Velhos hábitos em um mundo em constante transformação geram atritos e grandes perdas nos negócios em geral. Acompanhar as mudanças e entender seus impactos com antecedência possibilita uma tomada de decisão mais assertiva a qualquer empreendedor.

As mudanças ocorrem de forma orgânica, ou seja, com a própria evolução dos meios e das novas gerações de consumidores, ou de forma súbita, sem aviso prévio, sem planejamento. Em ambos os casos, estar atento e ter velocidade na tomada de decisão não é uma opção, é uma questão de sobrevivência nos negócios de qualquer natureza.

A nova geração de consumidores está mais atenta aos detalhes, as transformações, ao novo. Esta geração é muito mais exigente, quer seja para comprar um lanche com proteínas naturais, quer seja para adquirir um imóvel ou mesmo locar.

Algumas destas exigências já são bem conhecidas pelo mercado imobiliário, tais como obras sustentáveis com materiais que estejam em concordância com as normas ESG (sigla em inglês para – Meio ambiente, Social e Governança).

A busca pela integração e respeito ao meio ambiente é a nova norma. Também se avalia as questões de processos para o uso inteligente dos recursos materiais bem como o respeito e a qualidade de vida dos profissionais envolvidos na obra.

Interessantemente, algumas pesquisas sugerem que o conceito de sustentabilidade muda de acordo com o país ou região levando em consideração a escassez ou abundância de recursos naturais e materiais bem como questões culturais.

O uso da energia solar tem sido um importante requisito nos projetos arquitetônicos, a evolução destas tecnologias vem tornando a aquisição dos painéis mais acessíveis além de agregar valor ao imóvel.

A nova geração preza muito mais por espaços distribuídos de maneira inteligente do que por grandes espaços. A praticidade e mobilidade são premissas básicas entre os novos consumidores. Entendê-los para atendê-los é essencial ao setor imobiliário.

A presença da digitalização é outro fator importantíssimo, os novos consumidores exigem espaços tecnologicamente interativos ou smart. A integração entre smartphones, eletrodomésticos e o ambiente como um todo já não é mais visto como uma novidade e sim como obrigatoriedade. É importante observar que estes consumidores estão dispostos a pagar mais para ter suas exigências atendidas.

Os espaços serão cada vez mais compartilhados entre as pessoas, portanto, o setor de construção deve levar em consideração dados sobre as mudanças comportamentais que irão impactar em seus novos empreendimentos.

Estar em uma excelente localização quer seja em um grande centro quer seja em condomínios fechados, já não é mais um diferencial. Oferecer exatamente aquilo que os novos consumidores buscam será o grande agregador de valor aos novos projetos.

Mobilidade, praticidade, conectividade, compartilhamento de ambientes como academias, lavanderias, bicicletários, coworking, espaços para retirada de compras realizadas online são alguns dos atributos que passarão a valorizar o imóvel. A palavra de ordem é oferecer conveniência aos próximos exigentes residentes.

Neste contexto a mudança comportamental adiciona ainda detalhes com os cuidados para manutenção, higiene e saúde. Materiais para limpeza devem estar em concordância com os novos padrões estabelecidos para a correta preservação dos imóveis e proteção à saúde. Mop, rodos, refis de fibras entre outros materiais para limpeza substituem as nossas queridas vassouras e panos de malha amplamente usados pelas gerações anteriores.

Entender o comportamento de cada geração é muito pertinente para entender o comportamento da próxima geração e, portanto, atender com assertividade e valor agregado aos imóveis. As novas gerações são influenciadas pelo ambiente social, econômico, tecnológico, cultural e político. Os valores das gerações anteriores serão naturalmente, rejeitados, resgatados ou ressignificados.

Um estudo da Deloitte sobre o comportamento do consumidor de imóveis define as gerações da seguinte forma:

  • Baby Boomers (1945 e 1960) – geração nascida no pós guerra. Cresceu idealista, e valoriza a paz e a estabilidade. A carreira profissional está acima de tudo. Adaptam-se a qualquer organização para conquistar a estabilidade.
  • Geração X (1961 e 1981) – nasce em um contexto no qual prevalecia o espírito meritocrático. Dá valor ao consumo e ao status. No Brasil, os que cresceram durante os anos 1970 vivenciaram a derrocada da ditadura militar seguida por um cenário de superinflação, confisco da poupança e alta taxa de desemprego.
  • Millenials (1983 e 1994) – surge no contexto do mundo globalizado. Testemunhou a popularização da internet e valoriza a diversidade de contextos e culturas. Vivenciaram a estabilidade econômica – o que os permitiu ter oportunidades e experiências que seus pais não tiveram. São multitarefa e dão valor à experiência e ao personalizado.
  • Geração Z (a partir de 1995) – não nota diferença entre online e off-line e trafega pelos canais sem perceber. Valoriza a transparência e a pluralidade estética, moral e de comportamentos. Estão ressignificando tradições, como a religião e o casamento, mas querem exercê-las com liberdade. A segurança dá lugar ao dinamismo.
  • Geração Alpha (a partir de 2010) – são digitais mesmo antes de saberem falar. Como são muito novos, há poucos artigos de futurologistas e psicólogos sobre esta geração. Esses indivíduos irão interagir com diversos estímulos ao mesmo tempo, mas saberão equilibrar a ansiedade da vida online e disruptiva melhor do que as gerações anteriores.

Fique atento em nosso próximo artigo abordaremos sobre a influência da geração Z na tomada de decisão para compra ou locação de um imóvel, como deverá ser a comunicação para este público, seus sonhos de consumo, o que mudará entre o consumo de hoje e o de amanhã e muito mais sobre o comportamento do consumidor brasileiro voltado ao setor imobiliário.

Texto por Desc Imóveis.