O terceiro domingo de novembro é o “Dia Mundial em memória das vítimas de acidente de trânsito” e também o dia escolhido para a realização da caminhada anual “Marcha do Silêncio”, em Jaraguá do Sul.

Em sua 11ª edição, a marcha traz nesse ano o slogan “Uma caminhada pela vida, contra a violência no trânsito” e tem a intenção de conscientizar a população sobre os altos números de acidentes, além de lembrar e homenagear as vítimas dessa violência.

Uma das organizadoras do evento, Sueli Mader afirma que a caminhada é o centro do movimento, mas a campanha continua ao longo de 2019 com visitas em escolas e entidades que abrem as portas para que possam mostrar a realidade do trânsito no munícipio.

Sueli destaca a importância da caminhada para prestar solidariedade ao próximo: “Esse é um momento de reflexão, um momento de olhar para dentro de você e olhar para o outro, olhar a dor do próximo e prestar solidariedade”, diz.

Ela conta que iniciou esse trabalho em 2008, quando perdeu o amigo em um acidente e afirma que o trânsito na região está melhorando bastante.

“Com todos esses programas de conscientização, como o transito seguro, há uma diminuição nos acidentes, ano passado registramos 53 mortes na região do Vale do Itapocu, esse ano foram 38 mortes até outubro”, afirma.

Uma das participantes da marcha, Maria Elizete Albano é mãe de uma vitima de um grave acidente de trânsito que ocorreu em janeiro de 2017 no bairro Vila Nova. Seu filho, Lucas Hioan da Costa tinha apenas 18 anos e estava a caminho da primeira aula da autoescola quando a colisão ocorreu.

O acidente

O jovem pegou carona com o amigo, Wesley Castro, em uma motoneta Honda Biz, e quando atravessavam um cruzamento foram arremessados por um veículo.

Wesley sofreu fraturas nas duas pernas e ficou internado por uma semana. Lucas sofreu Traumatismo Crânio Encefálico gravíssimo, teve uma lesão no pé direito e duas paradas cardiorrespiratórias, ele ficou cinco meses e nove dias no hospital e passou por cinco cirurgias na cabeça.

Lucas Hioan da Costa foi vítima de um grave acidente em 2017 | Foto Arquivo pessoal

Após o acidente, o jovem ficou com diversas sequelas no cérebro e se alimenta com uma sonda gástrica com ajuda da mãe, que precisou deixar o emprego na WEG para cuidar do filho.

“Os médicos falam que no caso dele não tem o que fazer, mas eu o vejo evoluir a cada dia, a passos lentos, mostra que tá entendendo e interage comigo. Eu acho que ele vai se recuperar, mesmo que demore, mas é muito difícil estar há dois anos cuidando do filho de 20 anos sem ver um sorriso”, diz ela emocionada.

Para a mãe, as pessoas precisam ter consciência das tragédias que a imprudência no trânsito pode causar.

“Acho que as pessoas deveriam participar mais de eventos como esse, pelo tanto de coisas ruins que acontecem no trânsito, mas só quem passa por um trauma como esse sabe como é doloroso ver um filho em uma situação como essa”, afirma.

No ano passado a marcha reuniu mais de 250 pessoas e os organizadores esperam que os números aumentem nesse ano, já que programas como este tem um importante papel de mostrar a realidade de famílias que enfrentaram fatalidades como esta.

Segundo dados levantados pelo 14º BPM de Jaraguá do Sul, em 2017 foram registrados 2.734 acidentes, sendo apenas cinco deles com óbito. Até setembro de 2018, houve 2.227 acidentes, seis deles com vitimas fatais.

PM apoia a marcha

O Capitão e chefe da Seção Técnica, Antonio Benda, afirma que a Polícia Militar estará presente na caminhada para prestar apoio e ajudar na organização.

“A Polícia Militar apoia todas as ações voltadas à promoção de conscientização de um trânsito mais seguro, e a Marcha do Silêncio não é diferente, auxiliamos em palestras, dados estatísticos e apoio nas campanhas educativas”, Afirma.

A passeata está marcada para o dia 18 de novembro, com concentração na Praça Ângelo Piazera e saída para a caminhada às 8h30.

 

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