Estima-se que a prevalência de baixa estatura seja entre 3 a 5% na população pediátrica e é uma das principais razões para encaminhamento de uma criança ao endocrinologista.

O crescimento depende do sistema neuroendócrino, além de fatores genéticos, nutricionais e ambientais que se combinam para determinar a altura final. Do ponto de vista endócrino, o hormônio do crescimento, o GH, é liberado na hipófise. Em seguida, o fator de crescimento semelhante à insulina-1 (IGF-1) é produzido no fígado, sendo o principal responsável pelo crescimento.

De acordo com a endocrinologista, Dra. Angela Beuren, o crescimento pode ser dividido em quatro estágios, os quais têm características e velocidades diferentes: o intrauterino, a lactância, a infância e a adolescência.

O crescimento intrauterino é o período em que há a maior velocidade de crescimento. Após o nascimento, começa a fase de desaceleração, seguida por uma fase de crescimento prolongado e constante durante a infância. Posteriormente, ocorre o estirão puberal e, ao término do estirão, há um crescimento residual final.

"O crescimento normal é, em média, de 25 cm no primeiro ano de vida, 12 cm no segundo e 8 cm no terceiro ano. Na infância, entre 3 e 12 anos de idade, ou até o início da puberdade, o crescimento estatural é de cerca de 5 a 6 cm por ano", explica a especialista.

A puberdade é um período de crescimento rápido. Nas meninas, o início do estirão ocorre logo no começo dessa fase, coincidindo com o aparecimento do broto mamário. Nos meninos, o estirão é mais tardio, tem início nas fases mais avançadas do desenvolvimento puberal, sendo o pico na velocidade de crescimento atingido em média aos 14 anos de idade. Nas meninas, esse pico é alcançado 2 anos mais cedo em relação aos meninos.

Estirão puberal

O estirão puberal dura cerca de 2 anos, com velocidade de crescimento variável, em média de 8 cm/ano nas meninas e 10 cm/ano nos meninos.

No sexo feminino, a primeira menstruação geralmente marca o final do estirão, o que, em geral, coincide com idade óssea por volta de 12 anos de idade.

No sexo masculino, não há um marco, porém, a idade óssea de 15 anos geralmente coincide com o fim do estirão. Após essa fase de crescimento rápido, há um crescimento residual lento que dura cerca de 2 anos, com declínio progressivo. A partir do início da puberdade até o final do crescimento, os meninos crescem 25 a 30 cm e as meninas 20 a 25 cm.

Quando procurar um endocrinologista?

Recomenda-se avaliar a baixa estatura quando a criança estiver abaixo do percentil 3 dos gráficos de estatura, ou abaixo do seu canal de crescimento familiar, ou aquelas com baixa velocidade de crescimento, independente do percentil de estatura.

"A melhor maneira de avaliar o crescimento é acompanhando as medidas de altura seriadas, com intervalos maiores que 3 meses, que permitem calcular a velocidade de crescimento anual das crianças", ressalta Dra. Angela.

Ela ainda pontua que a investigação adequada da baixa estatura inclui história e exame físico cuidadosos, realização de exames laboratoriais adequados e seguimento clínico da criança, a fim de determinar sua velocidade de crescimento.

A baixa estatura pode ser consequência de doenças crônicas não endócrinas, como a doença celíaca, distúrbios congênitos (principalmente a síndrome de Turner) ou endocrinopatias, como a deficiência do hormônio do crescimento e hipotireoidismo.

"Algumas crianças possuem apenas variantes do crescimento normal, como baixa estatura familiar ou retardo constitucional de crescimento e puberdade. Para a diferenciação das causas de baixa estatura e para o tratamento adequado, possivelmente com o uso de hormônio do crescimento, uma avaliação cuidadosa de um endocrinologista é necessária", finaliza.

Sobre a especialista

A Dra. Angela Beuren (CRM 22889 / RQE 13603) é endocrinologista, formada pela Universidade Federal de Santa Maria, Medicina Interna pelo Hospital Universitário de Santa Maria e Médica Endocrinologista pelo IEDE (Instituto Estadual de Diabetes e Endocrinologia Luiz Capriglione) do Rio de Janeiro. Atende na Rua Guilherme Weege, Numero 202, Sala 407, Edifício Accord Center – em cima do Laboratório Fleming. Os contatos são (47) 3054 0514, 99222 3314 ou angela.beuren@gmail.com.