A menopausa é a suspensão permanente dos ciclos menstruais devido à falência da função ovariana na mulher. Considera-se, habitualmente, uma mulher na menopausa após, pelo menos, 12 meses de ausência de menstruação, período chamado de amenorreia. A menopausa pode ser natural ou induzida por uma cirurgia de retirada de ovários, quimioterapia, radioterapia ou mesmo doenças autoimunes. Já a menopausa natural costuma ocorrer entre os 45 e 55 anos, mas a maioria acontece em torno de 50 anos.

De acordo com a endocrinologista, Dra. Angela Beuren, a menopausa precoce é definida quando acontece antes dos 40 anos. Por outro lado, há a menopausa tardia que se manifesta após os 55 anos, o que ocorre em menos de 2% das mulheres.

“Chamávamos o período que antecede a menopausa de climatério e, atualmente, temos denominado essa fase como perimenopausa. O início da transição costuma se manifestar com irregularidade menstrual, com ciclos superiores a 7 dias ou sangramentos frequentes. Essa fase pode durar de 1 a 3 anos e os sintomas ainda podem ser bastante leves”, explica a médica.

Embora nem toda mulher tenha sintomas exuberantes, na menopausa ocorrem alterações em todo o corpo, incluindo fogachos, perda de massa óssea, tendência de aumento de peso e da gordura abdominal, insônia, irritabilidade, secura vaginal, entre outros.

Para isso, a terapia de reposição hormonal é reconhecidamente muito eficaz no alívio desses sintomas. No entanto, a especialista ressalta que a prescrição, como a dose, a duração e a via de administração, devem ser sempre individualizadas, respeitando as contraindicações, os riscos e os benefícios de cada mulher.

Segundo a médica, os famosos fogachos são o principal fator de indicação da reposição hormonal, sendo o tratamento mais efetivo para esses sintomas. Eles afetam cerca de 60 a 80 % das mulheres na perimenopausa e em 20% delas podem persistir por décadas.

“Atualmente, a terapia de reposição hormonal costuma ser feita por meio do uso de hormônios muito semelhantes aos que produzimos naturalmente, o estradiol e a progesterona micronizada”, destaca a Dra. Angela.

Quanto ao temido aumento de risco de câncer de mama com a terapia de reposição hormonal, essa associação continua controversa na literatura médica. Ela pontua que o uso combinado de estrogênio e progesterona aumentam a densidade mamária em 3 a 5%, aumento significativamente maior do que com placebo ou estrogênio isolado. O uso isolado de estrogênio não aumentou o risco de desenvolvimento de câncer de mama e o uso de progesterona não sintética, a progesterona natural micronizada, tem se mostrado igualmente segura nos estudos atuais.

“Sabemos também que quando a terapia de reposição hormonal é usada na janela de oportunidade ideal, sendo essa dentro de 10 anos do início da menopausa e idealmente antes dos 60 anos, a terapia hormonal chega a reduzir cerca de 40% da mortalidade dessas mulheres, além de trazer um grande alívio de sintomas”, complementa a especialista.

Em caso de dúvidas em relação à menopausa e o tratamento, é prudente que as mulheres consultem com ginecologistas e endocrinologistas sérios, para que não sejam aplicadas más práticas de reposição hormonal e para que os benefícios sempre sejam maiores que os riscos do tratamento.

Sobre a especialista

A Dra. Angela Beuren (CRM 22889 / RQE 13603) é endocrinologista, formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Medicina Interna pelo Hospital Universitário de Santa Maria e Médica Endocrinologista pelo IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione) do Rio de Janeiro. Atende na Rua Guilherme Weege, Numero 202, Sala 407, Edifício Accord Center – em cima do Laboratório Fleming. Os contatos são (47) 3054 0514, 99222 3314 ou angela.beuren@gmail.com.