Scar sobe ao palco para sessão solene de 60 anos

“Com certeza não se podia imaginar naquela época que a Scar se tornaria uma referência internacional” – deputado estadual Vicente Caropreso - Fotos: Eduardo Montecino/OCP Online “Com certeza não se podia imaginar naquela época que a Scar se tornaria uma referência internacional” – deputado estadual Vicente Caropreso - Fotos: Eduardo Montecino/OCP Online

Cotidiano

Por: OCP News Jaraguá do Sul

quarta-feira, 10:09 - 08/06/2016

OCP News Jaraguá do Sul
Os 60 anos de história da Sociedade Cultura Artística (Scar) de Jaraguá do Sul foram celebrados ontem com reverência durante sessão solene da Assembleia Legislativa de Santa Catarina (Alesc), realizada no Pequeno Teatro da Scar. Para receber a homenagem do Parlamento catarinense, foi a vez da Scar subir a um dos palcos mais prestigiados do país, sendo a grande atração da noite de seu aniversário, comemorado nesta quarta-feira, 8 de junho. A sessão solene, proposta pelo deputado estadual Vicente Caropreso (PSDB), destacou o início humilde da entidade, pela iniciativa da pianista Adélia Fischer e seu marido Francisco que fundaram em 8 de junho de 1956 a Sociedade Cultura Artística, abrigando inicialmente uma pequena orquestra mantida com amigos músicos, que se encontravam em saraus e recitais nas tardes de domingo. “Com certeza não se podia imaginar naquela época que a Scar se tornaria uma referência internacional”, disse Caropreso, em seu pronunciamento na tribuna. O sucesso da entidade por meio da sua organização eficiente – são 12 funcionários trabalhando atualmente na Scar -, é um dos pontos destacados pelo parlamentar como o motivo de trazer a sessão solene da assembleia para Jaraguá do Sul. “As pessoas criticam a Lei Rouanet, mas foram R$ 10 milhões da Lei Rouanet investidos aqui na Scar, e foi um dinheiro muito bem empregado, o que demonstra o jeito jaraguaense de fazer as coisas, que deve ser valorizado”, ressaltou o deputado, citando o trabalho voluntário - característico do município – como um dos fatores essenciais para a concretização da entidade. Para o presidente da Scar, Udo Wagner, a homenagem da Alesc representa a importância que a Scar tem hoje para a cultura em Santa Catarina. “Essa distinção honrosa penso que seja um reconhecimento da Alesc para o trabalho da Scar”, considerou Wagner. O ato de sediar uma sessão solene em homenagem à entidade no próprio palco da Scar, continuou o presidente, “tem todo um simbolismo” já que a Alesc deixou sua sede, em Florianópolis, para vir à Jaraguá do Sul. “Em vez de irmos à Alesc, ela veio para nosso ambiente e isso é algo muito honroso”, disse Wagner. A Scar foi homenageada pela assembleia também através do reconhecimento às pessoas que ajudaram a construir a história de um dos maiores teatros do país, como os ex-presidentes da entidade e também os três músicos remanescentes da primeira orquestra da Scar: Walter Carlos Hertel, membro da primeira formação de músicos da pequena orquestra que deu origem à Scar; Pedro Donini, integrante da primeira orquestra e empresário que atuou para a construção do Centro Cultural e Yara Fischer Springmann, filha da fundadora da Scar, Adélia Fischer, e uma das responsáveis pelo ressurgimento da Orquestra Filarmônica Scar.

13383819_840525256079885_1831005008_oO presidente da Scar, Udo Wagner, falou sobre o simbolismo de sediar sessão da Alesc no palco do Centro Cultural

