Prédio da antiga Sebus começa a ser demolido após autorização do Comphaan

Cotidiano

Por: Natália Trentini

quarta-feira, 08:00 - 07/02/2018

Natália Trentini

89 anos na paisagem urbana de Jaraguá do Sul, na última semana o imóvel chamado por diversos nomes – na história recente reconhecido como prédio da antiga Sebus começou a ser desmontado na rua Domingos da Nova.

A demolição foi autorizada pelo Comphaan (Conselho Municipal do Patrimônio Histórico, Cultural, Arqueológico, Artístico e Natural) no fim do ano passado, uma vez que a Fundação Cultural havia notificado os proprietários sobre o interesse de tombamento.

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Conforme a secretária de Cultura, Esporte e Lazer, Natália Petry, que também é presidente do conselho, os proprietários entraram com um pedido para paralisar o processo de tombamento por entender que a edificação sofreu mudanças que alteraram seu valor histórico.

“Avalio que esse conselho está extremamente preocupado e pautado na responsabilidade, seja pelo tombamento ou demolição. O que adianta sair tombando tudo, se os proprietários desconhecem os procedimentos de conservação?”, questiona a secretária, argumentando que existem muitas dúvidas entre os proprietários dos 90 imóveis tombados pelo município.

Natália afirma que a cultura da preservação está pouco presente na história da cidade e são necessários critérios mais claros. Segundo levantamento do setor de Patrimônio Histórico, o prédio foi projetado em 1928 para abrigar um engenho de beneficiamento de arroz.

A obra foi assinada pelo engenheiro e arquiteto Guilherme Schmitz, contratado pelo comerciante Reinoldo Rau, que já tinha um comércio – incluindo açougue, queijaria e posto de combustíveis – na esquina com avenida Marechal Deodoro da Fonseca.

Em 26 de janeiro de 1929, o jornal O Correio do Povo publicou nota comunicando a abertura do engenho, que estava equipado com moderno maquinário e tinha capacidade de produção diária de 40 sacos. Em 1953, Reinoldo Rau vendeu o engenho para a Fecularia Rio Molha, de Adolfo Antônio Emmendoerfer.

Pelas décadas, o prédio passou por inúmeras reformas, dos originais 760 metros quadrados, atualmente a área estava em 160 metros quadrados.

Apesar das intervenções que a edificação sofreu ao longo do tempo, as características históricas e construtivas originais (a técnica de alvenaria autoportante, que não é mais utilizada) estavam em bom estado de conservação, pontua o relatório do setor.

Prédios tiveram proteção revertida

Pelo menos três outros prédios tiveram a proteção do Patrimônio Histórico revertidas no ano passado. Os casos eram pontuais, afirma a presidente do Comphaan, Natália Petry. No caso do Hotel Dassi, atingido por um incêndio, ela destaca que os proprietários terão que construir uma réplica da fachada.

Já na situação do Bar e Lanchonete Boaventura, demolido em novembro, os conselheiros avaliaram que a memória de José Boaventura, antigo proprietário, tinha valor histórico, não o imóvel.

Já a Casa Moretti, em Nereu Ramos, foi um pedido da Prefeitura para construção de uma rotatória no local. Natália pontua que a pauta do conselho foi limpa no ano passado, com avaliação de processos parados desde de 2009.

Nesta quarta-feira (7), em reunião extraordinária, o grupo analisa o pedido de destombamento da casa que abriga o Colégio Canguru.

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