Por William Fritzke | Foto Piero Ragazzi Por mais um ano, o município de Jaraguá do Sul está entre as cidades com mais de 100 mil habitantes com melhores índices de segurança pública de Santa Catarina. Em um ranking divulgado pela Secretaria de Estado de Segurança Pública (SSP), o município ficou com a menor taxa de homicídios, bem diferente da realidade nacional: o Brasil ocupa o 11° lugar como país com a maior taxa de assassinatos do mundo, de acordo com dados da OMS (Organização Mundial da Saúde) do ano passado. Segundo o levantamento, que leva em consideração ocorrências no Estado, Jaraguá tem taxa de 1,2 homicídio para cada 100 mil habitantes – a população chega a 167,3 mil de acordo com a última estimativa do IBGE –, com duas ocorrências registradas nesses primeiros quatro meses do ano. Em segundo lugar vem Brusque, com taxa de 1,6 e registrando também duas ocorrências, e Tubarão, com duas ocorrências e taxa de 1,9. Segundo o delegado regional Adriano Spolaor, esses números são reflexos do trabalho conjunto entre Polícia Militar e Civil na região. “Temos dificuldades no efetivo, mas, mesmo assim, temos um excelente trabalho conjunto entre PM e PC. Além disso, o trabalho das nossas equipes têm resultado em diversos criminosos presos, mostrando que aqui não há espaço para a criminalidade. Estamos satisfeitos com esses números”, afirmou Adriano. O comandante da Polícia Militar, tenente coronel Gildo Andrade, também avaliou como positivo o resultado. “Ficamos muito felizes em receber essa notícia, e de certa forma com isso temos um ânimo a mais para trabalhar. É sinal de que nosso trabalho está dando certo. A PM tem parte fundamental nesse resultado junto, claro, do trabalho da PC”, destacou Andrade. Entre as mais violentas no quesito homicídios, em primeiro lugar está a Capital, Florianópolis, com 68 ocorrências e taxa de 14,2 assassinatos a cada 100 mil habitantes. Na sequência, vem Joinville com 60 ocorrências até o momento e taxa de 8,6, e Itajaí com 11 ocorrências e taxa de 5,3. Palhoça teve uma taxa maior (6,2), porém, ficou em quarto no ranking por ter dez mortes, uma a menos que em Itajaí, e população menor. Palhoça tem 161.395 habitantes e Itajaí quase 209 mil. Outro dado positivo é de de acordo com o relatório, 199 dos 295 municípios catarinenses registraram taxa zero de homicídios. Em Santa Catarina, a solução dessa tipificação de crime chega a ser maior que a de países desenvolvidos, com uma média de 70%, segundo a SSP. Conforme o Mapa da Violência divulgado em 2016, Santa Catarina havia registrado 7,5 mortes a cada 100 mil habitantes – número que se torna uma exceção no país, onde a média é de 32,4 assassinatos por 100 mil habitantes. O índice de "normalidade" configurado na ONU é de 10 a cada 100 mil. Leia mais: Homicídios crescem 12% em Santa Catarina em 2016 Leia mais: Índice de homicídios não preocupa polícias da região Taxa de ocorrências em municípios com mais de 100 mil habitantes em 2017: • Jaraguá do Sul: 1,2 por 167.300 mil habitantes • Brusque: 1,6 por 125.810 mil habitantes • Tubarão: 1,9 por 103.674 mil habitantes • Lages: 2,5 por 158.620 mil habitantes • São José: 3,4 por 236.029 mil habitantes • Criciúma: 4,3 por 209.153 mil habitantes • Chapecó: 5,2 por 209.533 mil habitantes • Blumenau: 5,2 por 343.715 mil habitantes • Itajaí: 5,3 por 208.958 mil habitantes • Balneário Camboriú: 5,3 por 131.727 mil habitantes • Palhoça: 6,2 por 161.395 mil habitantes • Joinville: 8,6 por 569.645 mil habitantes • Florianópolis: 14,2 por 477.798 mil habitantes Os casos registrados em 2017 em Jaraguá do Sul 9 de janeiro: Rixa entre vizinhos no João Pessoa A primeira vítima de homicídio em Jaraguá do Sul em 2017 foi Gilberto Pasch, 47 anos. O crime aconteceu na rua Manoel Francisco da Costa. A Polícia Militar foi chamada para atender a ocorrência por volta da 0h28 da segunda-feira, 9 de janeiro. De acordo com a PM, após uma briga entre vizinhos, onde teria invadido a casa do desafeto de 30 anos, o homem foi morto a tiros. O autor do crime foi o dono da casa, de 59 anos, que não teve a identidade divulgada. 26 de março: Assassinato e suicídio na Tifa Martins RoseliRoseli Aparecida dos Santos Machado, 39 anos, duas filhas, foi morta na noite do domingo, 26 de março, às 21h24. O crime aconteceu na casa dela, na rua Das Palmeiras, no bairro Tifa Martins. Roseli foi morta pelo ex-marido, Severino Machado, a golpes de faca – pelo menos sete – na região do tórax. O corpo foi encontrado pela filha pequena. Depois do crime, Severino se escondeu em um matagal na região onde, segundo a polícia, seu corpo foi encontrado na manhã do dia seguinte. Ele teria se enforcado.   Taxa de roubos também é a menor Jaraguá do Sul também teve índices positivos nas estatísticas de roubos. O município ficou com a melhor colocação no Estado entre as cidades com mais de 100 mil habitantes. Foram 43 ocorrências, totalizando a taxa de 25,7. Em segundo vem Brusque, com 35 ocorrências e taxa de 27,8; e Lages, com 92 ocorrências e taxa de 58. Entre os municípios com maior incidência de roubos desponta Florianópolis com 1.055 ocorrências e taxa de 220,8. São José conta com 698 ocorrências e taxa de 295,7 e Itajaí com 402 ocorrências e taxa de 192,4. Vale ressaltar que a taxa é estipulada com base no número de habitantes, se fosse somente de acordo com o número de ocorrências, Joinville viria em segundo, com 736 registros. O levantamento também aponta que 74,8% dos roubos registrados em Santa Catarina são cometidos durante a semana - a grande maioria na segunda-feira e a noite, entre 18 horas e meia-noite. Tráfico é motivação para homicídios De acordo com levantamentos feitos pela SSP, a maior motivação dos homicídios continua sendo o tráfico de drogas – até agora, em 2017, eles representam 22,6% das ocorrências registradas no Estado. Entre as vítimas, 90,5% são homens e as idades mais comuns são de 18-24 e 35-59 anos. Quanto aos autores dos homicídios, o perfil se repete: a maioria dos criminosos também são homens (94,5%) e têm idades entre 18-24 e 35-59 anos. Em média, 70% dos casos envolve autores ou vítimas com passagens policiais.