Atualização

Em nota oficial, a Secretaria de Assistência Social e Habitação e a Secretaria de Saúde da Prefeitura de Jaraguá do Sul esclarecem que Venceslau Pinheiro e Dorli Machado já recebem dois auxílios do poder público, o Cartão Cidadão e o Bolsa Família.

 

Sobre a energia elétrica, o comunicado elucida que para participar de programas de desconto, além de outros requisitos, legalmente, é necessário que a conta de luz esteja em nome de algum integrante da família, o que não é o caso.

 

A nota informa ainda que a família recebe acompanhamento da Assistência Social, nesta semana, inclusive, uma equipe fez visita ao domicílio. Dorli e Venceslau também são atendidos na rede de Saúde pública. Mesmo não tendo limitação física, houve, sem sucesso, tentativa de visita domiciliar.

 

A Saúde tem registro de diversos encaminhamentos especializados ao casal, alguns, infelizmente, sem comparecimento dos usuários.


 

Sentir fome não é uma sensação agradável, ainda mais quando não há o que comer. Para o casal Dorli Kuschinzk e Venceslau Tiburço Pinheiro, ambos com 53 anos, essa realidade de escassez tem sido constante. Nessas condições, pedir ajuda aos vizinhos e até mesmo se arriscar comendo restos de alimentos, muitas vezes estragados, se tornou parte da rotina.

Há 15 anos, os dois vivem aos fundos de uma empresa desativada, na barra do Rio Cerro, em Jaraguá do Sul. Na época, Venceslau trabalhava na unidade e ficou desempregado após o empreendimento encerrar as atividades.

Sem água, o casal espera pela chuva para lavar roupa. A energia elétrica também está em falta, criando ainda mais dificuldades para que Dorli e Venceslau possam manter uma vida digna. Durante a noite, as lâmpadas da residência foram substituídas por velas nos cômodos.

Foto Eduardo Montecino/OCP News
Foto Eduardo Montecino/OCP News

"Quando a empresa fechou, o proprietário teve um bom coração e deixou que vivêssemos aqui", lembra Venceslau. "Ele chegou a alugar o galpão algum tempo depois, mas o inquilino não pagou o combinado e abandonou o espaço", completa. Sem renda para manter a estrutura funcionando, a energia e a água do local foram desligadas.

União faz a força

A triste situação enfrentada pelo casal comoveu a aposentada Inorma Imroth. A vizinha tem feito o que pode para ajudar Dorli e Venceslau, chegando até mesmo procurar a reportagem do OCP. "Não dá mais pra eles continuarem desse jeito. Vivem pedindo esmola. Isso não é vida, alguém precisa tomar alguma atitude" desabafa.

Inorma conta ainda que procurou ajuda do poder público para buscar soluções em relação aos problemas enfrentados por eles. "Eu já fiz de tudo e tenho pena, mas, infelizmente, não tenho mais condições de ajudar", lamenta.

Foto Eduardo Montecino/OCP News

Recém-recuperada de uma cirurgia que fez na vesícula e com sérios problemas de saúde, Dorli encontra dificuldades para conseguir emprego. O caso possui ainda o agravante dela ter a saúde mental debilitada.

Envergonhada, o olhar sofrido clama por clemência.“Eu não estou muito legal, mas temos que ir para frente. Não está sendo fácil para nós”, chora.

Assistência Social monitora o caso

O caso chegou até a Secretaria de Assistência Social e Habitação, que garante que está fazendo o acompanhamento necessário.

Segundo a aposentada Inorma Imroth, interessados em ajudar o casal podem entrar em contato pelo número (47) 3376-2337.

 

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