Mais do que um curso de língua portuguesa, a iniciativa criada pela estudante Maria Teresinha Rosa Bertholdi é uma oportunidade de inclusão social para os haitianos que vivem em Jaraguá do Sul e região.

Com o intuito de fazê-los compreender melhor o idioma do Brasil, a jaraguaense teve a ideia de executar o projeto no ano passado durante um estágio que realizou no Centro de Referência de Assistência Social (Cras), do bairro João Pessoa.

Na época, Maria realizou um levantamento nos bairros Vieiras, Vila Lalau, São João e Santa Luzia para entender quais eram as principais demandas dos Cras nestas localidades.

Foto Divulgação

Durante o estudo, ela descobriu que dos 173 atendimentos feitos nos CRAS do município, 64% atendimentos no Centro de Referência do João Pessoa eram prestados para haitianos. "Era muito difícil atender, porque a maioria deles não sabia falar português", conta Maria.

Ela sentiu necessidade de ajudar e viu a sala de aula como uma ferramenta para estimular a inclusão dos imigrantes haitianos na sociedade.

O que era apenas um trabalho de estágio virou realidade quando uma faculdade da cidade resolveu adotar a iniciativa. As aulas começaram no segundo semestre de 2018 com a participação de 80 alunos.

Dedicação total

Hoje, Maria trabalha como voluntária e se diz realizada. Na avaliação dela, é positivo que os haitianos estejam inseridos no ambiente universitário. "É uma oportunidade que eles têm de serem vistos e quem sabe conseguir alguma bolsa de estudo", completa.

Ela destaca ainda que muitos haitianos já possuem formação no ensino superior. "No Brasil, há muita burocracia para o certificado deles ser reconhecido", explica.

Essa é uma realidade que Ernst Louis conhece bem, formado em administração e turismo no Haiti, ele encontrou dificuldades para entrar no mercado de trabalho, quando veio para o Brasil em 2012.

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Atualmente, Louis trabalha em uma metalúrgica em Jaraguá e está matriculado no curso de Processos Gerenciais. "Fiquei um ano sem trabalhar e o estudo da língua portuguesa com certeza me ajudou conseguir mais oportunidades", garante.

Segundo Maria, mais alunos que estavam desempregados conseguiram trabalho enquanto participavam do projeto. "Eles falam outros idiomas como o crioulo, francês, e inglês e agora estão aprendendo o português", comemora.

"É interessante ver a evolução em cada aula. Eles aprendem muito rápido", comenta.

Cerca de 150 alunos já foram beneficiadas pelo programa. Uma nova turma deve iniciar nesta quarta-feira (4).

As inscrições podem ser feitas no Cras João Pessoa e no Cras Ilha da Figueira.

 

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