Uma nova espécie de mini sapo foi descoberta no Morro Santo Anjo, em Massaranduba, no Norte de Santa Catarina.

Batizado de Brachycephalus mirissimus, o animal, que tem entre 10 e 13 milímetros, foi descoberto no começo do ano, mas aceito pela comunidade científica após publicação em uma revista internacional no último dia 3.

O sapinho pertence ao gênero Brachycephalus e chama atenção pela sua coloração em um forte tom alaranjado.

Foto Divulgação

O dorso do corpo traz uma listra branca e uma mancha arredondada na cabeça, uma das diferenças em relação a outras espécies de mini sapo também identificadas ao longo do projeto.

O pequeno animal encontra-se no grupo dos menores vertebrados do mundo. Essa característica deve-se a um processo evolutivo chamado miniaturização, o que dá à espécie uma vantagem estratégica para sobreviver às condições da montanha.

“Além disso, por viverem em lugares íngremes e úmidos, mas sem a presença de grande quantidade de água, durante o processo evolutivo, esses sapinhos da montanha também adquiriram outra característica própria: eles não passam pela fase de girino”, relata um dos pesquisadores que descobriram a nova espécie, Luiz Fernando Ribeiro.

Importância da preservação

A pesquisa que levou a nova espécie foi conduzida pelo Instituto de Estudos Ambientais Mater Natura, de Curitiba. No total, 15 espécies de mini sapos foram descobertas pelo projeto ao longo de cinco anos – o que reafirma a importância da preservação da Mata Atlântica.

Foto Divulgação

A nova espécie foi encontrada apenas em uma montanha da região e com baixa densidade populacional. Os dados da pesquisa apontaram que as condições e a perda de vegetação nativa na área, com a plantação de pinus e eucaliptos, são preocupantes.

Caçadores de sapos

Em entrevista publicada na Folha de S. Paulo em 2015, o biólogo e pesquisador Luiz Fernando Ribeiro contou as técnicas para encontrar essas pequenas criaturas.

Para localizar os “sapinhos da montanha”, como são chamados, os biólogos dependem do canto dos machos em época de reprodução – que acontece no verão. Fora desses período, é praticamente impossível localizar o sapo.

Ao ouvir o animal e fazer a localização, o próximo passo é gravar o coaxo. Depois é preciso, com cuidado, perceber aonde o som é mais forte e fazer a captura do sapinho.

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