O desemprego no Brasil tem atingido taxas assustadoras especialmente para aqueles que sequer cruzaram essa porta pela primeira vez. Dados recentes do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) apontam que 1.049 milhões de jovens entre 14 e 17 anos são vítimas de desemprego no país, o que representa uma taxa de 42,7%. Na faixa de jovens entre 18 e 24 anos, são 4.154 milhões, uma taxa de 26,6%.

Entre os motivos apontados para a alta taxa de desemprego entre os jovens está a falta de experiência e para tentar minimizar esse impacto, preparando os jovens, especialmente de baixa renda, o CIEE (Centro de Integração Empresa-Escola) formou, na sexta-feira (5), 60 deles, por meio do PIT (Programa de Iniciação ao Trabalho).

A coordenadora da agência do CIEE em Jaraguá do Sul, Roberta dos Anjos Moreira, explica que pelo menos duas vezes ao ano, turmas são formadas para preparar os jovens.

Ela conta que o curso, que tem duração de um mês, visa deixar os jovens preparados para as primeiras etapas do mercado de trabalho, desde a elaboração do currículo até as rotinas administrativas básicas, como organização de arquivos.

O objetivo é deixar os jovens preparados para as primeiras etapas do mercado de trabalho. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Os 60 jovens iniciaram o programa no dia 10 de setembro e Roberta conta que foram selecionados com o auxílio do setor de assistência social do município. As duas turmas que serão formadas nesta sexta foram consolidadas por meio do Cras (Centro de Referência em Assistência Social) Santo Antônio, conta a coordenadora.

“Os jovens que participaram do curso recebem algum tipo de atendimento ou no Cras ou no Creas”, diz.

Chance de reverter as estatísticas

O CIEE, ressalta a coordenadora Roberta dos Anjos Moreira, busca a iniciação no mercado de trabalho visando um estímulo social. “É uma luz para ele conseguir se destacar, é uma esperança a mais e a gente acaba trabalhando a família inteira. Tentamos plantar um grãozinho de esperança”, destaca.

Com o curso, a jovem Jéssica Carol Volkmann, 19 anos, estudante de fisioterapia, sente-se mais bem preparada para buscar uma vaga no mercado de trabalho. Além disso, ela destaca a importância de ter aprendido como administrar o tempo e o orçamento pessoal. Já Diego Freitas, 15 anos, aprendeu a forma adequada de se comportar numa entrevista de emprego e como procurar uma vaga de trabalho.

Além de preparar o jovem para o mercado de trabalho, a coordenadora diz que o trabalho também é comportamental e psicológico, uma vez que mostra ao jovem que ele também tem voz ativa.

“É também ensinar a se posicionar. Não é porque ele tem 14 anos ou possui renda mais baixa que deve se sentir diminuído”, pontua.

Ela destaca ainda a importância da parceria com empresas, visando aumentar as portas de trabalho e desenvolvimento dos jovens que precisam dar o primeiro passo no mercado de trabalho para não se tornar apenas parte da estatística, que aponta o crescimento do desemprego.

Todos terão o apoio do CIEE, que os encaminha às empresas que oferecem vagas dentro do Programa Jovem Aprendiz.

“É fundamental que as empresas abram as portas para o jovem aprendiz, para estágio. Aqui, em 85% das vezes, nós recebemos não das empresas e há vagas. Então, não estamos procurando onde não tem”, finaliza.

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