O sonho de tornar inclusivos os parques, praças e especialmente os brinquedos devem deixar as telas de computador e as plantas de arquitetura para se concretizar em realidade em breve em Jaraguá do Sul. E para a arquiteta e urbanista Cristiana de Souza, não existem palavras capazes de traduzir o sentimento.

A parceria entre Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico, Indústria, Comércio, Serviços e Turismo e a Faculdade Senai de Jaraguá do Sul está tirando do papel o projeto que começou a ser pensado há muitos anos.

O Projeto de Brinquedos Inclusivos nasceu na faculdade e tem como objetivo a acessibilidade total aos brinquedos sem que as pessoas com deficiência necessitem de auxílio para utilizá-lo e possam desfrutar, de fato, das sensações que eles proporcionam.

A arquiteta conta que o projeto surgiu na faculdade e não tem esse nome à toa. “Eu nasci com uma deficiência, sem a perna direita e com deformidade nas mãos, então sempre tive paixão por acessibilidade”, diz.

O impulso inicial do projeto foi dado em 2012, quando Cristiana conheceu Karina, que não falava e não possuía o movimento fino dos membros.

“Ela era pequena e conseguiam tirar para colocar no balanço. Ela foi crescendo e quando tinha mais ou menos oito anos, percebemos que era inviável tirá-la da cadeira e o balanço já não comportava porque ela não tinha segurança no tronco. Quando ela era criança, ela fechava os olhinhos como se estivesse sentindo o vento”, lembra.

No projeto, estão previstos três brinquedos distintos: gangorra, gira-gira e balanço. Na fase de testes, os brinquedos serão instalados no parquinho do Sesi/Senai. Cristiana sonha em ver os brinquedos inclusivos na praça da Apae e no Arthur Muller.

Viabilidade financeira

O investimento ainda não foi calculado, conta a arquiteta. “Ainda não está definido o valor do investimento, mas o professor tem feito anotações de valores. Em meados do ano que vem devemos conseguir ter o valor real e a ideia é que não seja um valor inviável para poder disponibilizar para a população, para que as prefeituras consigam fazer isso”, afirma.

Coordenador do curso de Fabricação Mecânica do Senai, Mario Cleiton Stephani afirma que a expectativa é de que o protótipo seja entregue na segunda semana de dezembro.

Ele ressalta a importância de participar do projeto proporcionando ao aluno a oportunidade de ver a aplicação prática do que eles vêem na teoria, somando a isso um projeto de real impacto social.

“A ideia é de compartilhamento, de inclusão e pra gente é uma satisfação imensa, conseguir contextualizar toda a construção e fazer uma inclusão desse porte”, finaliza.

 

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