Desde a confirmação do primeiro caso de Covid-19 em Jaraguá do Sul, no dia 20 de março, os serviços de atenção básica foram reorganizados para priorizar o atendimento aos casos suspeitos que começaram a surgir gradativamente.

No Laboratório Municipal, a farmacêutica Alessandra Bollmann, 40 anos, viu os exames de rotina serem paralisados para atender em média 800 testes rápidos feitos por mês e encaminhar ao Laboratório Central de Saúde Pública testes RT-PCR.

O dia a dia dela consiste em realizar coletas de sangue e a análise dessas amostras - o que garante maior sensibilidade e um resultado mais preciso. E todos que passam por ali são pacientes com sintomas da doença.

Alessandra realiza diariamente testes de Covid-19 no laboratório. Foto: Natália Trentini/OCP News

A pandemia exigiu muita adaptação, comenta Alessandra, modificando os protocolos dentro do laboratório, exigindo mais cuidados com uso dos EPIs (Equipamentos de Proteção Individual) e atenção para evitar aglomerações de quem espera pelo exame.

 

 

O medo, segundo ela, existe, por ser um vírus completamente novo, desconhecido e ainda incerto quanto aos efeitos no organismo - mesmo de pessoas saudáveis.

No entanto, o risco de contágio é algo que os profissionais acabam se acostumando a lidar, especialmente pelo treinamento e cuidado na rotina, reconhecendo a importância dos itens de proteção.

Nesses 10 meses de atendimento, duas enfermeiras positivaram para coronavírus segundo Alessandra. “É um número muito baixo pelo volume de atendimentos que fazemos por dia. E também não sabemos onde foi o contágio”, comenta.

Foto: Natália Trentini/OCP News

A enfermeira Patrícia Farias, 42 anos, que atua na Policlínica de Especialidades João Biron, trabalha com alguns serviços médicos que ainda são ofertados à população e em algumas escalas de atendimentos no Pama e coleta de exames.

A profissional ressalta que o entendimento das formas de transmissão da doença foram aliviando aos poucos a tensão sentida no começo da pandemia.

“Era algo novo, não tinham estudos na época. No começo foi a sensação de medo mesmo, noites de pesadelo”, relembra.

No entanto, ver os casos subindo nesse segundo pico da doença e saber de colegas de profissão que estão com a doença ou internados, afirma ela, é algo que tem mexido bastante com todos.

“O que temos de orientação, entre nós mesmos, é que o profissional de saúde precisa se manter bem”, diz. “Cuidar do corpo, fisicamente e da saúde mental”.

 

 

Mesmo não atuando diariamente com pacientes suspeitos de Covid-19, Patrícia ressalta que atender diversas pessoas também traz essa ansiedade - que acompanha muito o profissional de enfermagem, avalia.

“Hoje em dia todo paciente tem uma suspeita, pode ser um portador assintomático”, pontua.

Missão de vida

Patrícia acredita que essa missão de cuidar do outro é o que mantém os profissionais de saúde seguindo em frente, sabendo que eles são os únicos capazes de cuidar das pessoas afetadas pela doença.

Mas existem momentos em que a pandemia afeta a vida pessoal. Patrícia tem se mantido em casa e ainda não pegou no colo as sobrinhas gêmeas que nasceram nesse ano, por precaução.

Patrícia ressalta preocupação com o aumento dos casos. Foto: Fábio Junkes/OCP News

Apesar de seguirem firmes na rotina, Alessandra e Patrícia se preocupam com o aumento dos casos e temem que, sem a colaboração da comunidade nesse fim ano, haja uma superlotação nas estruturas de saúde.

“Eu acredito que a população vai ter consciência, vai manter os cuidados para evitar um momento de caos em janeiro, após as festas”, diz Patrícia.

“Temos uma estrutura bem organizada, mas se a demanda aumentar muito a gente não vai dar conta de manter os atendimentos. Tem profissionais que estão adoecendo. Vai ficar mais difícil”, avalia.

 

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