Criadas para oferecer qualidade de vida e fomentar o espírito coletivo, as hortas comunitárias têm atraído a atenção de quem procura uma maneira simples e eficiente de compensar a correria do dia a dia. Em busca dos benefícios desta prática, oito novas comunidades deverão começar a cultivar suas hortas nos próximos meses, recebendo o apoio do Projeto Germinar, da Prefeitura de Jaraguá do Sul. Cerca de 200 famílias estarão envolvidas com os novos espaços, que passarão a somar forças com outras 20 hortas comunitárias mantidas atualmente pelo projeto. Com a chegada do outono, também tem início a época de plantio das hortaliças e, como reflexo, o aumento do interesse na atividade. “O calor intenso do final de dezembro e as chuvas constantes nos obrigou a dar uma pausa. Agora, estamos retomando as ações, construindo as novas hortas e efetuando a manutenção de algumas outras”, explica o coordenador do projeto, Ambrósio Lino Becker. Criada em 2013, a iniciativa beneficia hoje mais de 500 famílias. Para participar, a comunidade precisa primeiramente demonstrar interesse em aderir ao projeto. “Depois disso, é feito um levantamento do terreno sugerido ou a busca por um terreno, coordenada pelo Instituto de Pesquisa e Planejamento Físico-Territorial de Jaraguá do Sul (Ipplan). Havendo a possibilidade, cadastramos as famílias e daí é só começar”, detalha Becker. “A avaliação do local é muito importante, pois já tivemos que encerrar as atividades em alguns lugares porque alagava ou era de difícil acesso”, complementa. Com o auxílio de máquinas, é feita a terraplanagem, a retirada de resíduos e a montagem dos canteiros. Cada família fica responsável por um dos canteiros e, por meio de um coordenador, recebe orientação para a manutenção do espaço. “Procuramos não engessar as comunidades. Deixamos cada local livre para que eles criem sua própria maneira de cuidar”, comenta Becker. Em Três Rios do Norte, a dedicação da comunidade trouxe resultados surpreendentes. O coordenador da horta, Jorge Luiz Mashio, de 50 anos, relembra que a atividade começou com um espaço pequeno, e foi crescendo até envolver 25 famílias. Agora, o local não somente produz frutas, hortaliças e temperos orgânicos, como se transformou na recreativa oficial da comunidade. “É uma maravilha, todo o mundo adora. Segunda-feira mesmo fizemos um jantar com aipim, galinha e rúcula fresca que colhemos aqui. É uma boa terapia”, relata o morador, mostrando o fogão a lenha, a churrasqueira e as mesas coletivas do local. Segundo ele, a horta também é uma ótima maneira de introduzir as crianças ao universo da alimentação saudável. “É até um jeito de relembrar a infância, quando nossos pais cultivavam alimentos no quintal”, diz ele. Para o futuro, a expectativa é que o projeto evolua cada vez mais. Para isso, entretanto, a Secretaria de Agricultura ainda esbarra na limitação de pessoal e maquinário para o trabalho. “O ideal seria termos uma equipe maior, para poder atender a todos os pedidos”, afirma Becker.