O dia amanheceu chuvoso e cinzento em Jaraguá do Sul. Com o passar das horas, a chuva deu uma trégua e o cinza permaneceu durante todo o dia no céu jaraguaense. As cores ficaram por conta das flores que tomaram conta dos cemitérios da cidade neste Dia de Finados.

Se a já tradicional chuva deu as caras na data em que as homenagens aos que se foram são intensificadas, as flores e velas também tradicionais no dia 2 de novembro enfeitaram os túmulos e jazigos desde as primeiras horas da manhã.

Antes mesmo que o relógio marcasse 10 horas, Osny Eger e Maria Gilma Eger já haviam colocado os vasos de flores, devidamente enfileirados, sobre os túmulos dos pais de Osny e sogros de Maria Gilma. “É uma coisa que a gente nunca esquece. Vai comer uma comidinha caseira e lembra da mãe, não tem como esquecer”, lembra Osny.

O cemitério central esteve repleto de flores. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

Com o cemitério central repleto de flores, o aposentado lembra a importância de manter viva a tradição. “Para mim nunca vai mudar, a homenagem, a lembrança, sempre vão existir, a não ser quando eu mesmo estiver aqui”, diz.Para Maria Gilma, a data é importante, mas é preciso estar atento às lembranças e homenagens não apenas durante um dia entre os 365 do ano. “Tem o dia que é especial, mas acho que quando tem uma oportunidade, as pessoas deveriam vir sem precisar esperar um dia específico para isso”, ressalta.

Enquanto volta a arrumar os vasos de flores, Osny enfatiza a necessidade de “dar valor” aos familiares.

“Parece que ninguém tem tempo para mais nada, até para a família. Muitos valorizam mais o trabalho do que as próprias famílias e acho que a data serve para homenagear, mas também para mostrar que é preciso dar valor não só aqui, mas principalmente quando as pessoas estão vivas. É isso que não pode morrer”, destaca.

Saudade que nunca morre

Com os olhos fixos na inscrição que trazia o nome do marido e a data de falecimento, em 2015, a aposentada Gertrudes Nobalsky Mueller arrumou as flores nos túmulos dos sogros e do marido, Waldemar Mueller.

Há três anos Gertrudes perdia o companheiro de vida, com quem teve três filhos, e a saudade bate sem aviso prévio. “Eu sempre venho, quando dá saudade eu venho”, diz com os olhos ainda fixos no túmulo.

Velas e flores fazem parte da tradição e das homenagens no dia 2 de novembro | Foto: Edu Montecino/OCP News

Com as flores já colocadas em seus lugares e velas nas mãos, a aposentada lembra o quanto o companheiro foi importante em sua vida e na dos filhos.

“É importante demais prestar homenagem porque ele foi um bom marido, um bom pai. A saudade é muito grande, ainda bem que meus filhos me apoiam e dão força para continuar vivendo”, diz.

Já enquanto acendia as velas com cuidado, Gertrudes se mostrou pouco otimista com a manutenção da tradição que levou os jaraguaenses aos cemitérios da cidade nesta sexta-feira (2). “Não acho que os mais jovens vão continuar cuidando, trazendo flores e mantendo a tradição. As coisas estão mudando muito e não se tem mais tempo para nada”, lamenta.

Venda de flores em queda

O movimento foi grande no maior cemitério de Jaraguá do Sul no Dia de Finados e, apesar do tempo fechado e cinza, as homenagens não foram deixadas de lado. Nas mãos, velas e as tradicionais flores. Naturais ou artificiais, as cores estavam presentes em praticamente todos os túmulos e jazigos do cemitério.

As flores trazidas pelas famílias dos entes queridos deixam o cemitério mais colorido e mostram que quem já se foi não é esquecido. | Foto Eduardo Montecino/OCP News

No portão de entrada, a tenda de venda de flores estava montada mais uma vez, assim como todos os anos, há cerca de uma década. Há três anos Greice Tomazini Koch ajuda a tia na venda e conta que o movimento já não é mais o mesmo.

“Vendemos, mas está mais fraco o movimento. O pessoal tem optado muito por trazer flores naturais, de casa e o clima não colaborou”, avalia. Apesar disso, ainda durante a manhã, a expectativa era de vender mil vasos durante todo o Dia de Finados.

Greice ressalta ainda a importância de manter as homenagens, tão tradicionais da data celebrada em 2 de novembro. “Quem morre sempre vai ficar no nosso coração, então, nada mais justo do que homenagear as pessoas que são importantes e que sempre amaremos”, finaliza.

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