano Ramalho diretor de assuntos regulatórios e jurídicos da SCPar, farão a gestão do porto de maneira temporária", finaliza sem mais explicações.

A que tudo indica os pedidos de exoneração foram motivados pela apuração realizada pelo Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) de supostas ilegalidades na contratação sem licitação e nomeações no Porto de São Francisco do Sul.

 

Serviço de controle de pragas

O MPSC instaurou procedimento para investigar suposto superfaturamento na contratação, com dispensa de licitação, de uma empresa para controle de pragas animais no Porto de São Francisco do Sul pelo valor de R$ 2.109.561,50. O procedimento foi instaurado a partir de informações encaminhadas anonimamente por um cidadão à Ouvidoria do MPSC, dando conta de eventual sobrepreço no contrato.

A Ouvidoria encaminhou as informações para a 2ª Promotoria de Justiça da Comarca de São Francisco do Sul, que nesta sexta-feira (22) instaurou uma notícia de fato para apurar se há ilegalidade no processo de dispensa de licitação feito pela empresa pública SCPar Porto de São Francisco do Sul, cujo objeto é a execução de serviços de desinsetização, desratização, controle de larvas em coleções de águas paradas e controle da fauna sinantrópica nociva (pombos).

Em caráter precário das informações iniciais apresentadas, visando analisar as providências a serem tomadas, o Promotor de Justiça Diogo Luiz Deschamps determinou a juntada ao procedimento de matérias jornalísticas abordando a suposta irregularidade, assim como cópia do processo de dispensa de licitação da SCPar Porto de São Francisco do Sul.

Também requereu apoio do Centro de Apoio Operacional Técnico do MPSC (CAT) para análise do possível sobrepreço e realização de pesquisa das pessoas físicas e jurídicas investigadas, relações societárias e eventuais contratos públicos.

"Se confirmadas as denúncias, as ilegalidades são graves. Mas somente após uma apuração conduzida sob os princípios constitucionais da eficiência e legalidade é que poderemos dizer se houve ou não irregularidade", considera Deschamps.

Nomeação de diretor também é apurada

Outro procedimento em curso, também instaurado pela 2ª Promotoria de Justiça, apura a legalidade da nomeação do diretor da SCPar Porto de São Francisco do Sul. O procedimento avalia se a nomeação contraria a legislação por ele ter sido coordenador-geral de campanha eleitoral em 2018, o que poderia gerar algum impedimento para assumir o cargo.

Segundo informado pelo Diretor-Presidente da SCPar, não haveria irregularidade na nomeação para exercer cargo na diretoria do Porto de São Francisco do Sul, pois a vedação prevista no artigo 17, § 2º, inciso II, da Lei n. 13.303/16 não se aplica a empresas estatais que tiverem receita operacional bruta inferior a R$ 90 milhões, nos moldes do artigo 1º, § 1º, da mesma lei.

"Todavia, foi apresentada apenas a Receita Operacional Líquida da SCPar Porto de São Francisco do Sul S.A., razão pela qual foram solicitadas novas informações visando a comprovar a Receita Operacional Bruta da Entidade", informa o Promotor de Justiça, que analisa o caso, ainda, sob outros aspectos legais.

*Com informações da Assessoria de Imprensa do MPSC e da SCPar

 

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