Jaraguá do Sul é reconhecida por ser um polo industrial, sendo sede para grandes potências nacionais e multinacionais.

Dos mais de 67 mil trabalhadores formais registrados no município, cerca de 34 mil vêm da indústria e estima-se que boa parte do setor de serviços também seja movido por essas grandes empresas. Os dados são da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação.

O cenário de industrialização pode ser observado historicamente. Ao fundar o “Estabelecimento Jaraguá”, o colonizador Emílio Carlos Jourdan contratou ferreiros, marceneiros, carpinteiros, pedreiros e lavradores, a maioria vindo do Nordeste, para atuar em engenho de açúcar, farinha de mandioca e de fubá, olaria e serraria inaugurado em julho de 1876.

“Ou seja, a abertura do engenho pode ser considerado o pontapé para a industrialização na região”, comenta o secretário Desenvolvimento Econômico e Inovação Daniel de Arruda. O projeto de Jourdan, em si, não conseguiu ir adiante, mas foi uma semente.

Muitos trabalhadores de Jourdan ficaram por aqui e aos poucos, as terras começaram a ser vendidas para imigrantes.

Foto Chan/We Art

No livro “O Arco-íris encoberto”, onde o historiador Ancelmo Schörner se debruçou sobre o processo de industrialização de Jaraguá do Sul, ele pontua três períodos distintos: o primeiro deles foi a passagem do nível de subsistência e agroexportador à fase do artesanato, ligada à transformação dos produtos agrícolas e produção têxtil para o consumo.

A chegada da ferrovia em 1910 foi outro marco nessa história de desenvolvimento. O trem passando pela cidade mudou o perfil de uma economia de subsistências e pequenas indústrias domésticas, permitindo um escoamento do excedente da produção agrícola e de produtos manufaturados.

“Além disso, o fato da cidade ser cortada por dois grandes rios (Itapocu e Jaraguá) fez com que muitas indústrias se instalassem às suas margens para utilizar a água como matéria prima para a produção”, diz o secretário.

Alguns dos primeiros registros de processos manufaturados estão no Museu Emílio da Silva.

Ainda com raízes artesanais e agrícolas, um exemplo é a Charutaria Butzke, que produzia cigarros com tabaco plantado na região; a Queijaria e Firma Weege, que surgiu em 1906 pelas mãos de Wilhelm e Wolfgang Weege produzindo de laticínios da marca Tabu; o curtume de Arnoldo Schmidt e a Max Wilhelm.

Registro da Queijaria e Firma Weege. Foto Arquivo Histórico de Jaraguá do Sul

Mas o marco da industrialização se deu mesmo foi com o surgimento da primeira indústria têxtil de Jaraguá do Sul, em 1936, pondera Arruda.

A Malharia Marquardt, fundada por Henrique Marquardt e o filho Heinz Marquardt, foi um pontapé para um setor que não parou mais de crescer, tornando o município reconhecido como “Capital da Malha” na década de 1980.

Entre 1930 e 1960, acontece o segundo período de industrialização, caracterizado por alterações estruturais nas redes de energia, transportes, sistema de crédito e desenvolvimento demográfico, que permitem o surgimento da pequena indústria.

Fachada do primeiro parque fabril da história da WEG. Hoje conhecida como a WEG I em Jaraguá do Sul | Foto Divulgação/WEG

Segundo o livro de Schörner, no início dos anos 1940, Jaraguá do Sul era considerada como o quarto município mais industrializado de Santa Catarina, mesma época em que começa o controle sobre as manifestações culturais dos imigrantes, com a proibição de falar em alemão e italiano em público, e o fechamento de escolas e clubes.

“O terceiro período tem início com a inserção da cidade na economia nacional, a partir de 1960, quando se consolidam uma série de empresas, surgem outras e têm início as exportações em grande escala”, destaca o livro, sobre o final da década de 1950 e início de 1960.

Olhando o processo de urbanização do município, também se percebe essa transição de perfil agrícola para industrial.

