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União suspende fornecimento de medicamento para adolescente com câncer e família de Jaraguá do Sul lança vaquinha para manter tratamento

Foto: Arquivo pessoal/Divulgação

Por: Elisângela Pezzutti

28/07/2026 - 10:07 - Atualizada em: 28/07/2026 - 10:55

A suspensão do fornecimento de um medicamento essencial para o tratamento da jaraguaense Maria Isabela Budske, de 13 anos, diagnosticada com Linfoma de Hodgkin em janeiro de 2025, mobilizou familiares e amigos em uma nova campanha de arrecadação. Após a União recorrer da decisão judicial que determinava a entrega da medicação, o desembargador responsável suspendeu os efeitos da sentença, deixando a adolescente sem previsão de receber o remédio pelo poder público.

Moradora do bairro Baependi, em Jaraguá do Sul, Maria Isabela, estudante do 7° ano da escola Rodolpho Dornbusch, na Vila Lalau, passou por um transplante de medula em maio e está em licença médica até dezembro. O tratamento inclui o uso do medicamento brentuximabe vedotina, imunoterapia indicada para casos específicos da doença e que não é disponibilizada pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A família havia conquistado na Justiça o direito ao fornecimento da medicação. No entanto, a União apresentou recurso e conseguiu suspender a decisão. Desde então, não há previsão para que o processo volte a ser analisado.

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Com a interrupção do fornecimento, a mãe da adolescente, Daniela Cristina Foss Schmidt, iniciou uma vaquinha solidária para arrecadar recursos e garantir a compra da próxima dose, que precisa ser aplicada até o dia 19 de agosto para que o tratamento não seja interrompido.

“Eu ganhei o processo judicialmente. A União é obrigada a pagar a medicação, mas eles entraram com recurso e o desembargador suspendeu a decisão. Os médicos da própria junta médica da União afirmaram, com base nos exames, que ela realmente necessita desse medicamento. Mesmo assim, o desembargador suspendeu, e agora não há data para o processo voltar a ser julgado”, relata Daniela.

Família teme atraso no tratamento

Segundo a mãe, Maria ainda precisará de mais seis doses do medicamento. Cada aplicação custa cerca de R$ 38 mil, valor inviável para a família custear sem ajuda.

“Não sei quanto tempo vai levar até a gente conseguir ter essa medicação em mãos. Eu iniciei novamente a campanha, com rifa e vaquinha. Algumas pessoas estão ajudando, mas ainda está fraco”, afirma.

Enquanto busca arrecadar recursos, a família também tenta reverter a suspensão da decisão judicial. “O meu advogado vai entrar com um novo pedido. Vamos reunir mais documentos, e a médica vai fazer um novo relatório para comprovar a necessidade do caso dela, mostrando que a vida dela depende dessa medicação”, explica Daniela.

Ela ressalta que, mesmo com a apresentação de novos documentos, não há garantia de que a Justiça decida sobre o caso antes da data prevista para a próxima aplicação. “Eu chorei muito, é revoltante”, desabafa.

“Estamos reunindo novas provas e um relatório detalhado da hematologista mostrando que a vida dela depende dessa medicação. Mas esse processo leva tempo, e ela não pode esperar. A doença não espera, e precisamos cumprir o prazo para que ela receba a medicação com segurança”, destaca.

Entenda o caso

O Linfoma de Hodgkin é um tipo de câncer que afeta o sistema linfático, responsável pela defesa do organismo. Apesar de apresentar altas taxas de cura quando tratado adequadamente, alguns pacientes necessitam de terapias específicas que não fazem parte da lista de medicamentos fornecidos pelo SUS.

No caso de Maria Isabela, a equipe médica indicou o uso do brentuximabe vedotina como parte do tratamento. A própria junta médica da União reconheceu a necessidade da medicação, segundo a família. Ainda assim, após o recurso apresentado pela Advocacia-Geral da União, a decisão que determinava o fornecimento foi suspensa até novo julgamento.

Como ajudar

As doações podem ser feitas por meio da chave PIX 027.418.520-22, em nome de Daniela Cristina Foss Schmidt, no Banco Bradesco.

A família reforça que qualquer contribuição, independentemente do valor, aumenta as chances de que Maria Isabela consiga receber a próxima dose dentro do prazo recomendado pelos médicos.

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Elisângela Pezzutti

Graduada em Comunicação Social pela Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG). Atua na área jornalística há mais de 25 anos, com experiência em reportagem, assessoria de imprensa e edição de textos.