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Ex-presidentes homenageados Dietrich Hermann Wolfram Hufenüssler - Assumiu a presidência da Scar em um momento importante na história da entidade, no início dos anos da década de 1970, colaborando por três mandatos consecutivos. Este período trouxe fortalecimento à iniciativa de trazer músicos para concertos, grupos teatrais e outras manifestações artísticas. Edson Carlos Schulz - Presidiu a Scar no período 1994 a 2002 e atualmente preside o Conselho Deliberativo, marcando sua gestão por uma participação decisiva no projeto de edificação do Centro Cultural. Fernando Arthur Springmann - Foi também o primeiro presidente da entidade e, por sua sugestão, a assembleia de fundação da entidade aprovou a denominação por ele sugerida – Sociedade Cultura Artística. Também fez parte da primeira orquestra. José Alberto Barbosa - Presidente da Scar no período 1992 a 1994, contribuiu para que o projeto de construção do Centro Cultural fosse mantido mesmo com a suspensão de captação de recursos via Lei Satney, suspensa naquele ano. Márcio Mauro Marcatto - Empossado presidente da Scar em 1988, foi em sua gestão que ocorreu o lançamento da pedra fundamental do futuro Centro Cultural, no dia 2 de junho de 1989. Rolf Botho Hermann - Presidente da Scar nos períodos 1979-1980 e nos anos de 1984 e 1990. Udo Wagner - Na presidência da Scar desde 2006, reeleito recentemente para mandato até 2018. Marlo Souza (In Memoriam) - Conselheiro da Scar, atuou na viabilização do projeto de construção do Centro Cultural. Gilmar Antônio Moretti - Ex-presidente, membro do Conselho Deliberativo e atual vice-presidente para as artes cênicas. Monika Hufenüssler Conrads - Presidente da SCAR no período 2002-2006 e membro do Conselho Deliberativo.

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Painéis começam a gerar energia A Scar inicia hoje o seu primeiro dia de idade nova com inovação. Os painéis fotovoltaicos, instalados no teto do Centro Cultural, foram ligados oficialmente ontem, durante o evento de inauguração, e passaram a captar hoje os primeiros raios solares. Com esta fonte de energia sustentável, a Scar vai produzir aproximadamente 75% da energia consumida no prédio, tornando-se o primeiro teatro do país com o sistema. Ao todo, são seis blocos – subsistemas - com 576 placas fabricadas pela empresa WEG, que produzirão a partir de hoje cerca de 150 quilowatts de energia por mês. Serão seis inversores de 20 quilowatts e 576 placas de 260 watts. Para acompanhar a produção de energia, foram instalados no hall de entrada do Centro Cultural duas telas que informam a incidência solar em tempo real. Na cerimônia de inauguração, o presidente da Scar, Udo Wagner, reforçou a economia que o sistema trará: com uma fatura de energia elétrica que gira hoje em torno de R$ 15 mil ao mês, a redução no valor pode ser de R$ 3 mil a R$ 4 mil a menos em um período de 30 dias. “Estamos inaugurando algo que já é comum em outros países, mas que ainda está iniciando no Brasil”, salientou o presidente. Wagner também ressaltou que a ideia da instalação dos painéis partiu de um dos conselheiros da Scar, Rolf Hermann. O presidente narrou que Hermann o procurou, no final do ano passado, dizendo que gostaria de fazer mais uma contribuição, mas colocando a condição de que a doação fosse aplicada no sistema. Depois de ter se inteirado sobre o assunto, Wagner contou que procurou a WEG para fazer um orçamento. A partir daí, com o projeto em mãos, continuou o presidente, seguiu em busca dos recursos necessários: R$ 900 mil. Foi por meio de doações que a Scar conseguiu comprar e instalar o sistema. Para apertar o botão que simbolicamente fez a ligação oficial dos painéis, foram chamados os doadores Décio da Silva, Gerd Edgar Baumer, Rolf Hermann e Pedro Donini. O empresário Werner Voigt, que faleceu no último dia 1º de junho, foi lembrado pelo presidente da entidade, tendo sido também um dos doadores. Uma placa de homenagem com o nome de todos e também da empresa WEG, autora da sexta contribuição de R$ 150 mil , foi instalada no prédio. Também presente na cerimônia, o prefeito de Jaraguá do Sul, Dieter Janssen (PP) destacou a atitude como um exemplo de sustentabilidade. “Mostra que a Scar está preocupada também em se mostrar atualizada em relação às tecnologias existentes no mundo”. Janssen acredita que a ação da entidade deverá servir de incentivo para que investimentos sustentáveis sejam feitos nos setores públicos e privados.
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