O que é ser mãe? Sempre nos falam o quanto é bom ser mãe, gerar, criar, ver crescer... A pediatra Dra. Ana Cecília Medeiros Mano Azevedo afirma que é suspeita para falar sobre, "adoro ser mãe e me sinto um pouco mãe também dos meus pacientezinhos".

Entretanto, em um relato ela pontua questões muito relevantes, confira na íntegra:

"Quando meninas, nos dão bebês de brinquedo, bonecas, enfim, é iniciado o treinamento para sermos mães. Eu sou uma mãe convicta e até há pouco tempo acreditava que uma mulher só poderia ser plenamente feliz e completa sendo mãe. Errado! Nem todas as mulheres deve ou podem ser mães e não necessariamente precisam ser mães para sentirem-se felizes ou completas. Crianças não são troféus sociais!

Quando gestamos, por mais planejada que seja a gestação, temos sentimentos conflitantes entre querer e não querer, até porque, sinceramente, para a maioria de nós, o ato físico de gestar é desconfortável e sofrido. Nessa fase temos a ficção do amor incondicional e intrínseco e, em uma época que se tenta controlar tudo, algumas planejam a data do parto e tudo o mais que o cerca, mas, esse planejamento não foi feito com o bebê.

Ele nasce e passa por um período que chamamos de exogestação em que está se adaptando a vida fora do útero. A característica mais comum nessa fase é o choro, muitas vezes sem motivo aparente. Nós, com tudo planejado, começamos a duvidar se estamos fazendo algo errado, se o nosso leite está sendo suficiente ou se o bebê está saudável, pois, afinal, isso não estava nos nossos planos.

Associado a isso, temos uma queda hormonal importante e fisiológica que nos deixa mais quietinha e tristes e não nos sentimos tão felizes e plenas como mães como achamos que deveríamos. Nessa fase, chega um amigo ou familiar e ternamente olhando para o bebê (que dorme na presença da visita) lhe diz: “aproveita bem que essa é a melhora fase!”. MENTIRA!

Essa é, de longe a pior fase: estamos nos conhecendo, não sabemos muito um do outro! O primeiro mês é o mais difícil dos difíceis três primeiros meses. Aí, quando estamos felizes e plenas com nosso bebê de três meses, sem cólicas e sorridente, alguém nos diz: “quando começar a engatinhar, é um inferno!” e seguem as ameaças: “quando nascerem os dentes, quando andar, quando for para a creche, quando não for para a creche, quando for tirar as fraldas, quando for adolescente...”.

Por que todos querem que tenhamos filhos se, depois que nasce, sempre nos falam das dificuldades?

Por isso, digo que nem todas poderiam ou deveriam ser mães, porque é difícil mesmo, mas também é muito gratificante para quem entende as fases pelas quais as crianças passam e aproveitam as coisas boas, que são muitas. Sempre digo que os meus filhos (são três que foram bem planejados) são responsáveis pelos meus melhores e piores momentos e todos esses me deixaram melhor e mais forte.

Encerro com uma frase que gosto muito de um autor desconhecido: “No futuro ninguém vai lembrar das minhas roupas, do meu carro, da minha casa, mas o mundo pode ser melhor porque eu fiz a diferença na vida de uma criança”. Se quiserem e puderem, sejam mães e sejam felizes, se não, façam a diferença na vida de uma ou mais crianças de outras formas gratificantes e felizes. O mundo agradece!

Sobre a especialista

A Dra. Ana Cecília Medeiros Mano Azevedo é médica pediatra com Mestrado e Doutorado na área de Genética Médica pela UFRGS. Atende em Jaraguá do Sul na Clínica Crescer - espaço multidisciplinar. Contato: (47) 3058-2897.