A partir da próxima quinta-feira (3) os jaraguaenses começam a receber, em suas residências, um incentivo à reciclagem. A volta do Saco Verde já tem data para acontecer e, segundo o presidente da Fujama (Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente), Normando Zitta, serão 150 mil unidades distribuídas nessa primeira semana. O investimento na ação é de cerca de R$ 800 mil ao ano.

Zitta explica ainda que todas as residências vão receber um rolinho contendo dois sacos verdes. A entrega deve acontecer quinzenalmente na primeira etapa, por cerca de dois meses. Depois disso, a entrega vai depender da demanda de cada residência.

Prédios e condomínios terão uma dinâmica diferenciada para terem acesso aos sacos verdes. Conforme explica o presidente, serão disponibilizados três pontos para retirada, que deve ser realizada pelos síndicos. Diferente do que acontecia no passado, desta vez, além da Ambiental, o Samae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto) e a Fujama também serão pontos de entrega.

A distribuição estava prevista para começar na segunda quinzena de abril, mas Zitta esclarece que o fornecedor teve um problema com a primeira entrega.

“O fornecedor iria fazer uma entrega parcial, de 75 mil rolos, mas teve um problema e não conseguiu fazer essa entrega parcial. Por isso, o pedido integral está chegando para distribuição”, afirma.

Segundo ele, essa primeira entrega deve durar em torno de 20 dias e o novo pedido já foi realizado para atender ao cronograma.

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Para Zitta, é necessário ressaltar que não se trata de custo para os cofres públicos e sim, investimento. Ele destaca a importância de incentivar a reciclagem e o quanto essa cultura pode impactar, tanto na esfera ambiental quanto na social. O presidente da Fujama explica que a ação do Saco Verde é pensada para atender a três pilares: ambiental, legal e social.

“É uma questão ambiental, mas tem um cunho social muito grande com o atendimento dessas famílias que vivem do reciclável”, ressalta.

Segundo Zitta, atualmente cerca de 100 pessoas tem na reciclagem sua fonte de renda e elas trabalham nas seis cooperativas da cidade. Para ele, a ação tem importância fundamental para a manutenção e potencialização do negócio que sustenta dezenas de famílias.

Além disso, o presidente ressalta que atualmente existem caminhões que recolhem o lixo reciclável em Jaraguá do Sul e destinam para outras cidades, afetando a matéria-prima que deveria ser direcionada às cooperativas da cidade.

“Muitas dessas famílias que hoje são cooperadas saíram do antigo lixão da Arena e precisam desse material para sua subsistência. A ação terá um ganho excepcional porque em muitos casos não está havendo material na cooperativa para reciclar e com a correta coleta e fiscalização esse tipo de situação irá diminuir. A tendência é que isso não ocorra mais”, diz.

Segundo o presidente da Fujama, Normando Zitta, serão 150 mil unidades distribuídas nessa primeira semana. O presidente do Samae, Ademir Izidoro, enalteceu que é preciso parceria para que esta distribuição seja feita com muita eficiência | Foto Eduardo Montecino/OCP

O presidente do Samae, Ademir Izidoro, enalteceu que é preciso parceria para que esta distribuição seja feita com muita eficiência.

“Se tudo correr como deve ser, as pessoas farão a separação de forma correta, todas as cooperativas terão mais matéria-prima para trabalhar e assim vamos melhorar o nosso índice de reciclagem que hoje chega apenas aos 7%”, ressaltou.

Reciclagem deve aumentar

De acordo com o presidente da Fujama, hoje, a média de material reciclado em Jaraguá do Sul é de 200 toneladas ao mês. A intenção, ressalta ele, é de que com a volta do Saco Verde esse número aumente para 350 toneladas e a projeção para 2019 é ainda mais otimista. Ele afirma que para o próximo ano, a intenção é de que 450 toneladas de reciclável seja reaproveitada em Jaraguá do Sul.

A fiscalização, explica Zitta, será constante. Além de disponibilizar o telefone 156 para denúncias, o governo municipal irá lançar, na próxima semana um canal direto de WhatsApp para que as denúncias de atravessadores irregulares possam ser realizadas. Outro ponto importante da fiscalização, de acordo com ele, acontecerá na rua, no dia a dia da coleta. Uma fiscal ambiental fará esse trabalho, lembrando que a ação é uma parceria da Fujama e do Samae.

Para Zitta, um ponto fundamental que a população de Jaraguá do Sul deve dar atenção é em relação ao lixo que será destinado à reciclagem.

“O importante é a gente saber diferenciar o que é lixo seco”, comenta.

O lixo seco é, justamente, a matéria-prima dos recicladores nas cooperativas e, segundo o presidente, a população costuma confundir.

“Muitas pessoas confundem porque pensam que, o que não é comida, é reciclável e não é assim”, salienta.

Ele explica ainda que itens como papel higiênico, fraldas, guardanapos são considerados rejeito e precisam ser encaminhados para o aterro sanitário.

“Esses são materiais úmidos, então os recicladores não conseguem trabalhar com eles”, finaliza.

 

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