Por Adrieli Evarini Em cinco dias, a Polícia Civil de Jaraguá do Sul conseguiu prender três suspeitos de estupro de vulnerável. Em dois casos, as prisões ocorreram em outras cidades, para onde os suspeitos haviam fugido. Mas os números são ainda mais assustadores e estão crescendo ano após ano. Segundo os dados internos da Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), nos primeiros quatro meses deste ano foram registrados 31 boletins de ocorrência de estupros. Destes, 18 casos são de estupro de vulnerável. Em 2016, foram 76 boletins de ocorrência de estupro de vulnerável e em 2015, foram 54. A primeira prisão ocorreu na sexta-feira (16), quando um homem de 35 anos foi preso em São Domingos, no Oeste de Santa Catarina. Ele foi indiciado pelo crime de estupro de vulnerável após a mãe de uma menina de 8 anos registrar o boletim de ocorrência, em abril deste ano. Segundo a delegada, o caso veio à tona quando a então companheira dele e tia da criança contou à irmã que a garotinha havia sido molestada pelo marido. A segunda prisão foi realizada na manhã desta segunda-feira (19), em Jaraguá do Sul. A denúncia foi realizada junto às autoridades policiais no mês de maio. A mãe de uma criança de 11 anos registou boletim informando que a filha havia sido estuprada em um motel por um vizinho de 30 anos. Na manhã desta terça-feira (20), a terceira prisão aconteceu no Rio Grande do Sul. O avô de uma menina de 7 anos foi preso pelo mesmo crime. Segundo a delegada, o caso foi registrado em dezembro do ano passado, depois que a garota disse que havia sido molestada pelo próprio avô, que morava com a família desde 2015. Para a delegada Milena de Fátima Rosa, a conclusão dos inquéritos é importante para a identificação dos autores, mas as prisões preventivas são essenciais para, além de mostrar que não há impunidade, evitar que eles cometam os crimes novamente com as mesmas crianças ou ainda com outras vítimas. Ela relata ainda que Jaraguá do Sul tem uma incidência muito grande deste tipo de crime, como mostram os números. “A maioria dos casos que chegam à delegacia é em desfavor de menores de 14 anos. Infelizmente, isso é uma realidade em nosso município”, lamenta. Milena acredita ainda que o número de estupros de vulneráveis não cresceu nos últimos anos, e sempre foi alto, mas o que ocorre é uma mudança de comportamento que levou à intensificação das denúncias. “Eu acredito que o abuso sexual sempre ocorreu, mas era escondido e talvez a própria família impedisse em muitos casos essa denúncia. Hoje, com a mudança de comportamento, especialmente das mulheres, as denúncias aumentaram. Elas buscam a punição desses casos”, destaca. Os dois suspeitos presos em Santa Catarina já estão detidos no Presídio Regional de Jaraguá do Sul. O terceiro, preso no Rio Grande do Sul, aguarda transferência.