A síndrome de Burnout é um distúrbio psíquico causado pela exaustão extrema, sempre relacionada ao trabalho de um indivíduo, também chamada de “síndrome do esgotamento profissional”.

Essa síndrome está sendo cada vez mais comum, pois parece que nossos dias deveriam ter mais de 24 horas de duração, tamanha são nossas exposições a compromissos e às mídias sociais. O excesso de trabalho é um fato assustador.

De acordo com pesquisa realizada pela International Stress Management Association (Isma), 30% dos mais de 100 milhões de trabalhadores brasileiros sofrem com o problema.

Causas e sintomas

De acordo com o neurologista, Dr. Vicente Caropreso, a síndrome de Burnout é causada por exaustão extrema (física ou mental) e estresse, e a principal causa da doença é o esgotamento profissional, ou seja, o excesso de trabalho e preocupações decorrentes.

"É nesse estado de total dependência do trabalho que surgem os sintomas para as pessoas. Dores de cabeça e musculares, trabalho excessivo, insônia, irritabilidade, crises de choro e desespero, esses sintomas estão associados constantemente ao estresse do dia a dia. Nos casos mais graves há o de risco de suicídio", explica Dr. Vicente.

Diagnóstico e tratamento

O diagnóstico de Burnout deve ser feito por profissionais especializados e qualificados em saúde mental, levando-se em consideração todo o ambiente de trabalho das pessoas e o resultado de avaliações psicológicas. O objetivo é fazer a ponte entre a pessoa e a rotina profissional.

O especialista afirma que durante uma crise aguda, a solução é fazer uma mudança brusca na rotina para dar ao corpo e à mente um momento de descanso. Assim, é essencial que a pessoa dê uma parada e invista em momentos de relaxamento.

Ele pontua que será uma grande oportunidade de revisão da rotina diária e que em muitos casos são necessárias sessões de psicoterapia. "Da mesma forma, também pode ser necessário o uso de medicamentos antidepressivos para maior controle dos sintomas e aceleração da recuperação."

Impacto na sociedade

Mas de que forma a síndrome de Burnout impacta na sociedade? O neurologista exemplifica com casos de Burnout dos médicos, que segundo ele, é possível de se fazer uma boa análise.

A carga horária de trabalho dos médicos normalmente é extensa. Além disso, outras características da profissão contribuem para o Burnout, como a falta de condições de trabalho, a tentativa de manutenção da imagem do médico como super-herói, a necessidade de atualização constante quanto a métodos diagnósticos e tratamentos.

Além disso, a redução crônica do convívio social, múltiplos vínculos empregatícios, a cobrança social excessiva, os relatos de assédio moral e agressões físicas por pacientes e, ainda, a maior incidência de distúrbios psiquiátricos, como depressão e alcoolismo. Isso tudo provocará, certamente, a redução da eficiência e qualidade do atendimento aos pacientes.

E assim funciona para várias carreiras profissionais, cada uma com suas características próprias. Ou seja, o excesso de empenho pode levar à doença.

Prevenção

Dr. Vicente pontua que as mudanças na rotina são a principal forma de prevenir a Síndrome de Burnout. É importante manter um equilíbrio saudável entre a vida pessoal e profissional, priorizando um tempo para o lazer com a família e os amigos, por exemplo. "Aceitar o diagnóstico e estar propenso a receber ajuda é o primeiro passo!"

Confira algumas orientações do Dr. Vicente Caropreso:

  • Passar mais tempo com a família;
  • Reorganizar a dinâmica no ambiente de trabalho;
  • Evitar o consumo de álcool e outras drogas para alívio de ansiedade e outros transtornos;
  • Praticar exercícios físicos regularmente;
  • Definir valores e prioridades na vida;
  • Reavaliar os objetivos profissionais;
  • Evitar o excesso de horas de trabalho;
  • Ter uma alimentação saudável;
  • Manter a quantidade e qualidade do sono - 7 horas e meia por dia.

Ele ainda enfatiza que a falta do sono muito constante prejudica a memória, aumenta a dificuldade em processar informações, aumenta a ansiedade e reduz muito a habilidade de tomada de decisões. Por isso, "limite o acesso a meios de comunicação como celulares, computadores e TV, uma hora, pelo menos, antes de dormir e procure caprichar no ambiente de dormir", finaliza.

Sobre o especialista

O Dr. Vicente Caropreso (CRM-SC 3463 e RQE 618) atende no centro de Jaraguá do Sul. É médico neurologista desde 1983, voluntário da Apae de Jaraguá do Sul. É referência estadual dos Agravos Epidemiológicos Botulismo e Doença de Creutzfeld-Jacob (DCJ) e é médico honorário do Hospital e Maternidade São José.