A primeira morte foi a do PT. O partido, criado e crescido tendo a ética como uma das bases do seu discurso, se atolou na lama ao chegar ao poder. Mas ele não foi sozinho. Nos últimos dias, o Brasil viu o velório dos outros dois grandes partidos do país, PMDB e PSDB. São os líderes que estão no poder do país desde a redemocratização, se revezando entre o poder de governar e o poder de liderar a oposição. Eles não se dão por enterrados, porém, e continuam se agarrando em todas as chances possíveis para tentar ressuscitar. Os fatos revelados pela Lava Jato, pela Polícia Federal e por delatores mostram que é necessária a refundação da política brasileira. Uma limpeza de pessoas, com uma renovação expressiva é bem-vinda, mas mais do que isso, é preciso mudar todos os parâmetros que se tem.  A começar pela educação política, as pessoas precisam entender o programa de cada sigla e o que cada uma delas representa, para isso, é verdade, é preciso reduzir drasticamente o número de partidos. São dois pontos fundamentais para uma nova realidade.  As novas regras eleitorais, com o barateamento das campanhas, terão progressivamente impacto positivo. Mesmo com alguns problemas, está cada dia mais claro que não dava para continuar assistindo a relação promíscua e criminosa entre alguns agentes da iniciativa privada e os políticos.  A Justiça também precisa dar sua contribuição fazendo que todos os envolvidos nesses escândalos de corrupção sejam condenados e varridos do setor público. Enquanto bilhões de reais foram para o bolso de ladrões da pátria, o Brasil continuou sem educação de qualidade, sem saúde, sem segurança e sem infraestrutura adequada. Já basta.