A vacinação contra a COVID-19 tem avançado no Brasil e com o grupo de mulheres ainda em idade fértil sendo vacinadas, surgiram alguns questionamentos relacionados a alterção do ciclo e se isso está relacionado a vacina. A ginecologista e obstetra, Dra. Thaís Lebtag, respondeu nossas perguntas relacionadas a esse tema, e segundo ela, algumas mulheres tem relatado no consultório essas alterações em seus ciclos menstruais após a vacinação. "Cólicas, irregularidade no ciclo e fluxos mais intensos e coagulados são as alterações menstruais mais comuns que têm sido apontadas", destaca a médica.

Nos Estados Unidos, o Sistema de Notificação de Eventos Adversos de Vacinas, do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC) já recebeu cerca de 37 declarações de mulheres que observaram algum tipo de alteração na menstruação após terem sido vacinadas, um número baixo, mas que precisa ser observado tendo em vista o ineditismo do cenário em que vivemos.

De uma forma didática, a especialista explica que o revestimento do útero faz parte do sistema imunológico - na verdade, existem células imunológicas em quase todas as partes do corpo da mulher - e essas células do sistema imunológico têm um papel na construção, manutenção e rompimento do revestimento do útero, que se torna mais espesso para se preparar para a gravidez e, em seguida, se desprende na forma de menstruação se o óvulo não for fertilizado, é claro.

"Há uma ligação plausível entre a vacina e as mudanças menstruais, já que o momento da ovulação pode ser afetado por inflamação. Pode ser o caso quando as pessoas estão doentes e com febre e as vacinas atuam causando uma resposta inflamatória no corpo - faz parte do seu sistema imunológico reagir e começar a produzir os anticorpos e outras células que lutem contra doenças", ressalta Dra. Thaís.

Entretanto, ela ainda afirma que isso não significa que haja qualquer ligação com abortos espontâneos, pois durante a gravidez, diferentes processos mantêm o revestimento do útero, incluindo a presença da placenta.

Um outro ponto que a ginecologista faz questão de destacar, é o fator psicológico que pode influenciar em demasia às intercorrências naturais do corpo da mulher como, por exemplo, cólicas mais intensas, sangramentos mais volumosos. "Como bem sabemos, fatores psicológicos refletem sobremaneira no nosso dia a dia, e não seria diferente neste período."

Um alerta!

A médica enfatiza também que, infelizmente, a desinformação sobre as vacinas e a ideia de que elas podem afetar os ciclos menstruais é palco de diversas fake news nas redes sociais.

"Portanto, observar com cautela assuntos sobre esse tema é muito importante. A maioria das vacinas contra a COVID-19 funcionam dando ao corpo instruções para que ele possa aprender como combater o vírus. Acredite, o papel social deve existir até mesmo com relação às vacinas. Caso você tenha notado alguma reação adversa após tomar algum dos imunizantes, que não sejam os sintomas comuns, é essencial que reporte aos fabricantes ou ao seu médico", finaliza Dra. Thaís.

Sobre a especialista

A Dra. Thaís Straliotto Lebtag (CRM/SC 14849 e RQE 12.383) atende no Hospital e Maternidade Jaraguá, na rua dos Motoristas, 120. E também na Policlínica Rio Branco, na rua Barão do Rio Branco, 207, 1º andar, sala 05. Contato pelo telefone (47) 3275-1063.