Popular no dialeto africano para expressar união e conjunto, a palavra omunga, aqui no Brasil, também pode ser sinônimo de instrumento para transformação. O termo foi escolhido há quatro anos para nomear uma grife social que utiliza os seus lucros para investir na educação em cidades com baixos índices de desenvolvimento. O responsável por criar a Omunga foi o comunicador Roberto Pascoal, de Joinville. Após dez anos de dedicação à área de formação, o empreendedor sentiu a necessidade de se “desconectar” da sua rotina para encontrar um novo sentido à vida. Foi quando partiu para um período sabático na África onde se envolveu em projetos de educação, economia e saúde; atuou como professor de informática e agregou para si a vontade de melhorar a vida das pessoas menos favorecidas. “Ao fim de quatro anos, decidi voltar meu olhar para o Brasil, em regiões que vivem em contextos semelhantes de pobreza e que poucas organizações sociais trabalham”, conta Pascoal. A grife social foi criada com planejamento e esforço para trazer ao seu projeto voluntários capacitados e dispostos a se envolver na causa. As camisetas produzidas pela marca são vendidas pelo site da empresa e fabricadas por uma indústria jaraguaense. Em média, os produtos custam R$ 70. “A proposta é passar a sensação de liberdade e autonomia para quem compra, além dela poder se sentir fazendo parte de uma causa tão importante”, comenta. Pascoal também enfatiza a preocupação com a qualidade das peças.
Camisetas produzidas pela marca são vendidas pelo site da empresa e fabricadas por uma indústria jaraguaense | Foto Divulgação/OCP
O valor arrecadado com as vendas das camisas é aplicado nos custos operacionais da empresa, como viagens até os locais onde o projeto será instalado, manutenção das atividades e compra de equipamentos. “Nós selecionamos as cidades pelos seus indicadores sociais e nível educacional. Ao escolher, entramos em contato com a prefeitura para apresentar a iniciativa. Com tudo acertado, iniciamos o processo de engajamento das empresas locais para doação de livros, recursos e materiais de construção, por exemplo”, relata Pascoal. A ação da Omunga acontece por meio da construção de bibliotecas e formação contínua de professores. O foco na educação, segundo o empreendedor, segue sua convicção de que ela seja a principal ferramenta de transformação social. A capacitação dos professores acontece pelos profissionais selecionados da própria cidade, através de uma entrevista de nivelamento, e pelos voluntários do projeto. “Sentimos que depois de passar pelo programa, os professores ficaram mais entusiasmados e livres, cientes do seu poder de mudança”, garante. A Omunga já construiu três bibliotecas, duas no Piauí e uma na Angola. Mais de 4.500 crianças foram beneficiadas e 300 professores capacitados. No Brasil, segundo Pascoal, os gastos com as construções ficaram entre R$ 60 mil e R$ 70 mil.
Omunga já entregou três bibliotecas, duas no Piauí e uma na Angola, atingindo mais de 4.500 crianças e 300 professores | Foto Eduardo Montecino/OCP
Dificuldades financeiras Nos primeiros dois anos, a Omunga conseguiu construir duas bibliotecas. Já em 2016, pela falta de recursos, a equipe não teve condições de levar o projeto adiante. Pela crise econômica, a média de camisas vendidas anualmente não passou de três mil, quando o esperado era de quatro a cinco mil. Devido às dificuldades, a Omunga passou a ser constituída também como instituto. “O objetivo é termos outros meios de captar os recursos necessários para dar continuidade ao projeto”, salienta o fundador Roberto Pascoal. A grife joinvilense segue o modelo de empreendedorismo social, engajando parceiros para o desenvolvimento de produtos, gestão de processos, articulação e transparência, com foco em resultados para ser autossustentável e se desvinculando da filantropia tradicional. A Omunga também está participando do processo de aceleradora de startups recém-inaugurado em Jaraguá do Sul. De acordo com Pascoal, a intenção é fazer da grife um modelo de negócio escalável, vendendo mais de 50 camisetas por dia através da internet. “A atuação nas cidades está atrelada aos nossos resultados”, observa. A equipe agora está em contato com a cidade de Atalaia do Norte, na Amazônia, para aplicar o projeto. A intenção é iniciar a construção ainda neste ano. O município possui o penúltimo Índice de Desenvolvimento Humano (IHD) mais baixo do país. “A realidade dessa população pode ser outra. Elas têm uma história, sabedoria, só precisam de estímulo e estrutura para se desenvolverem”, acredita Pascoal. Para conhecer o trabalho da marca acesse: www.omunga.com ou a página Omunga, no Facebook