No atual estágio da pandemia, a Covid-19 é doença mais fatal no país. Entretanto, de acordo com os dados pré-pandemia, o Acidente Vascular Cerebral (AVC) é a segunda doença que mais mata no Brasil (atrás apenas das doenças isquêmicas do coração – como o infarto).

O AVC é popularmente conhecido como derrame e pode ser definido como o surgimento de um déficit neurológico súbito causado por um problema nos vasos sanguíneos do sistema nervoso central.

Além disso, é a doença que mais causa incapacidade no mundo: cerca de 70% das pessoas que sofrem um derrame não retorna ao trabalho depois do ocorrido e 50% ficam dependentes de outras pessoas no dia a dia.

Causas

O neurologista Dr. Vicente Caropreso explica que os Acidentes Vasculares Cerebrais podem ser de dois tipos, com causas diferentes: isquêmico e hemorrágico.

  • AVC Isquêmico - ocorre pela obstrução ou redução brusca do fluxo sanguíneo em uma artéria cerebral causando falta de circulação no seu território vascular;
  • AVC Hemorrágico - é causado pela ruptura espontânea (não traumática) de um vaso, com extravazamento de sangue para o interior do cérebro (hemorragia intracerebral), ou espaço ao redor do cérebro, o espaço subaracnóideo (hemorragia subaracnóidea).

Ele afirma que algumas doenças podem causar AVC como a Fibrilação Atrial (FA), uma doença cardíaca pouco diagnosticada que é um importante fator de risco.

"A FA impede as duas câmaras do coração (os átrios) de se contraírem corretamente, o que resulta em sangue não completamente bombeado para fora do coração que fica acumulado e pode formar coágulos. Estes coágulos podem viajar até o cérebro e desencadear um AVC", complementa o médico.

Como identificar um AVC?

Os sinais de alerta são sempre repentinos, mas podem ter avisos (chamados de Acidentes Vasculares Isquêmicos Transitórios) dias ou meses antes do AVC propriamente dito.

AVC tem início súbito, e pode apresentar tais sintomas:

  • Fraqueza ou formigamento na face, no braço ou na perna, em um mesmo lado do corpo;
  • Confusão, alteração da fala ou compreensão;
  • Alteração na visão (em um ou ambos os olhos);
  • Alteração do equilíbrio, coordenação, tontura ou alteração no andar;
  • Dor de cabeça súbita, intensa, sem causa aparente.

Tratamento e consequências

Toda pessoa que chega ao hospital com sinais clínicos ou suspeita de AVC, passa por uma série de testes laboratoriais, eletrocardiograma e exames de imagem. O médico e equipe tem que garantir primeiramente o estado geral, ou seja, a sobrevivência do paciente, principalmente, a respiração e o equilíbrio metabólico.

O tratamento, de acordo com o neurologista, depende da causa identificada pelos serviços de urgência. No AVC do tipo isquêmico, o mais comum em 70% dos casos, procura-se evitar sequelas administrando medicamentos para reduzir a coagulação sanguínea, estabilizar a pressão arterial com cuidado e avaliar o estado clínico geral da pessoa, se ela permanecerá em quarto ou em leitos de UTI.

"Já no AVC do tipo hemorrágico, geralmente necessitará de UTI pelo risco de agravamento do estado de consciência da pessoa. Nestes casos, poderá estar indicada intervenção cirúrgica para remover um coágulo no cérebro ou para identificar um aneurisma e tratá-lo cirurgicamente, ou através de procedimentos especiais", pondera.

Ele ainda pontua que o tratamento após o AVC contará com o uso de medicamentos para tratar sua causa e, assim, evitar um novo AVC. O uso de aspirina ou anticoagulantes é muito comum. Da mesma forma, o controle das cardiopatias associadas e outros problemas clínicos será fundamental para um melhor prognóstico. A fisioterapia e a fonoaudiologia são importantes para a recuperação nos momentos agudos e no pós-AVC.

Primeiros Socorros

Se houver rapidez no atendimento do AVC, até 4 horas depois do início dos sintomas, um medicamento que dissolve o coágulo pode ser dado aos pacientes com AVC isquêmico, o tipo mais comum, diminuindo a chance de sequelas.

Portanto, as equipes de atendimento de urgência nas UPAs, e Prontos Socorros estão avisadas e, na maioria das vezes, treinadas em encaminhar os casos suspeitos para atendimento preferencial e rápido nos centros habilitados para tratar o AVC.

Prevenção

O AVC pode ser prevenido, se controlar as causas mais comuns como a hipertensão (pressão alta), diabetes melitus e colesterol alto. O ato de fumar e o alcoolismo também são causas bem reconhecidas do AVC.

Manter atividade física regular, ter uma boa qualidade de sono, controlar o peso, manter uma dieta saudável rica em frutas e vegetais e com pouco sal, são medidas essenciais.

"Deve-se a medir a pressão arterial sempre que puder. Dependendo da idade, faça consultas clínicas regulares e exames laboratoriais frequentes, principalmente se tiver casos de AVC ou infarto do miocárdio na família. Limite o consumo de álcool e evite o hábito de fumar", indica Dr. Vicente.

Sobre o especialista

O Dr. Vicente Caropreso (CRM-SC 3463 e RQE 618) atende no centro de Jaraguá do Sul. É médico neurologista desde 1983, voluntário da Apae de Jaraguá do Sul. É referência estadual dos Agravos Epidemiológicos Botulismo e Doença de Creutzfeld-Jacob (DCJ) e é médico honorário do Hospital e Maternidade São José.