Um projeto de duplicação que contempla 15 quilômetros de via com cerca de 15 possibilidades de acessos e travessias para pedestres e ciclistas.

O engenheiro civil responsável pelo setor de projetos da empresa Sotepa, contratada pelo governo do Estado para elaborar o projeto de duplicação da SC-108 entre Guaramirim a Massaranduba, Ademir Elias Machado, garante que o desenho da obra preza pela segurança de motoristas, pedestres e ciclistas que trafegam diariamente pela rodovia.

O chamado anteprojeto será apresentado na noite desta quarta-feira (29), em uma consulta pública marcada para 18h, no salão da Capela São José, no bairro Rio Branco, em Guaramirim.

Machado conta que o traçado será feito em paralelo com a rodovia que já existe, iniciando na rotatória da BR-280 e terminando cerca de 1,5 quilômetro após a intersecção com a SC-415, em Massaranduba.

A obra prevê duas novas pontes, uma sobre o rio Itapocú, com 200 metros de extensão e outra sobre o rio Putanga, com 60 metros. Serão oito viadutos para passagem de pedestres, ciclistas e veículos, seis passagens inferiores para pedestres e ciclistas e uma passarela, localizada na saída da rua Jaraguá, em Guaramirim.

De acordo com o levantamento realizado pela empresa contratada pelo Deinfra (Departamento Estadual de Infraestrutura), o tráfego médio diário no trecho é de 15 mil veículos. Alvo constante de críticas, a rodovia apresenta buracos e desníveis no trecho contemplado pelo projeto.

Para o engenheiro, o mau estado é resultado, justamente, do intenso tráfego de caminhões pesados. Pensando nisso, o projeto prevê a substituição total do asfalto.

“Será um asfalto totalmente novo para resistir aos caminhões e, além disso, a tecnologia moderna tem apelo ambiental, uma vez que utiliza a borracha de pneus como matéria-prima, dando inclusive mais resistência e durabilidade ao asfalto”, ressalta.

Recursos apenas para o projeto

O projeto faz parte de um pacote que contempla diversos projetos de obras espalhados por Santa Catarina, ressalta o diretor de planejamento e projetos do Deinfra, Carlos Alberto Ferrari.

Ele enfatiza ainda que a disponibilidade de recursos – oriundos do Bird (Banco Internacional para Reconstrução e Desenvolvimento) – é exclusiva para a realização do projeto e não contempla a obra.

“Uma coisa tem que ficar muito clara: a disponibilidade dos recursos agora é para fazer o projeto da obra, para a obra em sai ainda não há nada. Esse recurso poderá vir de captação externa, por exemplo”, explica.

Após a conclusão, o projeto é enviado ao Bird para avaliação de viabilidade de recursos, afirma o engenheiro. A fase de “anteprojeto”, ele explica, é aquela na qual já há um desenho e um “norte”, mas ainda existe a possibilidade de agregar sugestões que possam ser levantados na consulta pública.

Com prazo de entrega ao Bird estipulado para o início de novembro, após a apresentação e discussão do projeto a população, começa a fase de detalhamento de custos, conta o engenheiro. “Depois disso, segue para as análises devidas e avaliação de liberação de recursos”, explica.

Além do projeto de duplicação da SC-108, também estão incluídas no “pacotão”, aponta Ferrari, o contorno de Jaraguá do Sul - 17,3 quilômetros de extensão para ligar Nereu Ramos até a Barra do Rio Cerro -, duplicação de rodovia entre Brusque e Gaspar, entre outras obras no estado.

Todos esses projetos tiveram recursos disponibilizados pelo Bird, tem prazo de entrega para o início de novembro e estão em fase de consulta pública.

Obra é importante, mas execução é incógnita

Expectativa e dúvida. Essas são as palavras que definem o sentimento do vereador e presidente da Avevi (Associação dos Vereadores do Vale do Itapocu), Charles Longhi, com relação a uma possível duplicação da SC-108. Ele destaca os inúmeros problemas que o município e a região tem com a rodovia devido ao “estado precário” em que se encontra.

Para Longhi, que afirma ainda não conhecer o projeto, foi uma surpresa o chamamento para a consulta pública.

“Nós estamos na expectativa e a proposta é questionar também a questão de conservação das rodovias. Eles trazem uma proposta de duplicação e a da 280 aí, parada. A duplicação é muito bem-vinda, só questionamos se realmente vai acontecer”, questiona.

O prefeito de Massaranduba, Armindo Sésar Tassi, conta conhece o projeto a ser apresentado nesta quarta-feira e tem a sugestão na ponta da língua. Aliás, a solicitação já foi apresentada a autoridades. “Estamos pleiteando que o projeto contemple um trecho maior, que venha até pelo menos o trevo de Massaranduba”, avalia.

Tassi enfatiza ainda a importância de um projeto como esse para a região, mas assim como Longhi, tem o pé atrás. “A gente nem sonhava e nem sonha com isso, sempre tem as nossas dúvidas porque o problema é sempre em relação aos recursos”, completa.

Para o secretário de Planejamento e Desenvolvimento Urbano de Guaramirim, Jiuvani Assis Assing, a rodovia é muito importante devido a sua função de escoamento da produção agrícola e também da trafegabilidade, pois liga o município a Blumenau, além de Massaranduba.

“Essa obra visa trazer novos investimentos para a região, trazer novas frentes de investimentos de empresas para aquela localidade, novos loteamentos, até a própria exploração agrícola da região vai acabar melhorando”, finaliza.

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