A Prefeitura de Jaraguá do Sul, por meio da Secretaria de Assistência Social e Habitação e Conselho Municipal dos Direitos do Idoso, em parceria com o Instituto Anima Unisociesc, está desenvolvendo uma pesquisa que tem como objetivo traçar o perfil dos idosos residentes no município.

O diagnóstico do idoso – como está sendo chamado o trabalho – conta com recursos do Fundo Municipal do Idoso. As entrevistas estão sendo feitas por telefone e 900 idosos já responderam ao questionário. Mas, segundo o coordenador do projeto, Tiago Souza dos Santos, ainda há muito trabalho pela frente.

“As entrevistas estão ocorrendo e é muito importante que o idoso que receber nossa ligação, participe da pesquisa, respondendo as perguntas que serão feitas”, informa.

Foto: Divulgação/PMJS

Pelos dados parciais obtidos até agora, os pesquisadores já sabem que 70% dos idosos de Jaraguá do Sul, não nasceram aqui. Os homens, continuam chegando no mesmo fluxo desde os anos 1970, já as mulheres, a maior parte chegou aqui na década de 70 e 80.

A maioria dos idosos mora apenas com o cônjuge (42,6%), sozinhos, são a minoria (11,2%). De acordo com os pesquisadores, esses dados são semelhantes a países desenvolvidos e indicam que os idosos mantém um nível bom de capacidade funcional e independência, entretanto, o índice de idosos que precisam de cuidador é de 8,6%, ou seja, praticamente um a cada 10 idosos não consegue fazer tudo sozinho, sendo dependente de alguém para realizar as suas atividades diárias.

Buscam atendimento de saúde na rede pública 70% dos entrevistados e somente 23% têm plano de saúde. O acesso a medicamentos se dá via unidade básica de saúde, mas também, via farmácias comerciais. Apenas 10% relatam usar o programa da farmácia básica e 5,6%, farmácia especializada. Usam medicamentos contínuos 86,2% dos idosos; 29% deles gastam entre R$ 100 e R$ 300 por mês; 12% gastam entre R$ 300 e R$ 500 e 5,5% gastam entre R$ 500 e mil reais.

Gastos com saúde e habitação consomem a maior parte da renda dos idosos que ganham até um salário mínimo, já entre os que ganham mais, alimentação representa o gasto maior.

O diagnóstico do idosos deve ser entregue até o mês de setembro e segundo o secretário de Assistência Social e Habitação, André de Carvalho Ferreira, há uma grande expectativa quanto aos números finais da pesquisa.

“Para a secretaria será fundamental o resultado deste diagnóstico, pois, teremos informações mais claras a cerca das demandas relacionadas a eles e, assim, poderemos ter políticas públicas bastante assertivas em relação aos idosos”, pontua.

O levantamento, inédito, envolve uma amostra de 10% das 17.325 pessoas com mais de 60 anos da cidade, seguindo o cadastro do sistema Olostech, base 2020. O projeto inicial envolve 958 mulheres (55,32%) e 774 homens (44,67%). A pesquisa iniciou em agosto de 2020.

O entrevistador, ao contatar o idoso, não solicita dados relacionados à conta bancária, CPF ou quaisquer números de documentos pessoais | Foto: Divulgação/PMJS

Outros dados levantados até agora

- A complicação de saúde mais comum entre os idosos afeta o sistema cardiovascular, com 65,6% apresentando tal problema; em seguida, estão as doenças osteomioarticulares (26,7%) e diabetes (25,4%). Estas três grandes complicações afetam principalmente idosos que não são praticantes de atividade física, principalmente os homens. Dentre os praticantes, mais de 60% não relata problemas de saúde; já entre os sedentários, este índice baixa para 40%.

- O público mais comum em todos os equipamentos públicos voltados para a saúde é o feminino: academias de saúde 72% e grupos de idosos, 74%, mostrando que o homem idoso tem mais resistência ou não tem interesse em procurar tais espaços.

- 12,7% dos idosos já sofreram algum tipo de violência durante a vida, 9,4% sofreram quando idoso.

- Casos de violações contra os direitos dos idosos aumentaram nos anos de 2019 e 2020 e afetam principalmente os idosos do sexo masculino; dentre as violações mais comuns estão os furtos, estelionato e ameaças.

- A mulher idosa é a maior vítima de violência doméstica (7x mais que os homens). Dentre as mulheres, faixa etária que mais sofre violência é justamente a mais jovem, entre 60 e 65 anos. Dos casos de violência doméstica contra mulher, boa parte é cometida pelo próprio marido.

- Dentre os homens, os casos registrados (apenas um em 2019 e cinco em 2020) foram contra idoso acima dos 72 anos.