Passaram mais de 450 dias desde que o primeiro caso de Covid-19 foi confirmado em Jaraguá do Sul. Enquanto para muitas pessoas o cenário de pandemia pode ter se desdobrado em sintomas leves da doenças ou ausência de contágio até o momento, para mais de 330 vítimas do novo coronavírus o resultado foi fatal, sem contar casos graves de internação.

As flexibilizações por parte da população têm significado um elevado número de casos registrados por dia e os hospitais lotados, reforça a presidente do Comitê Extraordinário Covid-19, Emanuela Wolff.

Só entre janeiro e abril desse ano, mais 427 moradores de Jaraguá do Sul foram internados, contando apenas o Hospital São José - o número de internações sobe para 660 considerando os atendimentos a pessoas de outras cidades.

O ano tem sido com número elevado de óbitos e internações especialmente por conta das novas cepas do coronavírus. Além da original, já foi confirmada a Variante P.1 de Manaus/Amazonas, que segundo estudos é mais transmissível e pode causar infecção.

Em entrevista, Emanuela Wolff fala sobre a situação crítica enfrentada atualmente pela rede de saúde diante das novas variantes e ressalta que são os cuidados diários a principal ferramenta para garantir a saúde da população.

Emanuela Wolff | Foto Eduardo Montecino/PMJS

Como é avaliado esse momento da pandemia, tendo em vista os casos, número elevado de óbitos no ano e a situação dos hospitais?

Muito crítico, pois mesmo que tenhamos uma certa estabilidade no número de casos, trata-se de uma “estabilidade alta”. São as chamadas novas cepas que têm um potencial de transmissão e agravamento ainda maior.

Podemos dizer que não existe mais um certo público vulnerável, e os números e os dados das internações também dizem isso, que todos são vulneráveis neste momento.

Existe possibilidade de agravamento, falta de medicamentos ou leitos hospitalares?

A situação já é grave, pois além do elevado número de casos confirmados e de pacientes que precisam de tratamento em leitos hospitalares, aumentou também a movimentação de outras ocorrências como traumas por acidentes, por exemplo.

Isso se deve as recentes flexibilizações de algumas atividades, a movimentação de pessoas vai voltando ao normal e a consequência é o aumento do fluxo de pacientes nos hospitais.

Os leitos já estão lotados, e neste momento é praticamente impossível a contratação de novos profissionais de saúde, faltam profissionais e os que estão trabalhando há 15 meses na linha de frente estão exaustos.

Quais as ações a curto prazo que o Comitê vem avaliando para conter essa situação?

O Comitê se reúne todos os dias, e sempre debate todas as ações que são tomadas. Neste momento, além de oferecer a estrutura para o atendimento de todos os pacientes e a agilidade da Secretaria de Saúde no processo de vacinação, temos um decreto vigente com restrição de horário para atividades não essenciais.

Estamos sempre trabalhando a conscientização das pessoas com campanhas e informações importantes.

Nossas equipes de fiscalização, junto aos órgãos de segurança, também fazem um trabalho efetivo muito importante, basta vermos as ocorrências que são divulgadas diariamente pela imprensa.

Qual seria o comportamento ideal da população nesse momento?

Empatia. Sempre finalizo os meus vídeos com a frase: “Cuidem-se e assim estarão cuidando de toda a cidade”.

Se cada um fizer a sua parte, certamente, o impacto tende a ser menor.

E estamos falando de vidas. São mais de 330 famílias que perderam pais, mães, avós, irmãos e até filhos. Infelizmente existe uma parcela da população que só se conscientiza quando perde um ente querido, e não deveria ser assim.

Diariamente, há mais de 450 dias a gente fala: se tiver que sair de casa, use máscara; higienize as mãos regularmente; não faça aglomerações; se tiver na sua vez, vacine-se; mesmo vacinado, mantenha os cuidados. E aos primeiros sintomas, procure o atendimento imediato em nossas Unidades de referência.

 

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