Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Câmara aprova política para tornar parques e praças mais acessíveis em Jaraguá do Sul

Foto: Divulgação

Por: Elisângela Pezzutti

28/07/2026 - 16:07

A Câmara Municipal de Jaraguá do Sul aprovou, na sessão desta segunda-feira (27), um projeto de lei que institui a Política Municipal de Acessibilidade e Desenho Universal em Parques, Praças e Espaços Públicos de Lazer. A proposta é de autoria do vereador Professor Fernando Alflen (PL). O objetivo do projeto é promover o acesso universal, seguro e autônomo aos espaços públicos de lazer por pessoas neurodivergentes, com deficiência ou mobilidade reduzida.

Entre as diretrizes estabelecidas está a adoção do chamado Desenho Universal, conceito que prevê a criação de ambientes que possam ser utilizados pelo maior número possível de pessoas, sem a necessidade de adaptações posteriores.

O texto também determina que sejam consideradas as necessidades sensoriais de pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e outras condições que afetem a percepção do ambiente. A política deverá garantir segurança, autonomia e dignidade aos usuários, além de estimular a integração social, evitando a segregação das pessoas em razão de suas condições.

Clique e assine o Jornal O Correio do Povo!

Os projetos de construção, ampliação ou revitalização de parques, praças e outros espaços públicos de lazer deverão observar as normas técnicas de acessibilidade, especialmente a ABNT NBR 9050.

A proposta estabelece como diretrizes a implantação de rotas acessíveis, com pavimentação regular, estável e antiderrapante, e a instalação de equipamentos de lazer inclusivos integrados aos demais brinquedos e estruturas. A medida busca permitir que pessoas com e sem deficiência utilizem os mesmos ambientes e convivam de maneira integrada.

Também está prevista a adoção de sinalização acessível, com recursos visuais, táteis e pictográficos, além do incentivo ao uso de ferramentas de Comunicação Alternativa e Aumentativa, quando necessário.

Nos espaços públicos de maior porte, o projeto recomenda ainda a criação de áreas com menor estímulo sensorial, desde que a implantação seja tecnicamente viável. Esses ambientes poderão oferecer mais conforto para pessoas que apresentem sensibilidade elevada a ruídos, iluminação, movimentação ou outros estímulos.

Os sanitários públicos existentes ou que venham a ser construídos nos espaços de lazer também deverão seguir as normas de acessibilidade. Sempre que possível, deverão ser instaladas estruturas adequadas para usuários que necessitem de acompanhamento.

Selo de acessibilidade

O projeto autoriza o Poder Executivo a criar um selo ou certificação para reconhecer espaços públicos e privados que atendam às diretrizes de acessibilidade. Os critérios para a concessão do reconhecimento deverão ser definidos posteriormente em regulamento.

A implementação da política poderá ocorrer por meio de parcerias com a iniciativa privada, programas municipais de cooperação ou adoção de espaços públicos, instrumentos urbanísticos e recursos de fundos municipais ligados às políticas destinadas às pessoas com deficiência, quando disponíveis.

Editais de licitação e contratos administrativos relacionados à implantação, gestão ou concessão de espaços públicos de lazer também poderão conter cláusulas de incentivo ao cumprimento das diretrizes.

Inclusão e convivência

Alflen afirma que a iniciativa busca tornar Jaraguá do Sul uma cidade mais inclusiva, humana e comprometida com a dignidade de todos os cidadãos.

O parlamentar destaca que parques, praças e áreas verdes são importantes para a convivência comunitária, para a saúde física e mental e para a formação cidadã. Entretanto, barreiras arquitetônicas, urbanísticas e sensoriais ainda podem limitar ou impedir a utilização desses locais por pessoas com deficiência, mobilidade reduzida ou neurodivergência.

Segundo ele, a falta de estruturas adequadas restringe direitos e contribui para processos de exclusão. A construção de espaços inclusivos, por outro lado, fortalece o sentimento de pertencimento, favorece a convivência entre pessoas diferentes e estimula uma cultura de respeito e empatia.

O projeto estabelece diretrizes gerais, sem determinar a execução imediata de todas as medidas. A implantação poderá ocorrer de maneira progressiva, considerando a viabilidade técnica, a disponibilidade orçamentária e os critérios administrativos definidos pelo Poder Executivo.

A regulamentação da política ficará sob responsabilidade da prefeitura. A lei entrará em vigor na data de sua publicação.

Clique aqui e receba as notícias no WhatsApp

Whatsapp

Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.