O divórcio entre o diretor de Habitação Luís Fernando Almeida e o PP era inevitável. O desgaste se arrastava há anos. Na campanha municipal, em 2016, Almeida, que durante os quatro anos do governo Dieter Janssen presidiu o Procon, chegou a levantar suspeitas de que estaria fazendo jogo duplo, pedindo votos tanto para coligação PMDB/PP quanto para o ex-prefeito Ivo Konell, do PSB, com quem sua mulher tem um grau de parentesco. Uma foto dos dois em uma cafeteria na época da campanha circulou nos grupos de Whatsapp. Depois, na disputa pela presidência do PP, Almeida não conquistou o espaço que almejava e desde então mal conversa com a cúpula progressista, que o vê como oportunista e pouco confiável. Somado a isso, o relacionamento entre ele e a secretária de Assistência Social e Habitação, Maria Santin Camelo (PP), não é dos melhores e causa problemas na pasta. Por isso, a filiação de Almeida no PMDB, na noite de segunda-feira (2), não chegou a causar espanto. E com todos esses ingredientes, o divórcio não foi amigável. O presidente do PP, Ademir Izidoro, quase sempre contido nas suas afirmações públicas, não escondeu o descontentamento e disse que o partido vai fazer uma nova indicação ao governo para Habitação. “Já vai tarde. Mas o PP quer a Habitação, é um cargo nosso, o PMDB vai ter que decidir. Esse rapaz não tem uma conduta muito ética, parece biruta de aeroporto”, disse. Almeida por sua vez, minimizou a troca. Garantiu que já tinha recebido diversos convites do PMDB e que decidiu aceitar em função da expressão da sigla e da admiração que nutre pelo deputado estadual Carlos Chiodini. Também afirmou que tem um grupo político de cerca de 150 pessoas que devem seguir seu caminho e assinar ficha no PMDB, entre elas, 30 que estavam no PP. “Saio deixando amigos. Construí minha carreira política no PP”, disse ele, que em 2016 fez 1.700 votos para Câmara de Vereadores.