Efeitos do estresse crônico na saúde física e mental

Por: Elissandro Sutil

24/06/2021 - 07:06 - Atualizada em: 24/06/2021 - 08:03

O estresse é uma reação natural do organismo que ocorre quando vivenciamos situações de perigo ou ameaça. Esse mecanismo nos coloca em estado de alerta, provocando alterações físicas e emocionais. Quando nos sentimos em perigo real ou imaginário, o nosso organismo reage rapidamente, num processo automático conhecido como reação de “luta ou fuga” ou de “congelamento”.

A nutróloga, Dra. Cristiane Molon pontua que, inicialmente e em pequenas doses, o estresse pode ser positivo, ajudando-nos a trabalhar sob pressão e nos motivando a fazer o nosso melhor. No entanto, quando crônico e mal gerenciado, pode trazer prejuízos tanto para a saúde física como mental, com alterações no humor, na produtividade, nos relacionamentos e na qualidade de vida.

Como identificar?

A médica destaca que uma pessoa cronicamente estressada passa a envelhecer de forma acelerada, fazendo com que o organismo esgote precocemente as reservas de vitaminas, minerais e hormônios, piorando a qualidade de vida.

As tensões emocionais constantes desencadeiam a liberação de altos níveis de adrenalina e cortisol, desequilibrando o organismo, provocando reações que englobam aumento da pressão arterial, cansaço frequente, insônia, oscilação do humor, aumento do peso, resfriados frequentes, compulsão alimentar, tensão muscular, ansiedade, dores no corpo, cefaleia, tontura, irregularidade menstrual, baixa libido, fadiga, vontade de comer carboidratos, irritabilidade, impaciência, intestino solto, dores musculares, insônia, alergias de pele, podendo, inclusive, chegar a um ataque cardíaco fulminante.

“A associação destes fatores com dieta desbalanceada, sedentarismo, tabagismo, uso excessivo de álcool e frustrações, resulta em uma espécie de “bomba relógio” para o corpo, nos tornando vulneráveis às doenças”, complementa.

Prevenção!

A Dra. Cristiane pontua alguns hábitos podem minimizar os efeitos deletérios do estresse:

  • Pratique exercício físico regularmente – ajuda a liberar neurotransmissores como endorfinas, serotonina e dopamina, relacionadas ao bem-estar e a motivação;
  • Cultive uma alimentação balanceada – aumente o consumo de frutas, verduras, vegetais e carboidratos complexos (como aipim, batata-doce, inhame), inclua nozes, azeite de oliva, abacate e coco nas suas refeições. Prefira peixe e ovos, estes alimentos auxiliam no combate ao estresse devido ao poder antioxidante e anti-inflamatório;
  • Invista no seu sono – durante o sono são liberadas substâncias necessárias para a regeneração das células e a regulação dos hormônios. Uma boa noite de sono é essencial para manter a saúde do corpo e da mente, quem não dorme bem, vive estressado e irritado;
  • Pratique a respiração consciente – é uma estratégia para controlar a ansiedade e o estresse. Experimente inalar pelas narinas contando até 5, retenha o ar em 2 segundos e solte lentamente pelas narinas contando até 10 (repita o ciclo 8 vezes), o ato de respirar acalma a agitação mental;
  • Faça mais o que gosta: tenha hobbies, leia um bom livro, esteja mais próximo da natureza, permita-se pequenas pausas, dance, escute uma boa música, compartilhe os seus desafios, delegue e peça ajuda;
  • Medite: essa prática reduz os níveis de cortisol, proporcionando mais clareza mental e resiliência ao estresse.

Como a nutrologia pode ajudar?

Segundo a especialista, é comum as pessoas relatarem que não estão estressadas, pois estão adaptadas ao estresse. É a partir da história clínica e dos exames laboratoriais que o diagnóstico é realizado e definido o tratamento personalizado, até porque cada pessoa é única e as causas do estresse são particulares.

“Identificar os fatores estressantes é o primeiro passo, pois só a partir desta consciência que mudanças no estilo de vida podem ser implementadas.
O gerenciamento positivo do estresse deve ser um estilo de vida”, finaliza a nutróloga.

Sobre a especialista

A Dra. Cristiane Molon (CRM-SC 11384 | RQE 10352) é nutróloga formada em medicina pela UFSC e pós graduada em prática ortomolecular e modulação hormonal, saúde da família, medicina estética e estudante de saúde quântica, programação neurolinguística e hipnose.