Um levantamento realizado pela Secretaria de Saúde de Jaraguá do Sul constatou que 18,9% dos pacientes faltaram às consultas agendadas nos postos de saúde do município, no segundo trimestre de 2016. Durante o período, foram agendadas 46.429 consultas, mas em 8.799 delas o paciente não apareceu. Segundo a pesquisa, a unidade com o maior índice de faltas no segundo trimestre foi a de Santa Luzia, com 25,3%. Já a unidade com o menor índice foi a do Rau, com 12,4% dos pacientes ausentes. De acordo com a diretora de atenção básica do município, Nádia da Silva, na maioria das vezes as faltas estão relacionadas à organização dos próprios usuários. Ela explica que boa parte dos pacientes ausentes esquece a consulta ou encontram alternativas, mas não avisam o sistema público. “Na semana passada, uma médica ficou doente e precisamos avisar os pacientes para remarcarem seus atendimentos. Quando ligamos, constatamos que de 12 pacientes agendados, cerca de oito não se lembravam da consulta”, relata a diretora. Segundo Nádia, o alto índice de faltas mostra que é preciso adotar um uso mais consciente do sistema público. “O profissional está sendo pago pelo município para atender à população. Se alguém falta, a equipe ainda estará lá, mas não com o seu aproveitamento máximo. Além disso, outras pessoas podem estar precisando de uma consulta e não conseguem porque aquele paciente está ocupando a agenda. Isso faz com que a fila de espera fique cada vez maior”, avalia. Na unidade do Rau, onde o número de faltas é baixo, a equipe adotou um sistema de triagem que seleciona e encaixa os pacientes mais graves conforme os horários ficam vagos. De acordo com a responsável pelo posto, Francisca Elsa Costa, a triagem é feita de manhã cedo e os pacientes ficam de sobreaviso, caso alguma consulta fique disponível. “Essa flexibilidade ajuda a diminuir o problema. Também colabora o fato de o nosso agendamento não ser tão para frente e o nosso público ser em boa parte de idosos, que costumam ser mais cuidadosos”, comenta Francisca. Por lá, são realizadas entre 40 e 55 consultas, dependendo do dia. Uma ação semelhante vem sendo realizada no posto da Santa Luzia, onde o índice de faltas ainda é alto. Segundo a enfermeira responsável, Daniela Boll, a unidade tem uma demanda muito grande por consultas sem agendamento e a equipe tem conseguido trabalhar de forma a conciliar as faltas com os atendimentos de última hora. “Temos conseguido evitar o desperdício de vagas, e atendendo aos pacientes que procuram o posto sem horário marcado, evitamos sobrecarregar o Pama”, analisa a enfermeira. pagina 51 pagina 52 Projeto busca amenizar o número de faltas Um projeto piloto adotado há cerca de um mês pela Secretaria de Saúde deve ajudar a diminuir os problemas com faltas. Trata-se de um sistema que envia um SMS aos pacientes, com dois dias de antecedência, relembrando a data e o horário da consulta agendada. Conforme Nádia, o sistema já está em fase de testes nas unidades de Santa Luzia e Tifa Schubert e deve passar por uma avaliação nos próximos meses. “Também estamos implementando uma ação piloto no posto de Águas Claras, recém inaugurado, em que a recepcionista vai ligar para os pacientes lembrando da consulta, como em um consultório particular. Queremos avaliar os efeitos de cada ação”, resume Nádia. Futuramente, a secretaria estuda ainda a criação de uma central telefônica interligada, com uma equipe focada na organização das agendas. Esta proposta, entretanto, ainda deve ficar no papel, já que exige recursos para a montagem do centro e a contratação de profissionais. Salvar Salvar