A palavra “inclusão” é, sem dúvidas, uma das mais bonitas do nosso dicionário. Acrescentar, adicionar, sinônimos de incluir, nos trazem sensação de totalidade, preenchimento, unidade. Mas, o dicionário também diz que esta palavra significa a integração absoluta de pessoas que possuem necessidades especiais ou específicas numa sociedade. E é aí que a “inclusão”, além de bela, torna-se difícil.

Para que isso aconteça, são necessárias ferramentas e, obviamente, uma atenção especial à questão. Para um surdo, por exemplo, um intérprete de libras é essencial, mas não é a única necessidade. A pessoa que não ouve, especialmente aquela que já nasceu surda, possui uma linguagem própria para comunicação. Aprenderá palavras essenciais, mas terá dificuldade em compreender o contexto. Portanto, para incluí-la, é preciso entender o seu mundo, os seus anseios, é indispensável doar-se. “Adaptação” é um verbo que todas as pessoas, portadoras de necessidades específicas ou não precisam conjugar para que haja inclusão.

Hoje, o ensino e o mercado de trabalho possuem cotas a preencher para garantir o direito de quem normalmente é excluído. Porém, é fundamental que haja investimento financeiro, estrutural, organizacional para receber um portador de necessidades específicas. Ainda estamos caminhando a passos lentos em muitos sentidos. E a mudança, tão natural para alguns que desejam a inclusão, é vista como um problema por muitos. Não há obstáculo maior que o descaso e a exclusão é uma forma de violência. Ao incluirmos, estamos beneficiando a sociedade como um todo, estamos respeitando o indivíduo com suas particularidades, estamos nos abrindo e acolhendo. Só assim a palavra, além da beleza, ganha sentido.

Leia mais: Às vésperas da formatura, estudante surda é a primeira a concluir curso no IFSC