A hipófise é uma glândula do tamanho de uma ervilha, localizada na base do cérebro, que comanda a maioria das glândulas endócrinas do corpo, entre elas, a tireoide, os ovários nas mulheres e os testículos nos homens, a glândula adrenal. Além de produzir a prolactina (hormônio que estimula a produção de leite) e o hormônio do crescimento, que assegura o crescimento durante a infância.

De acordo com a endocrinologista, Dra. Angela Beuren, o diagnóstico de problemas ou lesões de hipófise pode ser incidental, identificadas através de exames de imagem como tomografia ou ressonância de crânio, realizados por sintomas não relacionados ao problema hipofisário.

"Isso é relativamente frequente, uma vez que 10 a 20% das pessoas, sem sintomas hipofisários, que fazem um exame de imagem poderão ter uma lesão na hipófise identificada", explica.

Segundo ela, a doença também pode ser identificada a partir dos sintomas corporais sugestivos provocados pela alteração da produção de cada um de seus hormônios.

Se as lesões forem grandes, devido à compressão das estruturas vizinhas, o achado mais típico é a perda de visão da parte externa do campo visual, além de dor de cabeça. "As manifestações hormonais são bastante amplas, dependendo de qual dos hormônios que está envolvido", destaca.

Hiperprolactinemia

É a produção excessiva de prolactina, que é o principal e mais comum problema hormonal da hipófise, acarretando irregularidade menstrual (nas mulheres), infertilidade, redução da libido e impotência (nos homens), com ou sem galactorreia (produção de leite fora do período de amamentação) e osteoporose.

Existem outras doenças que também aumentam a prolactina, como a doença de tireoide descompensada, a insuficiência renal e inúmeras medicações que aumentam os seus níveis, principalmente os antidepressivos.

É um problema que costuma ter tratamento simples, pois normalmente os tumores produtores de prolactina não possuem indicação cirúrgica e as medicações para o tratamento facilmente controlam os níveis hormonais, reestabelecendo a fertilidade, o ciclo menstrual normal e cessando a saída de leite da mama.

Acromegalia

É resultante da produção excessiva do hormônio de crescimento. Quando ocorre na infância, leva ao gigantismo. Em adultos, a acromegalia é caracterizada por aumento das mãos e pés, face característica, alargamento do nariz, aumento dos lábios e língua, aumento da fronte, sudorese excessiva e dores articulares. Pode acarretar também outras doenças como diabetes, aumento do coração e hipertensão.

Doença de Cushing

É causada por um tumor, geralmente muito pequeno, que produz um hormônio hipofisário e estimula a produção de cortisol pelas supra-renais. As características clínicas são aumento de peso, com aumento da gordura na face e tronco, mas com membros finos, pele fina com estrias largas e violáceas e hematomas. Diabetes mellitus e hipertensão arterial de difícil controle também podem ocorrer.

A maioria das lesões da hipófise são adenomas (tumores benignos), que podem ser funcionantes, isto é, produzirem algum hormônio em excesso, ou serem não funcionantes, sem produção hormonal.

No caso das lesões não funcionantes, os sintomas dependem do tamanho do tumor e mesmo os tumores funcionantes, quando de tamanho grande o suficiente, podem causar cefaleia e alteração visual, associada aos sintomas da hipersecreção hormonal.

Como os tumores são as lesões mais comuns, a cirurgia está indicada em boa parte dos casos. No entanto, em tumores produtores de prolactina, os prolactinomas, o tratamento medicamentoso é mais eficaz que a cirurgia. Deste modo, o tratamento de escolha na maioria dos prolactinomas é medicamentoso.

A especialista ressalta que, as pessoas que tenham tido diagnóstico de lesão hipofisária assintomática, ou que tenham qualquer sintoma que possa estar relacionado a alteração da função hormonal, ou à compressão de estruturas vizinhas à hipófise, deverão consultar endocrinologista experiente para cuidadosa avaliação hipofisária e indicação individualizada de tratamento ou apenas de acompanhamento.

Sobre a especialista

A Dra. Angela Beuren (CRM 22889 / RQE 13603) é endocrinologista, formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Medicina Interna pelo Hospital Universitário de Santa Maria e Médica Endocrinologista pelo IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione) do Rio de Janeiro. Atende na Rua Guilherme Weege, Numero 202, Sala 407, Edifício Accord Center – em cima do Laboratório Fleming. Os contatos são (47) 3054 0514, 99222 3314 ou angela.beuren@gmail.com.