A pandemia de Covid-19 tem múltiplos efeitos na rotina da população do mundo todo. Com as medidas de isolamento social, esse distanciamento entre as pessoas trouxe um fenômeno oposto dentro de muitos lares: a aproximação familiar.

A relação entre avós e netos representa esse cenário.

O primeiro momento foi de afastamento, conta Gizéle Reddin, 37 anos, já que Enzo, agora com 8 meses, havia acabado de nascer quando o coronavírus chegou a Jaraguá do Sul.

Ela e Ricardo Fachini, 42 anos, tomaram todos os cuidados durante os meses de licença, evitando qualquer contato externo.

Os pais do casal, que estão no grupo de risco, acompanharam esses primeiros dias do neto à distância - o retorno do contato aconteceu gradualmente, conforme foram compreendendo melhor como manter o cuidado.

Gizéle e Ricardo com o pequeno Enzo, que nasceu pouco antes da chegada do primeiro caso | Foto: Arquivo Pessoal

E também veio a necessidade. “Após o término da licença maternidade, foi necessário o meu retorno ao trabalho. Com isso, contei com o apoio dos avós para os cuidados com o bebê. Foi fundamental saber que ele estava aos cuidados da minha mãe e com isso, o meu retorno ao trabalho foi muito mais tranquilo”, ressalta.

A relação tem ficado restrita ao núcleo familiar com a mãe de Gizéle, Maria, 69 anos, tomando conta do Enzo durante a semana; os avós paternos Vergínia, 69, e Mário, 72, assumem os cuidados no fim de semana.

“A melhor parte é que estou cuidando dele diariamente, se não fosse a pandemia, possivelmente ele estaria na creche. O maior desafio foi voltar a cuidar de uma criança após tanto tempo”, comenta Maria.

Vergínia e Mário aproveitam o contato com o neto nos fins de semana | Foto: Arquivo Pessoal

Para os avós, esse contato mais intenso com o Enzo têm sido extremamente positivo por ajudar a esquecer as restrições que a pandemia trouxe para pessoas da terceira idade. Eles interromperam todas as atividades externas, até idas ao supermercado ou farmácia.

Vó Maria cuida do Enzo durante semana para ajudar a filha. | Foto: Arquivo Pessoal

O que mais se destaca dessa relação é o retorno às brincadeiras, a dar valor para as pequenas coisas: de uma caminhada no jardim com o pequeno ao cochilo após o almoço.

“Esta troca é muito importante, tanto para o bebê quanto para os avós, pois além do amor incondicional, eles transmitem tranquilidade e experiência. E foi notável o quanto a chegada do Enzo foi importante para nossos pais, pois trouxe alegria e leveza para este período de isolamento”, comenta Gizéle.

Uma troca de experiências

Se a experiência dos pais tem sido fundamental para ajudar Tahiana Spieker, 30 anos, nos cuidados com a filha Beatriz, de 3, com o retorno ao trabalho presencial, essa via é de mão dupla. A espontaneidade da filha alegra a rotina de Waldemar, 64, e Janir, 55.

Sem poder ir à escola, a pequena fica sob os cuidados dos avós durante a semana. Tahina sai de casa somente para trabalhar.

“Para evitar o contágio, todos, praticamente deixamos de sair para almoçar, jantar, viajar, passear, e o dia a dia é em casa ou em pequenas caminhadas pela vizinhança”, comenta.

Vô Waldemar acompanha a netinha nos passeios de bicicleta pela rua | Foto: Natália Trentini/OCP News

“Estar com ela é encantador porque as crianças nos fazem relembrar o que já fomos e o que já vivemos com nossos filhos. Nos fazem vivenciar simplicidades como misturar água com areia para fazer castelinho, rasgar folhas para fazer comidinha e sermos doutores de bonecas e dela própria. Amamos a Beatriz!”, comentam os avós, ressaltando que apesar da leveza, esse cuidado diário também traz responsabilidades com a educação da pequena.

As brincadeiras e risadas em família viraram refúgio para uma rotina de isolamento | Foto: Natália Trentini/OCP News

“Não somos pais e sim avós. Mas como ela está conosco e sob nossa responsabilidade, os limites têm que ser oferecidos porque acreditamos que a vida se torna melhor quando crescemos conscientes deles. Tudo com o devido respeito às possibilidades e a idade dela”, pontuam.

 

 

Os avós comentam que estar com uma criança diariamente é desafiador, mas traz uma grande alegria e a quebra na rotina que agora inclui brincar de casinha no parque adquirido pela família durante a quarentena, andar de bicicleta, regar as plantas, cantar, jogar bola… A lista de brincadeiras é extensa.

A filha vive junto e a mãe comenta que receber o suporte dos pais foi essencial para poder seguir a rotina profissional.

“A Beatriz está se descobrindo como uma pessoa autônoma, buscando liberdade, se descobrindo e descobrindo o mundo! Essa forma dela, fresca, nova, livre de ver o mundo ensina a eles e acaba trazendo uma nova forma de olhar a vida, assim como eles trazem o olhar de quem já viveu tantas experiências, já sabe tanto da vida e do mundo, de quem age com a segurança e com o amor que só os avós têm”, finaliza Tahiana.

 

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