Você sabia que uma alteração intestinal que gera o aumento da frequência de evacuação e diminuição da consistência das fezes, por um período prolongado, pode ser considerado diarreia crônica?

De acordo com o proctologista Dr. Guilherme Canfield, a diarreia crônica é considerada relativamente comum, e ocorre com três a cinco por cento da população adulta. Já em crianças, a prevalência mundial varia de três a 20%.

"Apesar do aumento do número de evacuações (mais de três ao dia) ser considerada parte da definição, a maioria dos pacientes não consideram que têm diarreia se não apresentam alteração da consistência das fezes, tendo em vista que, no ponto de vista prático, esta alteração é o que a caracteriza", explica Canfield.

As diarreias podem ser divididas em agudas, que duram até duas semanas, e crônicas, quando acontece por mais de três a quatro semanas.

Como é feito o diagnóstico

Quanto ao diagnóstico, o proctologista explica que deve ser feito com uma avaliação clínica, em que o médico irá analisar os sintomas apresentados e solicitar exames como análise das fezes, colonoscopia e exames de sangue, por exemplo.

"Alguns pontos essenciais são avaliados para o diagnóstico como analisar se a diarreia é a queixa principal ou se é parte de outras manifestações mais significativas, além da duração dos sintomas citados pelo paciente", ressalta e complementa que a diarreia pode acontecer como repercussão de alguma outras doenças sistêmica.

Foto: Matheus Wittkowski / OPC News

Doenças que podem cursar com a diarreia seriam o hipertireoidismo, diabetes melito, doenças do colágeno, doenças inflamatórias, neoplásicas, imunodeficiências e, sobretudo, infecções por HIV, que apresentam associação importante com diarreia crônica, por exemplo.

As causas da diarreia crônica variam bastante, daí a importância do protocolo correto e abrangente de exames para realizar o diagnóstico. Podem variar desde verminoses, doenças inflamatórias intestinais, câncer de intestino, síndrome do intestino irritável até alterações funcionais do intestino, provocadas pelo estresse.

Tratamento direcionado para cada caso

Já sobre o tratamento, ele pontua que, após a interpretação dos dados da anamnese e exames, é feito um direcionamento para cada paciente. Inicialmente, podem ser indicadas formas de prevenir a desidratação ou desnutrição, com orientações de como aumentar o consumo de líquidos e a alimentação diária e em paralelo, estabelecido o melhor tratamento para a resolução da diarreia propriamente dita.

"Com base na causa da diarreia, podem ser incluídos o uso de remédios antibióticos ou vermífugos para tratar infecções ou verminoses, a remoção de medicamentos que podem ter efeito laxativo, a implementação de um tratamento para doenças inflamatórias intestinais, o uso de algum antidepressivo ou ansiolítico para diminuir o 'estresse', etc", finaliza.

Sobre o especialista

Dr. Guilherme Canfield é formado em medicina pela Universidade Positivo. Possui residência médica em cirurgia geral e coloproctologia pelo Hospital Universitário Evangélico de Curitiba. Professor de Anatomia da Faculdade de Medicina Estácio de Sá, em Jaraguá do Sul. Atua na CliniCanfield como coloproctologista, cirurgião geral e realiza exames de colonoscopia.

CRM 18116 - RQE PROCTOLOGISTA 11597 - RQE CIRURGIÃO GERAL 9990.