A obesidade é uma doença metabólica crônica, que aumenta a probabilidade de inúmeros problemas de saúde, como doenças cardiovasculares, diabetes mellitus, síndrome de apneia do sono, depressão, doenças articulares, entre tantos outros. Tratar a obesidade é uma oportunidade de melhorar a saúde como um todo e deve receber abordagem multidisciplinar, com associação de uma dieta apropriada, atividade física e, por vezes, auxílio medicamentoso.

A endocrinologista Dra. Angela Beuren afirma que muitas pessoas recebem com preconceito a possibilidade do tratamento medicamentoso, talvez pelo uso indiscriminado de moduladores de apetite previamente utilizados e pelo uso inadequado por conta própria ou em fórmulas milagrosas e sem a orientação de profissionais da área da saúde, o que deve ser contraindicado e desestimulado.

"Entretanto, em casos selecionados, o auxílio medicamentoso ajuda na adesão a um plano alimentar e de mudanças de estilo de vida, proporcionando um resultado maior e mais duradouro e levando a uma perda ponderal que efetivamente reduza os riscos das doenças associadas à obesidade", pontua a médica.

Segundo ela, quando são escolhidas as medicações para o tratamento da obesidade, elas são selecionados conforme o perfil de cada paciente. Sabendo dos efeitos colaterais de cada classe medicamentosa, devem ser selecionados caso a caso, para que os benefícios aos pacientes sejam sempre maiores que os riscos do tratamento.

Com as medicações atualmente em uso e aprovadas para obesidade, o receio do efeito rebote do peso após a interrupção do tratamento também não se confirmou por estudos. O que ocorre é uma tendência de retorno ao peso inicial, caso o tratamento seja interrompido de forma inadequada, e por isso, a obesidade deve ser vista como uma doença crônica.

Ela ainda ressalta que nem sempre é preciso manter o tratamento medicamentoso a vida toda, mas as vezes é preciso modificá-lo, aumentar a atividade física, fazer vigilância de peso e modificações dietéticas, para manter a perda ponderal alcançada. "O exercício físico regular comprovadamente é o comportamento mais associado à manutenção de peso perdido a longo prazo. Poderíamos dizer que se emagrece sem atividade física, mas sem se exercitar dificilmente mantemos a perda a longo prazo", complementa Dra. Angela.

Medicamentos

De acordo com a especialista, atualmente existem algumas medicações aprovadas em bula para tratamento de obesidade no Brasil, entre elas a liraglutida, a sibutramina e o orlistate. Além disso, usa-se algumas medicações off label para o tratamento que ajudam no controle alimentar. Recentemente, as medicações mais promissoras tem sido os novos análogos de GLP1, entre eles a semaglutida.

No ano de 2021, foram publicados estudos com o uso de semaglutida para o tratamento de obesidade, com doses de até 2.4 mg por semana, os quais evidenciaram que 30% dos pacientes perderam mais de 20% do seu peso, eficácia comparável aos procedimentos de cirurgia bariátrica.

A médica pondera que ainda existem medicações em estudo que são análogos de mais de um hormônio intestinal, com resultados ainda mais potentes e promissores. Assim, há novas perspectivas para o tratamento da obesidade, com muito menos efeitos colaterais se comparadas às medicações antigas em uso e com muito mais benefícios metabólicos. Para ela, isso mostra o quanto a ciência tem sido promissora em vários campos da medicina, gerando esperança de tratamentos que auxiliem nesse desafio contra a obesidade.

"Para mantermos o peso perdido a longo prazo, temos que entender que o tratamento de manutenção da obesidade se faz necessário. A obesidade não tem cura, tem controle. Caso não haja esforços contínuos para manter a perda de peso, o problema do excesso de peso tende a recorrer. Sob esse ponto de vista, o mais importante emagrecer é conseguir manter. Procurar o endocrinologista auxiliará nesse processo", finaliza Dra. Angela.

Sobre a especialista

A Dra. Angela Beuren (CRM 22889 / RQE 13603) é endocrinologista, formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Medicina Interna pelo Hospital Universitário de Santa Maria e Médica Endocrinologista pelo IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione) do Rio de Janeiro. Atende na Rua Guilherme Weege, Numero 202, Sala 407, Edifício Accord Center – em cima do Laboratório Fleming. Os contatos são (47) 3054 0514, 99222 3314 ou [email protected].