A síndrome dos ovários policísticos (SOP ou PCOS, sigla em inglês) acomete um grande número de mulheres em idade reprodutiva. A literatura mostra que 18% dessas mulheres ou uma em cada 15 possui SOP, sendo considerada uma das doenças endócrinas mais comuns.

De acordo com a endocrinologista, Dra. Angela Beuren, a síndrome caracteriza-se pela produção aumentada de hormônios “masculinos”, os androgênios, pelos ovários.

Atualmente o diagnóstico se baseia nos critérios de Rotterdam, estabelecidos em 2004, em que a paciente necessita preencher pelo menos dois dos seguintes critérios: presença clínica e/ou laboratorial de excesso de androgênios, irregularidade menstrual/anovulação e aparência policística do ovário ou aumento de seu volume ao exame de ultrassom.

Além de preencher tais critérios, algumas doenças devem ser excluídas pelo especialista para determinar o diagnóstico de SOP.

Ela explica que os androgênios são hormônios sexuais presentes tanto nos homens quanto nas mulheres e são produzidos principalmente pelas glândulas adrenais e gônadas, que são os ovários nas mulheres e os testículos nos homens.

Quando a produção destes hormônios está em nível acima do normal no sexo feminino pode levar a características “masculinas”, como excesso de pelos, acne e até mesmo alopecia (calvície).

"O espectro da SOP é extremamente amplo, havendo desde mulheres sem estas características físicas de excesso de androgênios e que ovulam eventualmente, até casos mais severos, com acne intensa e aumento de pelos corporais em locais tipicamente masculinos, como buço e queixo, bem como infertilidade", destaca.

Apesar das alterações físicas, da irregularidade menstrual ou da dificuldade para engravidar ser, em muitos casos, o motivo de procurar um especialista, a SOP envolve muitas outras condições.

Foto Matheus Wittkowski

As mulheres acometidas apresentam uma prevalência muito maior de obesidade, resistência insulínica, colesterol elevado e hipertensão arterial, o que leva ao aumento de risco para doenças cardiovasculares a longo prazo e diabetes. Além disso, SOP está associada com um maior risco para o desenvolvimento de câncer de endométrio (tumor localizado na parte interna do útero).

Cerca de 75% das mulheres com a síndrome estão acima do peso. Além de elevar os riscos cardiovasculares, o excesso de peso piora também a própria evolução da SOP, dificultando a sua melhora clínica.

A elevação de insulina no sangue, um importantíssimo fator de risco para o desenvolvimento de diabetes mellitus tipo 2, está presente em 80% destas pacientes obesas, mas acomete também até 40% das pacientes de peso normal.

Tratamento

A primeira linha de tratamento deve sempre incluir mudanças de hábitos de vida, com alimentação saudável e prática de atividade física regular, independente do excesso de peso, e emagrecimento quando indicado.

Segundo a especialista, isso melhora a resistência insulínica, a fertilidade e a ovulação, leva a queda dos níveis de androgênios e dos níveis de colesterol, risco de diabetes e doenças ateroscleróticas.

Além das mudanças comportamentais, é avaliada a necessidade e a indicação de tratamento medicamentoso.

"Dentre as opções medicamentosas os anticoncepcionais orais com efeito antiandrogênico têm sido muito utilizados, são seguros e eficazes. Além disso pode ser necessário medicações que reduzam a resistência insulínica, medicamentos para reverter a infertilidade, quando presente, e também para melhora cosmética da pele, relacionados com a acne e o excesso de pelos", ressalta.

A SOP manifesta-se de formas diferentes nas mulheres e por este motivo o tratamento deve ser individualizado. Até o momento, não há cura para a SOP, entretanto é possível o controle dos sintomas e também a prevenção dos problemas associados. Em caso de suspeita, é válido procurar um endocrinologista.

*Texto com base na SBEM (Sociedade Brasileira de Endodocrinologia e Metabologia) e Diretrizes Brasileiras de SOP.

Sobre a especialista

A Dra. Angela Beuren (CRM 22889 / RQE 13603) é endocrinologista, formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Medicina Interna pelo Hospital Universitário de Santa Maria e Médica Endocrinologista pelo IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione) do Rio de Janeiro. Atende na Rua Guilherme Weege, Numero 202, Sala 407, Edifício Accord Center – em cima do Laboratório Fleming. Os contatos são (47) 3054 0514, 9 9241 3314 ou angela.beuren@gmail.com.