As doenças mais comuns no verão são principalmente as doenças inflamatórias e infecciosas dos tecidos e órgão expostos ao ambiente, pois as altas temperaturas favorecem o desenvolvimento de fungos, bactérias e vírus na água e em lugares fechados, quentes e úmidos.

De acordo com o oftalmologista, Dr. Marcos Henrique Martins, no caso das doenças oculares mais comuns são as inflamações que causam o “olho vermelho”, dentre elas as ceratites, alergias, conjuntivites e o pterígio. Outras alterações que podem apresentar problemas oculares são os riscos associados ao excesso de incidência de raios ultravioletas.

O calor excessivo, o vento, a poeira, a areia e a radiação ultravioleta, podem causar ressecamento ou dano direto às células que recobrem a córnea, causando sensação de areia nos olhos e irritação. Essa situação é conhecida como ceratite.

Também é comum a inflamação dos olhos que apresentam irregularidades na superfície, como é o caso do pterígio. Uma membrana que cresce sobre a córnea e se o olho não estiver adequadamente lubrificado e protegido pode apresentar irritação.

“Durante o verão as pessoas ficam expostas à alérgenos próprios da estação e a alergia pode se manifestar em quem tem predisposição. Pólen de plantas e pelos de animais são os causadores mais comuns dessas alergias oculares”, explica o especialista.

Segundo ele, a conjuntivite é um termo genérico para as inflamações que acometem a conjuntiva. A presença de olho vermelho com lacrimejamento, ardência e secreção são as características da conjuntivite infecciosa.

Existe também a conjuntivite tóxica, quando um produto irritante entra em contato com os olhos, causando sintomas semelhantes ao da infecciosa, mas normalmente com menos secreção.

Como evitar ou tratar

O tratamento vai depender da origem da patologia, mas o oftalmologista alerta que, evitar contato com substâncias irritantes, não esfregar os olhos, lavar as mãos e evitar contatos próximos com pessoas com conjuntivite são os pilares para prevenção.

É importante cuidar do ambiente, permitindo boa circulação de ar, limpar os tapetes e cortinas, arejar os cantos e lugares fechados da casa para que a umidade e calor não fiquem retidos. O contato próximo a outras pessoas contaminadas predispões à disseminação da conjuntivite infecciosa.

Normalmente é uma patologia autolimitada e tende a melhorar entre sete e 15 dias. O tratamento é feito com colírios antibióticos e anti-inflamatórios prescrito pelo médico.

“É importante que a pessoa que esteja apresentando conjuntivite infecciosa separe os utensílios de uso pessoal e evite contato próximo com outras pessoas. Já na conjuntivite tóxica é necessário o uso de colírios anti-inflamatórios e lubrificação da superfície ocular”, pontua Dr. Marcos.

As ceratites talvez sejam a forma mais comuns de olho vermelho durante o verão. Para evitá-las é necessário respeitar os cuidados básicos de higiene e exposição a fatores irritantes oculares como vento, poeira e sol. O tratamento depende da intensidade dos sintomas e muitas vezes são necessários colírios lubrificantes e compressas geladas.

Prevenção

O uso de óculos escuros é recomendado no verão devido a intensidade luminosa e incidência dos raios ultravioletas UVA e UVB. Evita a exposição prevenindo a ceratite e à longo prazo ajuda na prevenção de catarata e a degeneração da retina relacionada à idade.

O calor excessivo e o sol podem ativar a reatividade exagerada de moléculas como acontece nas fitofotodermatites associados ao sumo de frutas cítricas, como na queimadura da pele pelo suco de limão.

“Manter as mãos sempre limpas e cuidados ao passar produtos perto da área dos olhos. Filtros solares próprios para a face são os mais indicados nesse sentido. Identificar sempre que o produto que está utilizando esteja dentro do prazo de validade, pois produtos vencidos podem causar irritações nos olhos”, destaca.

O uso de lentes de contato para as atividades físicas deve ser seguida de adequada desinfecção das lentes, pois o calor promove proliferação acelerada de bactérias e outros microrganismos. Nessa situação, o olho pode estar em risco de desenvolver uma úlcera corneana, que é uma infecção grave do olho e que exige rápida intervenção pelo oftalmologista.

Cuidado com automedicação!

A ciência médica e o conhecimento da biologia associado ao acesso melhorado da população ao atendimento médico especializado não justifica a automedicação. Os problemas corriqueiros de cada estação podem ser mais celeremente resolvidos com a identificação correta do problema e o uso de fármacos com ação segura e rápida.

Patologias sérias com riscos para saúde dos olhos podem muitas vezes enganar e começarem simulando uma irritação simples, por isso, aconselhamos sempre procurar a atenção médica especializada com o oftalmologista. Nesse verão estamos enfrentando a pandemia do coronavírus e a atenção aos cuidados de prevenção devem ser observados.

 

Sobre o especialista

O Dr. Marcos Henrique S. Martins (CRM 19639 e RQE 11168) atende no Centro Oftalmológico Jaraguá do Sul - Unidade Sadalla Amin Ghanem. É Oftalmologista Retinólogo formado pela Universidade Federal de Juiz de Fora, com residência médica em Oftalmologia (2008) e Fellowship em Retina e Vitreo (2010), ambos pela Universidade Federal de Minas Gerais - UFMG. Também é membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia, da Sociedade Brasileira de Retina e Vitreo e certificado pelo International Council Ophthalmology.