Dados da Vigilância em Saúde de Jaraguá do Sul mostram que a maioria da população não tem tomado os devidos cuidados contra a proliferação do mosquito da dengue. Segundo o coordenador do Programa de Combate ao Aedes Aegypti, Augusto Poffo, a cada 100 casas visitadas pelas equipes no município, 53% não cumprem com o compromisso de eliminar os criadouros. “O primeiro foco que encontramos na segunda-feira (11), no Água Verde, foi na mesma região que foi encontrado em 28 de dezembro. As pessoas que residem próximas ao Samae devem ter uma ação imediata, porque já temos a disseminação”, alerta. O coordenador aponta que os 32 focos encontrados em 2015 registraram um recorde em 15 anos de monitoramento. A equipe dispõe de 14 agentes de campo, três laboratoristas e um supervisor. “Temos 80.045 imóveis e o Programa Nacional preconiza um agente para cada 6.750 imóveis, portanto, estamos com número ideal”, salienta. “Das 206 cidades catarinenses, 28 estão infestadas e 57 estão em risco. Jaraguá do Sul por ser cidade-polo e circundada por rodovias, é considerada de risco”, esclarece. São 626 armadilhas distribuídas na cidade e 151 pontos estratégicos, como borracharias, lojas de materiais de construção e cemitérios. Desses pontos, 79 apresentaram deficiência no controle. “O que se tem notado é que a população não tem feito o ‘dever de casa’ em relação aos cuidados com a proliferação do mosquito”. No começo da semana, foi encontrado o primeiro do Aedes em 2016, no bairro Água Verde. os agentes de campo aumentaram o ritmo de visitas no entorno e alertam os moradores para a urgência na eliminação dos criadouros. Campanha intensificada A campanha contra a dengue em Jaraguá do Sul deverá ser intensificada. “Com certeza a nova campanha de divulgação que tivermos sobre o mosquito aedes aegypti não vai focar no zika vírus, mas sim, direcionar na orientação aos médicos sobre os diagnósticos dessa doença, assim como da dengue e chikungunya”, enfatiza o diretor de Vigilância em Saúde de Jaraguá do Sul, Dalton Fernando Fischer. Segundo ele, a partir do fim do recesso da Prefeitura, no próximo dia 25, a equipe da Secretaria da Saúde deve reunir informações sobre as melhores estratégias de prevenção. Dados do primeiro boletim do ano divulgado pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina apontam que existem 56 casos suspeitos da dengue e cinco de zika vírus. Dos 56, oito estão em Jaraguá do Sul. Os sintomas clássicos entre as três doenças são semelhantes e diferenciados por meio de exames. A supervisora da Vigilância Epidemiológica do município, Marinei Ostetto, confirma que em janeiro são acompanhados oito casos suspeitos de dengue (cinco homens e três mulheres). “Todos estão bem. Uma paciente deve retornar ao Hospital São José para reavaliação”, diz. “A atenção agora se volta para os sintomas dos pacientes com suspeita de dengue, e não mais na origem (onde foi adquirida a doença)”, enfatiza. Marinei lembra que em 2015 foram encontrados 32 focos do mosquito, 79 casos suspeitos e 13 confirmados, sem nenhum óbito. “Dos 13 que contraíram dengue, um deles aguarda resultado do Lacen (Laboratório Central) de Curitiba, de chikungunya”, observa. “Tivemos em torno de três mil nascimentos em 2015 e felizmente não registramos nenhum caso”, afirma Marinei.