A intolerância religiosa é responsável por uma série de conflitos ao redor do mundo. Discriminar grupos de diferentes crenças, muitas vezes com atitudes agressivas, é prática recorrente na sociedade. Com a aproximação do Natal, época em que a espiritualidade e a solidariedade são evidenciadas, também é o momento em que as diversas religiões pregam a importância da união e da comunhão em família. Mesmo com as diferenças que cada crença carrega, a fé, que é comum a todas, se renova no amor e na caridade. A REVOLUÇÃO DO PODER DO AMOR, DO PERDÃO E DA SOLIDARIEDADE O Natal representa, na religião Luterana, o momento em que os céus de fato se abriram e Deus desceu através do seu filho, Jesus, até nós. É nessa época que o Deus eterno se revela na trindade: o Criador, o Salvador e o Espírito Santo. Conforme o pastor da Comunidade Luterana Apóstolo Pedro, William Bretzke, Jesus desceu à Terra para falar do amor, do perdão e da solidariedade, o que aconteceu na noite de Natal. “Alguma coisa muito grande aconteceu ali, com a revolução do poder do amor, do perdão, da misericórdia, que, para nós, continua sendo a grande mensagem do Natal”, explica. Na Comunidade Luterana, existem grupos de trabalho que se reúnem para confraternizar e celebrar o Natal. Entretanto, os grandes momentos acontecem a partir da primeira semana do Advento. “São as quatro semanas que antecedem o Natal, por isso os luteranos têm a coroa de advento, que contém quatro velas. Elas representam cada domingo e, conforme eles passam, as velas vão sendo acesas”, explica. A tradição, segundo o pastor, é típica luterana, assim como o pinheiro. Ele enfatiza que o Natal é uma festa de luz, assim como Jesus é a luz do mundo, e as velas simbolizam isso. Durante o período ocorrem diversas celebrações, com culto, cantata, concerto da orquestra com coral, teatro, entre outros. Para viver o Natal, aponta o pastor, é necessário seguir os ensinamentos de Cristo “Jesus nos fala de amor, quem não quer ser amado? Ele fala de perdão, quem não precisa de perdão? Se as nações se perdoassem um pouquinho mais, se as pessoas se perdoassem — porque ninguém de nós tem tanta moral para não liberar perdão, nós somos todos tão humanos — viveríamos outra realidade. Jesus também veio trazer solidariedade, ele se compadecia com as pessoas e, no momento que nós nos compadecemos, alguém usou a frase: é o filé mignon da vida. Porque quando eu faço uma gentileza para alguém, eu que sou enriquecido. E finalmente ele veio trazer o cuidado: a criança precisa ser cuidada, o idoso precisa ser cuidado, e nós lá no meio precisamos ser cuidados”, aponta.