Se gestar já é um verbo recheado de expectativas e incertezas, quem dirá numa situação de pandemia. O coronavírus chegou mudando a realidade e adicionando mais preocupações – que já não eram poucas! - à rotina de quem espera um bebê.

O Ministério da Saúde incluiu, em 9 de abril, as gestantes e puérperas (período popularmente chamado de resguardo) entre o grupo de risco da Covid-19 devido à imunidade mais baixa característica do período.

Porém, de acordo com a ginecologista e obstetra, Dra. Thaís Lebtag, as evidências até agora mostram que mulheres grávidas sem problemas de saúde não têm mais probabilidade de ter complicações da Covid-19 do que mulheres não grávidas da mesma idade.

“Esse vírus é novo e ainda estamos aprendendo sobre ele. Sabemos do medo de sair de casa, e o indicado para todos continua sendo o distanciamento social ao máximo para ajudar a reduzir a curva de contágio. Mas com uma ressalva: grávidas devem continuar indo aos exames de rotina, seja ela atendida no sistema público de saúde ou nos consultórios particulares”, pontua.

A única ressalva neste momento é que, apesar de garantido por lei, a presença do acompanhante nos exames pode ser revista pela paciente e sua família. A ideia é que haja menos circulação de pessoas pelas clínicas, laboratórios e postos.

O acompanhamento do nascimento pelo pai (ou a pessoa escolhida pela gestante) na maternidade é previsto por lei, devendo a pessoa estar assintomática, com idade entre 18 e 59 anos e que não tenha tido contato domiciliar com pessoas com síndrome gripal ou infecção respiratória confirmada.

A especialista afirma que, por enquanto em Jaraguá do Sul ainda não está liberado fotógrafos, doulas ou visitas durante o período de internamento.

Outro ponto importante a ser levado em consideração são as imprevisibilidades que podem surgir durante a gestação. Ela explica que, é compreensível que a paciente pode até estar com receio de procurar um hospital por ser foco de contágio do novo coronavírus.

Mas se apresentar alguns dos sintomas como: sangramento vaginal, perda de líquido, desconforto pélvico, dores que não passam com hidratação e repouso ou quando a paciente nota que o bebê não se mexe na barriga, o ideal ainda é recorrer ao pronto atendimento.

Foto: Piero Raggazi

Em tempos mais calmos, uma gravidez costuma ser celebrada com festa e mimos. Chá de bebês, chá revelação e até o parto pode ser acompanhado pela família e amigos. Mas não é o que as grávidas de 2020 estão podendo fazer.

]“A possibilidade de se infectar durante a gestação se tornou mais um medo para a já extensa lista das gestantes, onde a preocupação é dupla: agora além da saúde da mãe, tem a do bebê”, ressalta.

As medidas de segurança já estão todas sabidas depois de tantas semanas de quarentena. Lavar as mãos, usar máscaras, recorrer ao álcool gel quando não é possível lavar com água e sabão, evitar tocar em mucosas, tirar sapatos e roupas ao voltar da rua, tomar banhos quando frequentar lugares públicos e se manter distante de pessoas doentes.

A Dra. Thaís destaca que o ideal agora é que a gestante se cuide, pratique meditação, mantenha atividades físicas, aulas online, caminhando seguindo o distanciamento social e mantenha contato com sua rede de apoio familiar.

É preciso também cuidar da alimentação e diminuir este estresse do momento. Se a mãe está ansiosa, ela come mal, dorme mal e acaba com predisposição para diabetes, aumenta o risco de pressão alta e de ganho de peso exagerado.

“As aflições e dificuldades, como podemos perceber, não são poucas. O período é nebuloso, exige atenção e cuidados extras. Mas com perseverança, informação e seguindo as indicações dos médicos, dá para enfrentar até o fim. A única certeza é que estes bebês que chegarão no meio do caos são um sopro de esperança de que vai passar. A vida vai continuar”, finaliza.

Onde encontrar

A Dra. Thaís Straliotto Lebtag (CRM/SC 14849 e RQE 12.383) atende no Hospital e Maternidade Jaraguá, na rua dos Motoristas, 120. E também na Policlínica Rio Branco, na rua Barão do Rio Branco, 207, 1º andar, sala 05. Contato pelo (47) 3275-1063.