Jaraguá do Sul é uma cidade em um vale, cortada por dois grandes rios. Essa geografia e o crescimento urbano às margens do Itapocu e Jaraguá fizeram os episódios com alagamentos e enchentes serem recorrentes no decorrer da história.

De acordo com o diretor de Defesa Civil Hideraldo Colle é preciso trabalhar constantemente a prevenção desses episódios, uma vez que nenhum evento é igual ao outro, variando a intensidade, o local, a forma de abrangência.

Nos últimos três anos, um levantamento do setor aponta a realização de 23 obras em diversos pontos da cidade - desde a drenagem da ponte José João Vailatti, na rua Walter Marquardt, até ampliação de vazão, contenção e desassoreamento dos pequenos ribeirões em pontos críticos de grandes rios. Um investimento estimado em R$ 4 milhões.

Colle afirma que a Defesa Civil, amparada pela secretaria de Obras, Agricultura, Fujama (Fundação Jaraguaense de Meio Ambiente) e Samae (Serviço Autônomo de Água e Esgoto), está com foco em resolver problemas estruturais da cidade - deixando de agir apenas em casos de emergência, como era de costume

A equipe técnica é responsável por apontar as prioridades e ações vão sendo executadas em diversas frentes.

“A gente fez uma galeria grande [canal extravasor, para ajudar na vazão do rio] na ponte do Behling e até hoje não passou água por lá. E não passou porque nós fizemos uma limpeza. Embaixo da ponte, antigamente, tinha uma ponte velha que foi desmanchada e foram deixados aqueles entulhos, que faziam a água represar”, comenta o secretário.

Como exemplificou Colle, a limpeza e desassoreamento dos rios é importante para escoamento durante as cheias. Foram toneladas de troncos, galhos, pneus, metais entre outros materiais que estavam no leito e nos pilares das pontes.

Já a contenção das margens com rochas evita essa deterioração continuada. Da mesma forma, uma ação tomada pelo Samae, Fujama e Ministério Público, o projeto mata ciliar, vai ter esse importante papel - uma vez que as árvores protegem as margens e absorvem água.

Se de um lado ajudar as águas a seguirem seu rumo natural tem sido um trabalho importante para evitar as enchentes e inundações, os alagamentos mais pontuais têm sido resolvidos com ampliações nas redes de tubulação e abertura de galerias, comenta Colle.

Essas ações têm sido conduzidas em locais onde há recorrência, e a colaboração dos moradores, que conhecem as particularidades da região, é levada em conta.

Cultura de prevenção e planejamento

O coordenador regional de Defesa Civil Osvaldo Gonçalves ressalta que todo o estado passou a consolidar ações preventivas com a efetivação do órgão em cada município.

Com tragédias como a de 2008, ficou nítida essa necessidade de compreender os aspectos de risco de cada região e trabalhar antecipando.

Atualmente existem sistemas para cadastrar desde grandes a pequenos eventos, o que contribui com a destinação de recursos estaduais e federais para obras.

“Estamos com a tendência da Defesa Civil ser pró-ativa”, ressaltada. Com isso, ele reforça o que Colle afirmou, o setor parou de ser visto como resposta emergencial e passou a ser incluído nas ações de planejamento do município.

“Hoje nós temos uma equipe técnica de tirar o chapéu. Todo dia, toda hora o pessoal está na rua para ver o que a gente pode melhorar”, comenta Hideraldo Colle. “Toda hora você precisa estar agindo, em Jaraguá do Sul dificilmente isso vai acabar, tudo vai depender do quanto chove, em quanto tempo, tem momentos que não tem tubulação que vai vencer”.

 

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