Sem muitas delongas, o prefeito eleito de Guaramirim Luiz Antônio Chiodini (PP) pretende iniciar os trabalhos da nova administração ainda este mês. Ou, pelo menos, a parte que compete ao planejamento estratégico da gestão, que tem como principal bandeira a reestruturação da Prefeitura. Visivelmente feliz, mas ainda cansado pelo ritmo intenso da campanha, Chiodini falou sobre como deve ser o processo de transição do governo e ressaltou que só vai falar sobre cargos de confiança a partir de dezembro. Ciente da pequena diferença que determinou o resultado das eleições, Chiodini é taxativo ao dizer que estará aberto ao diálogo com qualquer cidadão e se diz confiante de que o trabalho com a Câmara de Vereadores será pautado pela boa convivência. Como será feita a transição do governo? O senhor mencionou que fará um planejamento estratégico, como será este trabalho? A transição, pelo que já conversei com o atual prefeito, vai ser muito tranquila. As portas da Prefeitura estarão abertas para a minha equipe. No processo de planejamento estratégico, nós vamos planejar a entrada na Prefeitura já com a equipe montada, trabalhando. No que diz respeito às secretarias, faremos um organograma, com os cargos que estão sendo ocupados, qual a função desses cargos, se há condições de compactação, se há necessidade de extinção de cargos, para que possamos realmente dar um novo modelo para a administração. O pessoal efetivo também vai ter um valor muito alto dentro da administração pública, porque sem eles não conseguimos administrar. E para que isso aconteça, precisamos ter esse primeiro contato com os funcionários de cada área. Só depois desse organograma da administração vamos começar a preencher (os cargos). O senhor já tem algum nome em mente para as secretarias? É um assunto para ser discutido com os presidentes dos partidos, mas não é o foco do momento. Primeiro, quero estabelecer o quadro, conversar com os funcionários efetivos e pré-determinar os cargos que serão extintos. Só vou falar de cargo de confiança a partir de dezembro. Nesta eleição, a cidade se mostrou bastante dividida. Isso aumenta o desafio da gestão? A gestão é desafiadora, sim, porque como eu disse nós vamos fazer um novo modelo de administração pública no município. Nós fizemos uma campanha em que não prometemos cargo para ninguém, os únicos dois cargos que estão garantidos é o meu e o do Osvaldo Devigili. Temos agora todo um processo de conversação e de análise dos nomes que poderão preencher as vagas. Mas sobre questão administrativa, para a população, os nossos votos e os votos dos nossos adversários têm o mesmo peso. Vamos trabalhar para o município de Guaramirim. Para mim não existem bairros, existe o município. Não existe eu, existe nós. Os pedidos particulares é que a prefeitura não pode atender, isso nós já sabemos por lei isso e o povo também sabe. Como o senhor avalia a desistência do candidato Paulo Veloso? De que forma essa decisão influenciou no direcionamento do pleito? Quero destacar que vai ser a última vez que eu vou falar sobre isso. Uma semana antes (das eleições) fizemos uma pesquisa e estávamos 1% a frente do Nilson Bylaardt. Esta pesquisa foi registrada no TSE e divulgada. E neste momento o Paulo Veloso ainda estava concorrendo. A desistência do Paulo Veloso e a declaração dele, em que deixou aberto que estariam liberados para escolher os candidatos, para mim não mudou muito. Eu sei que tiveram candidatos a vereadores do Paulo Veloso que trabalharam para o 15, e com incentivo, deixo isso bem frisado porque nós temos provas. Então a desistência do Paulo Veloso eu acatei com respeito, porque nenhum pai quer perder um filho, desestabiliza qualquer pessoa. Se pegarmos os votos válidos e colocarmos essa porcentagem [da pesquisa] eu fiz menos votos com a desistência do Paulo Veloso. Então não vejo que eu me favoreci, claramente, e para mim este é um assunto encerrado. Como avalia a composição da câmara? O que espera do trabalho com os vereadores? Nós iremos nos reunir com os nossos vereadores. Devemos conversar com eles, com os presidentes de partidos, orientar esse processo de negociação da presidência da Câmara. Eu, como prefeito, não vou me meter, eu vou deixar a Câmara fazer o papel dela. Eu quero uma parceria com a Câmara de Vereadores, queremos uma boa convivência, e sabemos que os vereadores eleitos da oposição são pessoas cultas e será fácil conversar com eles. O senhor tem acompanhado a situação econômica do município? Quais serão os desafios? Eu sei que a situação econômica do município é complicada. O que nós precisamos a partir da semana que vem, urgente, é nos reunirmos com a Aciag (Associação Empresarial de Guaramirim) para começar a colocar em ação o reativamente do Conselho de Desenvolvimento Econômico do município, para começarmos a fazer projetos e definitivamente colocarmos em vias de acesso a questão do condomínio industrial. Mas sabemos que o condomínio industrial não é a nossa salvação, porque ele já não comporta a necessidade de mão de obra que o município oferece. Temos que ver quais são os atores políticos que nós temos, senadores, deputados, para podermos melhorar o setor econômico do município, atraindo empresas. Precisamos investir em projetos de turismo, mudar o cenário guaramirense, a parte urbanística. Guaramirim perdeu a identidade, precisamos resgatar isso. Para isso tudo acontecer serão dias de muita luta, de decisões sérias e muitas vezes decisões que não serão agradáveis para alguns, mas que será sempre pensando em prol do nosso município. Com essas ações devemos conseguir fazer com que o município tenha um faturamento maior? Eu tenho certeza que sim. A partir do momento que o prefeito, com o seu grupo de trabalho, melhorar o atendimento ao empresário, ser mais ágil nas decisões, com certeza vamos dar um up no desenvolvimento do município. A Secretaria de Desenvolvimento terá o orçamento destinado e colocado a disposição da Aciag, para que a entidade através de suas câmaras técnicas faça projetos, que se aprovados sejam custeados por esse orçamento. A parceria entre o público e o privado será importantíssima. E com isso o setor privado também verá com melhores olhos os investimentos no município. Quanto mais empresas mais emprego, quanto mais emprego mais renda, quanto mais renda mais qualidade de vida, e quanto mais qualidade de vida, povo mais feliz.