O economista norte-americano Arthur Okun criou um indicador econômico chamado Índice de Miséria, que é encontrado somando-se a taxa de inflação mais a taxa de desemprego de um determinado país. Quanto mais elevadas as taxas de inflação e desemprego, maiores são os problemas sociais oriundos de tal situação. No caso do Brasil, estamos chegando a níveis elevados do Índice de Miséria. A inflação em 2015 terminou em 10,67% e o desemprego em 6,9%, totalizando 17,57%, conforme dados do IBGE. Dados iniciais de 2016 indicam que a inflação ainda avança. O desemprego deverá se ampliar significativamente, considerando que a economia brasileira deverá apresentar novamente desempenho negativo neste ano. Uma primeira dedução que tiramos é que, antes de o ambiente econômico melhorar, as condições gerais lamentavelmente devem piorar. Isso é o que costumeiramente chamamos de crise. Para se ter uma ideia da situação atual, vale lembrar que em 2012, dois anos após a eleição da presidente Dilma Rousseff, o índice se encontrava em 11,70% (inflação de 6,2% e desemprego de 5,5%), patamar aceitável para países com o perfil do Brasil. As razões que levaram o Brasil a atingir o elevado índice de inflação atual são conhecidas, principalmente, pelo aumento dos gastos do governo, câmbio artificial e represamento de preços administrados, como energia e combustíveis em 2013 e 2014. Terminada as eleições de 2014, os ajustes foram efetuados. Os preços administrados foram liberados, a desvalorização do real foi significativa, a inflação surgiu com força e a demanda e produção esfriaram. O desemprego, por consequência, cresceu e dá mostras que irá se aprofundar. Para reverter as taxas de inflação e desemprego e voltar a crescer, o Brasil depende basicamente da confiança da sociedade nas medidas a serem tomadas pelos governantes. Como nosso nível de confiança anda muito baixo, é difícil imaginar uma reversão das condições econômicas em curto prazo. Ao que tudo parece, por algum tempo não estaremos no grupo de Índices de Miséria baixo, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, entre outros, que possuem níveis de inflação somada com desemprego entre 5% e 10%. Mais parece que iremos pertencer ao grupo que tem Venezuela, Irã e Paquistão que possuem Índices de Miséria superiores a 30%. Aparentemente, vamos nos arrastar até as próximas eleições presidenciais a um custo social muito elevado. A não ser que…