Em 2018, Jaraguá do Sul registrou a menor taxa de mortalidade por acidentes de transporte dos últimos 21 anos. O índice foi de 7,5 óbitos por 100 mil habitantes, o que representa uma redução de 82% em relação a 1997, quando esta série histórica foi iniciada, com 42,4 mortes por 100 mil habitantes.

No geral, o número de mortes caiu 68%, passando de 41 para 13 entre os anos avaliados. Os dados levam em conta os óbitos de pessoas que moram em Jaraguá e cuja ocorrência de acidente foi no município. O estudo foi feito pelo setor de Planejamento da Secretaria de Saúde, Sistema de Informações de Mortalidade do Ministério da Saúde (SIM) e Vigilância Epidemiológica.

A pesquisa considera como sendo “acidente de transporte" todo aquele que envolve um veículo destinado ou usado no momento do acidente, em especial para condução de pessoas ou mercadorias de um lugar para outro.

Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul

De acordo com Luís Fernando Medeiros, do setor de Planejamento da Saúde, a cidade apresentava em 1997 a maior taxa de mortalidade por acidentes de transporte entre as 13 cidades catarinenses que hoje têm mais de 100 mil habitantes, quando analisado o local da residência da vítima e o local de ocorrência sendo na cidade em que residia.

Já em 2018 o município passou para a quinta posição. Conforme Medeiros, o posicionamento ainda pode ser melhorado, pois os dados do ano passado fornecidos por outras cidades são preliminares, havendo possibilidade de alterações no Sistema de Informações.

Especialistas apontam causas para redução

Para Medeiros, o resultado pode ser atribuído a uma soma de fatores, principalmente na legislação de trânsito. Veja algumas alterações que aconteceram no período:

  • Obrigatoriedade de uso do cinto de segurança (setembro de 1997);
  • Resolução do Contran que regulamentou o uso do capacete;
  • Resolução do Contran que definiu regras para o transporte de crianças;
  • Lei Seca, em 2008, que reduziu a tolerância para a quantidade de álcool no organismo e correção de suas brechas permissivas em 2012, 2016 e 2018.

Outros fatores citados por Medeiros são: o aumento da fiscalização no trânsito da cidade, com a instalação de redutores de velocidade eletrônicos e físicos, e novas tecnologias empregadas pela indústria automobilística, como freios ABS, por exemplo.

“Devemos destacar ainda a melhoria e qualidade na assistência pré-hospitalar móvel prestada às vítimas de acidente de trânsito pelos Bombeiros Voluntários e pelo Samu, além dos serviços hospitalares para o atendimento das emergências decorrentes dos acidentes de trânsito, tanto das equipes médicas e de apoio como da estrutura hospitalar disponível na atualidade”, acrescenta.

Ele também cita a contribuição de ações de conscientização da população em campanhas realizadas no município por ONGs, Polícia Militar e Comitê “Trânsito Mais Seguro”, entre outras iniciativas.

O diretor municipal de Trânsito e Transporte, Gildo Martins de Andrade Filho, concorda com os fatores apontados por Medeiros e complementa que também contribuíram para esse resultado o trabalho de fiscalização da Polícia Militar, melhoria da sinalização e infraestrutura das vias.

Outro fator destacado por ele é o aperfeiçoamento da legislação, lembrando que a Lei 13.281/2016 estabeleceu um aumento de 50% a 60% no valor das multas, como a aplicada para quem dirige sob influência de álcool, que passou de aproximadamente R$ 1,9 mil para R$ 2.934,70, além de suspensão da CNH.

 

 

Andrade Filho cita ainda a colaboração da imprensa em tratar o assunto com frequência e as inúmeras campanhas de conscientização dos motoristas realizadas por órgãos públicos e ONGs.

Ele acrescenta que ações nesse sentido também são desenvolvidas por empresas da cidade, como, por exemplo, a Duas Rodas, Weg, Marisol e Malwee, entre outras, que costumam abordar o tema segurança no trânsito em eventos voltados aos seus trabalhadores.

Capitão da PM também opina sobre taxa

Para o chefe da Seção Técnica do 14º Batalhão da Polícia Militar, capitão Antônio Benda da Rocha, essa redução na taxa de acidentes pode ser atribuída, sobretudo, à mudança no comportamento das pessoas no trânsito.

“A sociedade em si tem evoluído e as pessoas ficaram mais civilizadas”, avalia o capitão.

De acordo com ele, o recrudescimento da legislação, com punições mais severas aos condutores que cometem infrações de trânsito, duplicando o valor da multa em muitos casos, contribuiu para essa mudança de comportamento.

Foto: Prefeitura de Jaraguá do Sul

Seguindo as considerações apresentadas por Medeiros e Andrade Filho, o capitão acrescenta que o resultado se deve à uma associação de fatores e também cita a evolução tecnológica que deixou os veículos mais seguros ao incorporarem itens como cintos de segurança, freios ABS e airbags.

Ele ainda destaca o trabalho da engenharia de tráfego, que implica em instalar sinalizações adequadas nas ruas do município.

Embora os dados analisados pela Secretaria Municipal de Saúde demonstrem que o trânsito de Jaraguá do Sul apresente uma sensível melhora, para o capitão, “temos muito a evoluir ainda”.

 

Com informações da assessoria de imprensa.

 

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