Segundo dados do censo do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia Estatística), disponibilizados pela Secretaria Municipal de de Planejamento e Urbanismo, até 1970 existiam mais pessoas na área rural do que na urbana.

A proporção se inverteu na década de 1980 e mudou completamente no final dos anos 1990, quando 77% da população estava na cidade e 22% no interior.

O que define uma indústria?

A empresa, para ser considerada indústria, precisa ter em seu registro as atividades econômicas enquadradas na classificação “C” da Comissão Nacional de Classificação (Concla).

Essa seção compreende as atividades que envolvem a transformação física, química e biológica de materiais, substâncias e componentes com a finalidade de se obterem produtos novos.

Os materiais, substâncias e componentes transformados são insumos produzidos nas atividades agrícolas, florestais, de mineração, da pesca e produtos de outras atividades industriais.

Indústria metal mecânica | Foto Chan/We Art

Empregos e riqueza

Segundo dados do Observatório Fiesc, disponibilizados até 2019, existem cerca de 1,2 mil indústrias em Jaraguá do Sul - responsáveis por gerar mais de 34,4 mil empregos diretos. E são as indústrias de grande porte que mais empregam, correspondendo a 65% desse total.

Em torno de 13,3 mil pessoas trabalham na indústria têxtil, sendo responsável por cerca de 38%; na sequência está a de equipamentos elétricos com mais de 9,4 mil pessoas; e de máquinas e equipamentos com 2,6 mil pessoas.

O setor de serviços é responsável por uma fatia tão expressiva quanto a indústria, conseguindo gerar mais de 32,4 mil empregos em mais de 3,6 mil negócios.

Industria têxtil | Foto: Arquivo OCP News

Quando analisada a geração de riqueza, os dois setores possuem praticamente a mesma importância, gerando cerca de R$ 2,9 bilhões anuais em PIB (Produto Interno Bruto).

Segundo o Observatório da Fiesc, o setor da indústria é responsável por 43,27% da participação na atividade econômica do município, um pouco atrás do setor de comércio e serviços, que representa 44,39%.

“No entanto, sabemos que existem inúmeras empresas de serviços que existem por conta das indústrias, que são fornecedoras de insumos, peças e matérias-primas para as grandes indústrias”, pontua Arruda.

Sétimo PIB de SC

Jaraguá do Sul registrou o 7º maior Produto Interno Bruto entre os municípios catarinenses, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), divulgados em 2021. Os valores se referem à passagem de 2017 para 2018. Com um PIB de R$ 8,9 bilhões, o município registrou uma alta de 5,5% no período, ante aos R$ 8,5 bilhões de 2017.

Perfil econômico e futuro

No planejamento para o futuro, o município prevê ainda áreas de desenvolvimento industrial mais tradicionais, com áreas de instalação especialmente no Rio Cerro I, parte do Rio da Luz, João Pessoa e Ilha da Figueira.

Além disso, o poder público criou na lei de macrozoneamento o setor especial de industrialização sustentável, compreendido entre o bairro João Pessoa e Santa Luzia, e o setor especial Distrito de Inovação, localizado nos bairros do Rau, Estrada Nova, Três Rios do Sul e Água Verde.

O secretário Municipal de Desenvolvimento Econômico e Inovação Daniel de Arruda, explica que os setores especiais têm por objetivo a instalação de indústrias mais “leves” voltadas para o setor de tecnologia e inovação.

Arruda comenta que Jaraguá do Sul conta com uma economia muito dinâmica e vem notando o crescimento do setor de prestação de serviços, impulsionado especialmente pela terceirização e pela revolução digital.

“O setor de prestação de serviços vem ganhando espaço ano após ano, porém não se vislumbra uma “inversão” da matriz econômica a médio prazo, pois o setor industrial em nosso município também está se renovando e investindo em tecnologia e inovação. O que se percebe na verdade é uma diversificação das atividades industriais inovadoras, e o fortalecimento do ecossistema de inovação no município”, finaliza.

 

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