Por Kamila Schneider | Foto Divulgação/Ilustrativa No início dos anos 2000, boa parte do mercado encarava o termo sustentabilidade como um punhado de exigências legais que encareciam os negócios e amarravam os processos produtivos. O conceito, na época pouco compreendido, era muito mais uma necessidade do que uma ferramenta de gestão. De lá para cá, entretanto, muita coisa mudou: as tecnologias evoluíram, os negócios se reinventaram e, com isso, a sustentabilidade passou a ocupar um papel estratégico dentro das empresas – hoje, além de zelar pelo bem estar das pessoas e do planeta, o conceito busca ferramentas para tornar os negócios mais eficientes, competitivos e, porque não, rentáveis. Em outras palavras, a sustentabilidade dos dias atuais une os dois mundos, colocando em voga tanto o cuidado com o meio ambiente quanto a gestão do negócio. “Hoje a alta administração das empresas traz a discussão para dentro do plano estratégico, avaliando o contexto em que a empresa se insere e os riscos para o negócio. Um resíduo, por exemplo, é um defeito do processo produtivo que representa um risco para o meio ambiente e também para o negócio. Isso leva o mercado a olhar o cenário como uma oportunidade – neste caso, gerar menos resíduo para ganhar mais dinheiro”, explica o consultor do Instituto Senai de Tecnologia Ambiental de Santa Catarina, Luís Henrique Cândido da Silva. Este movimento é fundamental em uma época em que a responsabilidade ambiental das empresas só cresce, aponta Silva, e uma discussão pertinente com a chegada do Dia Mundial do Meio Ambiente, celebrado na próxima segunda-feira, dia 5. Basta lembrar que no último Fórum Econômico Mundial, realizado em janeiro na Suíça, sete dos dez maiores riscos globais estavam relacionados à sustentabilidade, e que, segundo o especialista, estão diretamente ligados à produtividade das empresas. “Estamos falando em escassez de recursos que trazem prejuízos em todos os aspectos, o que reforça a importância de ver isso de forma estratégica”, diz ele. Além das obrigações legais: o mercado como ator social Para o consultor em sustentabilidade e inovação Benyamin Parham Fard, ser sustentável significa ir além daquilo que as obrigações legais exigem. Ou seja, se tornar, de fato, um ator social. “É adotar o critério da ‘adicionalidade’. Por exemplo: uma empresa não tem a obrigação de apoiar um hospital ou fomentar a cultura, mas ela o faz por que isso ajuda a manter uma sociedade saudável com base em uma consciência coletiva”, afirma ele. Segundo Parham Fard, as empresas possuem um papel social extremamente importante, que perpassa sua função primordial de gerar renda e emprego até chegar ao engajamento social, por meio do apoio à educação, à cultura e à manutenção dos espaços públicos. E este é um movimento que já acontece em Santa Catarina. “Percebemos as empresas cada vez mais preocupadas com as pessoas, oferecendo profissionalização, criando programas de assistência. Existe essa tendência de cuidar de pessoas, seja num programa de combate ao tabagismo ou no custeio de uma creche”, aponta Parham Fard. É a consciência de que é a soma do trabalho coletivo ao individual que traz resultados. “O mundo tem se transformado através das novas gerações. Estamos saindo de uma sociedade industrial para uma sociedade do conhecimento. Saindo da posse para o comportamento, da visão individualista para uma sociedade onde tudo pode ser compartilhado. Isso tudo com o viés da sustentabilidade. Esses jovens sabem que os recursos naturais são finitos e sabem que empresas que se posicionam em favor da igualdade, da ética e do social são relevantes. Fatalmente isso vai forçar as empresas a se posicionarem com mais cuidado em relação ao planeta e às pessoas”, acredita o consultor. Dez dicas de sustentabilidade para pequenos e médios negócios
Foto: Divulgação
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1. Saiba de onde vêm os produtos e serviços que sua empresa utiliza. Desta forma é possível saber o impacto de cada item e optar por fornecedores que tenham uma e consciência ambiental que estejam alinhados com a sua empresa. Além disso, certifique-se de que as medidas citadas pelos fornecedores sejam realmente colocadas em prática. 2. Ajude a conscientizar seus clientes. Seja por meio de ações educativas ou programas de logística reversa, qualquer ação é muito bem-vinda. Pontos de coleta de embalagens ou reciclagem, por exemplo, são medidas simples, mas eficientes. 3. Dê preferência para os fornecedores locais. Trazer matéria prima ou produtos de longe dificulta a logística e faz o dinheiro circular em outras regiões, enquanto a valorização de quem está perto diminuiu os impactos ambientais da logística, barateira os custos e gera renda e emprego na sua comunidade. 4. Incentive e ajude os funcionários a optarem por alternativas mais ecológicas, como a carona compartilhada ou o deslocamento a pé ou de bicicleta. Mostre dentro da empresa ações que podem ser replicadas em casa: utilize lâmpadas led, evite o desperdício de alimentos, opte por alimentos da estação, crie ações para poupar água e energia, entre outros. 5. Lembre-se da importância social e econômica das pequenas empresas: são elas as maiores geradoras de emprego no Brasil. Procure oferecer salários justos e ajudar no desenvolvimento dos funcionários, oferecendo treinamentos profissionais ou mesmo em áreas como cultura ou vida pessoal. Pessoas felizes produzem mais e ajudam a impulsionar o negócio e se alinham às diretrizes pregadas pela empresa. 6. Tenha em mente que inovação e sustentabilidade caminham juntas. Nem sempre é preciso grandes investimentos para ser sustentável – criatividade e força de vontade são ferramentas poderosas na busca por soluções. Estimule sua equipe a repensar processos e criar novos métodos de trabalho, se reinventando constantemente. 7. Mostre para as outras empresas que você investe em sustentabilidade. Grandes empresas estão cada vez mais exigentes na hora de escolher seus fornecedores ou parceiros. Nestas horas, ser capaz de comunicar suas ações de forma clara e transparente é fundamental. 8. Faça um planejamento de gestão ambiental. Este processo irá permitir que a empresa compreenda quais os impactos da sua atuação e quais são os pontos críticos e os riscos do negócio, além de determinar os próximos passos da gestão ambiental. Tudo isso será importante na hora de desenvolver um processo mais limpo e eficiente. 9. Invista em conhecimento e ferramentas para monitorar suas ações. Quanto mais você entende sobre o tema, melhor poderá aplicar o conceito na sua empresa. Além disso, a tecnologia pode ser um apoio importante no monitoramento das ações e acompanhamento dos resultados para servir de base na tomada de decisões. 10. Encare a sustentabilidade como uma ferramenta para aumentar o lucro. A lógica é simples: poluir menos e investir na qualidade de vida dos funcionários tornam a empresa mais eficiente e, consequentemente, faz-se mais com menos.