Ao nascer, a mulher já apresenta em seus ovários os folículos que, no decorrer da vida, vão diminuindo em quantidade e qualidade até acabarem.

De acordo com a endocrinologista, Dra. Angela Beuren, estes folículos produzem os óvulos que, quando fecundados, formam o bebê no útero. Quando eles acabam, não há mais produção hormonal e ovulação e, assim, cessa a menstruação, ocorrendo a menopausa.

O corpo da mulher começa a se preparar para a menopausa por volta dos 50 anos e o diagnóstico é feito só depois de um ano da última menstruação.

"Todo o período que envolve as menstruações irregulares chama-se climatério. Em geral, a idade das mulheres brasileiras que entram na menopausa é de 51 anos – variando entre 45 a 55 anos. Abaixo dos 40 anos a menopausa é considerada precoce", explica Angela.

O climatério é um período de grandes modificações hormonais na mulher e pode ser acompanhado de sintomas como: ondas de calor (fogachos), insônia, depressão, variação de humor, falta de memória, ressecamento vaginal, ganho de peso e diminuição da libido, entre outros.

Segundo a endocrinologista, com o tempo, a mulher também começa a perder, com maior rapidez, o cálcio dos ossos, além de se tornar mais sujeita a doenças do coração e doenças degenerativas do sistema nervoso, como o Alzheimer por exemplo.

Ela ainda reforça que, antigamente não havia grande preocupação com essa fase da vida da mulher. Hoje, com o aumento da longevidade, as mulheres podem viver muitos anos após a menopausa.

“Assim, para combater a sintomatologia e melhorar a qualidade de vida, a ciência começou a produzir substâncias que imitavam a ação dos hormônios que as mulheres deixam de produzir e passaram a administra-las após a menopausa”, ressalta.

Até uns vinte anos atrás, estas substâncias eram parecidas com os hormônios ovarianos, mas não iguais. Hoje em dia já existem estrogênios e progesteronas iguais aos naturais.

Como é feito o tratamento

A menopausa é tratada com a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), que é a administração de um hormônio que o organismo deixou de produzir. A TRH não é recomendada para mulheres em situação de risco para câncer de mama, trombose ou doença cardíaca, além de outras, por isso deve haver uma indicação criteriosa do profissional que o acompanha.

Angela explica que, se a mulher tem útero, a TRH deve ser feita com estrogênio e progesterona. Se não tem, basta o estrogênio, que existe em forma de comprimidos, adesivos, gel e implante.

A via oral pode ser a preferida, principalmente na presença de colesterol alto, mas está contraindicada em casos de hipertensão arterial, aumento de triglicerídeos e doenças da vesícula biliar. “Devemos lembrar que ela aumenta o risco para trombose”, reforça.

Deve-se usar hormônios que sejam exatamente iguais aos produzidos pelo organismo. “Na reposição bem feita, a mulher não incha, não engorda e se protege da falta de hormônios a longo prazo, como a osteoporose.”

O Departamento de Endocrinologia Feminina e Andrologia da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia adota as seguintes indicações sobre a reposição hormonal:

  • Alívio dos sintomas da menopausa;
  • Conservação do trofismo vaginal;
  • Preservação do osso e da pele;
  • Melhora do bem-estar geral;
  • Melhora da sexualidade.

Angela salienta que, logo após o início da TRH, a paciente deve retornar em mais ou menos dois meses para ajuste das doses dos hormônios. Depois disso, deve ser reavaliada a cada seis meses e, no mínimo, anualmente.

Antes e durante a terapia, devem ser pedidos exames como mamografia, ultrassonografia de mamas, ultrassonografia transvaginal, exames de sangue e densitometria óssea, para acompanhar as possíveis complicações e benefícios da reposição hormonal.

“O tratamento medicamentoso depende muito dos sintomas que a paciente relata, porém ele pode ser feito também com antidepressivos, fitoterápicos e cremes vaginais, tanto hormonais quanto lubrificantes, que diminuem o ressecamento local”, pontua.

Dicas para ter qualidade de vida na menopausa:

  • Pratique atividades físicas, principalmente exercícios aeróbicos e de fortalecimento da musculatura;
  • Converse com o seu médico sobre o consumo diário de cálcio;
  • Exercite seu cérebro em jogos de raciocínio e palavras cruzadas, isso ajuda a reduzir o risco de perda de memória;
  • Aprenda a ter bons hábitos de sono;
  • Discuta com o seu endocrinologista ou ginecologista sobre reposição hormonal, assunto de extrema importância para discutir com o médico.

Sobre a especialista

A Dra. Ângela Beuren (CRM 22889 e RQE 13603) é formada em medicina pela Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Possui Residência em Clínica Médica do Hospital Universitário de Santa Maria (HUSM), e em Endocrinologia e Metabologia pelo serviço do Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione (IEDE).